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Acordo Mercosul-UE pode aumentar exportações brasileiras em 13%, diz Alckmin

Acordo Mercosul-UE pode aumentar exportações brasileiras em 13%, diz Alckmin

Reuters

23/04/2026

Placeholder - loading - Vice-presidente Geraldo Alckmin 17 de novembro de 2025.  REUTERS/Adriano Machado/Foto de arquivo
Vice-presidente Geraldo Alckmin 17 de novembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado/Foto de arquivo

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 23 Abr (Reuters) - O governo brasileiro espera ver um aumento ​de 13% nas exportações do país quando o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia estiver totalmente em prática em 2038, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin, às vésperas da entrada em vigor parcial do tratado.

'A degravação é gradual, mas você tem aí perto de 5 mil produtos que a partir do dia 1º de maio estão zerados o imposto, então você vai ter aí um impacto importante', disse Alckmin na quarta-feira em entrevista com agências internacionais de notícias.

Para o setor industrial brasileiro especificamente, o ganho nas exportações deve chegar a 26% com o acordo, acrescentou o vice-presidente.

A entrada em vigor em 1º de maio ainda é provisória, já que alguns países, como a França, questionaram o acordo no Tribunal de Justiça europeu. Ainda assim, a retirada gradual de tarifas entre os países da UE e do Mercosul começa imediatamente e deve se completar em ⁠até 12 anos.

De acordo ⁠com o vice-presidente -- que participou das negociações como ministro do ​Desenvolvimento, Indústria ‌e Comércio até deixar o cargo este mês -- setores como frutas, açúcar, carne bovina e de frango e alguns tipos de maquinário podem ter impactos imediatos.

Alckmin lembrou, no entanto, que também devem aumentar as importações brasileiras.

Hoje, o comércio entre Brasil e UE -- segundo maior parceiro comercial do país atrás da China -- chega a US$100 bilhões, com um ligeiro superávit europeu, de aproximadamente US$500 milhões.

Uma conta feita pela ⁠Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) aponta para um incremento de até US$1 bilhão na balança comercial brasileira ​já no primeiro ano de vigência do acordo.

Além disso, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que as reduções de ​tarifas e as cotas de exportação podem trazer um aumento de 0,46% no ‌Produto Interno Bruto brasileiro entre 2024 ​e 2040, ⁠o equivalente a mais US$9,3 bilhões.

Apesar do otimismo com o acordo, a adoção de salvaguardas rígidas pelos europeus, que preveem a suspensão das importações se houver um aumento de 5% acima da média dos últimos três anos, irritou o setor agrícola brasileiro e levou o Brasil a aprovar medidas semelhantes.

'A salvaguarda ​vale para os dois lados. Então, se tiver um pico de importação, tanto o Mercosul quanto os países da União Europeia podem pedir uma suspensão temporária. É um acordo equilibrado', afirmou Alckmin.

Desde 2013 sem assinar acordos comerciais, o Mercosul deu um salto nas negociações nos últimos anos, fechando acordos também com Cingapura e o bloco europeu Efta (Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia).

Segundo o vice-presidente, ainda é possível que até o fim deste ano ​sejam assinados novos acordos com Emirados Árabes Unidos e Canadá.

Além disso, o próprio Mercosul pode crescer. Além da Bolívia, que está em processo de adesão às regras do bloco, a Colômbia demonstrou interesse em participar. E a Venezuela, que está suspensa atualmente, pode voltar, disse o vice-presidente.

'A Venezuela está suspensa do Mercosul, mas à medida que está vivendo outro momento agora, isso será rediscutido', afirmou.

ESTADOS UNIDOS

Enquanto festeja o início do acordo com a UE, o governo brasileiro continua tentando negociar avanços com os Estados Unidos. Apesar da maior parte das tarifas norte-americanas terem caído com uma decisão da Suprema Corte norte-americana, os setores de aço e alumínio e cobre continuam com tarifas de 50%, aplicadas ao mundo todo, e de 25% ​no setor de automóveis e autopeças.

Além disso, o Brasil está sob duas investigações dentro da seção 301 da lei de comércio norte-americana. Uma delas, que envolve ‌várias dezenas de países, trata de uso de trabalho escravo; ⁠a outra, apenas sobre o Brasil, inclui investigações sobre o Pix, desmatamento e ambiente digital de negócios. Ambas podem ser usadas pelos EUA para retomar com tarifas de 50%. Na semana passada, uma comitiva brasileira esteve nos EUA para negociações sobre as investigações.

'Nós prestamos todos os ⁠esclarecimentos. E, se precisar, faremos outros', disse Alckmin, sem entrar em detalhes sobre as reuniões em ⁠Washington.

'A boa química que foi estabelecida entre o presidente Lula e ⁠o presidente Trump nós defendemos que ⁠continue. ​A gente pode ter muita parceria na área tarifária, tem espaço na área tarifária e não tarifária', afirmou.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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