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Abertura de mercados será de forte pressão de baixa para ativos do Brasil após reeleição de Lula, dizem analistas

Abertura de mercados será de forte pressão de baixa para ativos do Brasil após reeleição de Lula, dizem analistas

Reuters

25/10/2026

Placeholder - loading - Um vendedor ambulante se protege da chuva em um ponto de ônibus, onde expõe camisetas com a imagem do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à venda, às vésperas do segundo turno das eleições
Um vendedor ambulante se protege da chuva em um ponto de ônibus, onde expõe camisetas com a imagem do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à venda, às vésperas do segundo turno das eleições

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 25 Out (Reuters) - A abertura dos mercados no Brasil será de forte ​pressão de baixa para os ativos locais nesta segunda-feira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmaram profissionais do mercado à Reuters neste domingo, e a expectativa é de ativação de mecanismos de interrupção de negociações logo cedo na B3 para suavizar o movimento.

O resultado da eleição, segundo eles, tende a gerar forte baixa das ações na bolsa, uma disparada do dólar ante o real e uma escalada das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas. Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste tende a ser intenso.

“Nenhuma pesquisa estava dando vitória de Lula, e quando olhamos a metade da tarde do pregão de sexta-feira, parece que o mercado realmente se posicionou para a vitória de Flávio”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.

“Vimos na sexta-feira um estirão do dólar para baixo e a bolsa para cima. Nesta segunda-feira, dado que houve essa alavancagem, é possível que haja circuit breaker na bolsa e parada de negócios no dólar”, acrescentou.

Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de ⁠10% em relação ao valor de fechamento ⁠anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a ​queda atingir 15%, ‌o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Uma terceira paralisação ocorre no caso de queda de 20%.

No caso do dólar futuro, pode ocorrer uma interrupção de negociações caso a alta do dólar seja de 6%. Com isso, o ativo entrará em leilão por alguns minutos para que haja formação de preço de equilíbrio. Nesta noite de domingo, alguns criptoativos ligados ao dólar subiam perto de 9%, o que sugere um avanço forte do dólar para novembro na manhã de segunda-feira.

No Brasil, como as cotações do dólar no mercado à vista ⁠são definidas com base nas cotações do dólar futuro -- mais líquido -- a tendência também é de forte alta no início das negociações, às ​9h.

“Amanhã, a bolsa vai abrir com circuit breaker, o dólar também vai parar. Há chance de vermos o dólar chegar aos R$5,50”, projetou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria ​Júnior.

Na última sexta-feira, em meio às apostas de vitória de Flávio, o dólar fechou abaixo dos R$5,00.

Nesta noite ‌de domingo, um fundo de ações brasileiras (ETF) listado ​na Bolsa ⁠de Tóquio, o Nomura NF Ibovespa Link ETF, recuava perto de 15%.

“A gente viu um movimento na sexta-feira, com o mercado apostando em uma vitória do Flávio, mas como isso não aconteceu, a tendência é de que se faça compras de defesa no câmbio”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Ele não descarta a possibilidade de o Banco Central entrar no mercado, por meio de leilões, para suavizar a ​disparada do dólar. “Se a alta for excessiva, de mais de 5%, o BC tem que fazer algo, seja por meio de swaps, seja por meio de leilões de moeda à vista”, opinou.

Para Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, em função da surpresa com a vitória de Lula, haverá um “ajuste severo de preços” na manhã de segunda-feira.

“Esperamos forte volatilidade, com pressão de queda na bolsa, depreciação do real e abertura das curvas de juros, até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal”, disse em comentário escrito. A política fiscal do governo era um dos principais alvos de críticas ​a Lula durante a campanha eleitoral.

CURVA DE JUROS E PRECIFICAÇÃO PARA O COPOM

Os profissionais ouvidos pela Reuters também esperam um forte avanço das taxas dos DIs na segunda-feira, em especial entre os contratos de longo prazo, que refletem mais diretamente a expectativa com a política fiscal do governo.

Na segunda-feira após o primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula, a taxa do DI para janeiro de 2035 caiu mais de 130 pontos-base, em meio à expectativa de mudança na política fiscal. Com o resultado do segundo turno, vários profissionais citaram a possibilidade de devolução equivalente de prêmios para a curva.

“Considero plausível que tanto o dólar quanto os juros futuros ultrapassem os patamares observados naquela sexta-feira anterior ao primeiro turno, devolvendo integralmente o movimento de valorização dos ativos que acompanhou a expectativa de mudança na condução econômica do país”, pontuou Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, em comentário escrito.

O movimento na parte curta da curva também tende a alterar a precificação para as ​próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em novembro e dezembro.

Até sexta-feira, a curva precificava corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, em novembro, com boa chance de nova ‌redução na mesma magnitude em dezembro. Com a vitória de Lula, conforme profissionais ⁠ouvidos pela Reuters, o mercado tenderá a precificar apenas mais um corte de 25 pontos-base em novembro.

RECEIO DE JUDICIALIZAÇÃO

A vitória de Lula, na visão de alguns profissionais, não será o único fator para a volatilidade, que tende a se estender pela semana. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, ⁠em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, promete gerar questionamentos na Justiça.

Em pronunciamento após a derrota, Flávio não ⁠reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.

“Não dá para descartar discussões sobre uma ⁠eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos ⁠políticos. ​Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

(Reportagem de Fabrício de Castro, em São Paulo; reportagem adicional de Paula Arend Laier; edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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