ALÉM DA MÚSICA: O QUE STING, HUCKNALL, KRAVITZ E DYLAN TÊM EM COMUM
VINHOS, FAZENDAS, ARTE E SUSTENTABILIDADE REVELAM OUTRA PAIXÃO DOS ASTROS
João Carlos
20/08/2026
Quando as luzes do palco se apagam, alguns artistas encontram outras formas de continuar criando. Entre videiras, oliveiras, plantações, construções históricas e barris de uísque, Sting, Mick Hucknall, Lenny Kravitz e Bob Dylan revelam interesses que vão muito além dos estúdios e das grandes turnês.
Sting: clássicos que chegaram às garrafas

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Em 1997, Sting e a esposa, Trudie Styler, compraram a Tenuta Il Palagio, uma propriedade histórica do século XVI localizada na região italiana da Toscana. Depois de uma extensa restauração, o lugar passou a funcionar como fazenda e vinícola orgânica, com produção de vinhos, azeite, mel, frutas, legumes e conservas.

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A música, naturalmente, também ganhou espaço no projeto. Parte dos vinhos recebeu nomes ligados ao repertório do cantor, como Message in a Bottle, Sister Moon, When We Dance e Sacred Love. Atualmente, Il Palagio também oferece hospedagem em casas da propriedade, além de restaurantes sazonais, pizzaria e uma loja com produtos cultivados nas próprias terras.
Mick Hucknall: a paixão pelo vinho nas encostas do Etna

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O vocalista do Simply Red, Mick Hucknall, também levou sua ligação com a Itália para o campo. No início dos anos 2000, ele se envolveu na criação da Il Cantante, projeto vinícola desenvolvido nas encostas do Monte Etna, na Sicília.

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O nome significa “O Cantor” em italiano. Ao lado do enólogo Salvo Foti, Hucknall participou da produção de vinhos elaborados com uvas cultivadas no solo vulcânico da região. A proposta era respeitar as características particulares do Etna e trabalhar com métodos tradicionais, transformando a paixão do músico pelo vinho em uma atividade levada bastante a sério.
Lenny Kravitz: uma fazenda para produzir, criar e respirar

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No Brasil, Lenny Kravitz encontrou seu próprio refúgio em uma antiga plantação de café do século XVIII, localizada no interior do estado do Rio de Janeiro. O músico adquiriu uma área de quase mil acres e manteve a atividade rural da propriedade enquanto restaurava as construções coloniais.

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A fazenda produz alimentos orgânicos servidos aos convidados e reúne áreas de cultivo, cavalos, casas de hóspedes, academia, piscina e um estúdio de gravação. Kravitz também participou diretamente do projeto de interiores, combinando arquitetura histórica, móveis brasileiros e peças ligadas à sua trajetória. Para ele, o local funciona como espaço de descanso, convivência e criação, com o estúdio dividindo a paisagem com plantações e animais.
Bob Dylan: bourbon, arte e preservação

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Bob Dylan seguiu um caminho diferente. Em vez do vinho, entrou no universo do uísque com a Heaven’s Door, marca criada em parceria com o artista. A destilaria está instalada em uma propriedade de mais de 200 acres em Pleasureville, no Kentucky, com bosques, lagos, cultivo de grãos tradicionais, um rebanho de bisões e construções históricas restauradas.

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O projeto também aposta em conservação de água, energia solar, climatização geotérmica e reaproveitamento de CO₂. Nas garrafas, a assinatura de Dylan aparece em reproduções de portões de ferro produzidos pelo próprio músico com objetos encontrados em fazendas e depósitos de sucata. Assim, cada rótulo funciona quase como uma pequena galeria de sua produção artística.
A criatividade muda de cenário
Em comum, esses músicos mostram que a criação não precisa terminar quando o último acorde desaparece. Ela pode reaparecer em um vinho cultivado sobre solo vulcânico, em uma fazenda cercada pela natureza, na recuperação de uma construção histórica ou em uma escultura estampada numa garrafa de bourbon.
Os palcos continuam sendo o endereço mais conhecido. Fora deles, porém, Sting, Mick Hucknall, Lenny Kravitz e Bob Dylan cultivaram projetos que revelam outra parte de suas histórias.


