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ALZHEIMER ENTRA EM NOVA FASE DA PESQUISA COM AVANÇOS NO TRATAMENTO E DIAGNÓSTICO

Relatório internacional aponta mudança na forma de enfrentar a doença, com terapias capazes de retardar sua progressão e novas estratégias para identificar casos mais cedo

Bruna Valle

22/09/2026

Placeholder - loading - Novos medicamentos, exames mais precisos e estratégias de prevenção começam a mudar o cenário da pesquisa sobre Alzheimer
Novos medicamentos, exames mais precisos e estratégias de prevenção começam a mudar o cenário da pesquisa sobre Alzheimer

A pesquisa sobre Alzheimer está passando por uma mudança importante. Depois de décadas marcadas por sucessivos fracassos na busca por tratamentos capazes de alterar o curso da doença, os estudos mais recentes começam a apresentar resultados que modificam as perspectivas para pacientes e pesquisadores.

A conclusão aparece no World Alzheimer Report 2026, produzido pela Alzheimer’s Disease International (ADI). O documento aponta que a doença já não é vista de forma universal como uma condição sem possibilidade de intervenção e destaca uma combinação de avanços em medicamentos, diagnóstico e prevenção.

Isso não significa que exista uma cura. Os resultados disponíveis ainda são limitados e os tratamentos mais recentes apresentam benefícios principalmente quando a doença é identificada em fases iniciais. Ainda assim, para os pesquisadores, a possibilidade de interferir na evolução do Alzheimer representa uma mudança relevante.

Medicamentos conseguem retardar a evolução

Dois dos principais avanços citados no relatório são o donanemabe e o lecanemabe. Os medicamentos foram os primeiros plenamente aprovados a demonstrar capacidade de desacelerar modestamente a progressão do Alzheimer em pessoas nos estágios iniciais.

Até então, boa parte dos tratamentos disponíveis tinha como objetivo controlar sintomas, sem demonstrar de forma convincente que poderia modificar a evolução da doença.

Os resultados, porém, não significam que os medicamentos funcionem da mesma maneira para todos os pacientes. O próprio relatório registra que ainda existe debate entre pesquisadores sobre o tamanho do benefício clínico proporcionado pelas terapias.

Mesmo com essas limitações, os resultados abriram caminho para uma nova geração de estudos.

Atualmente, são investigadas 158 possíveis terapias em 192 ensaios clínicos relacionados à demência. O número de medicamentos candidatos aumentou cerca de 40% na última década, e oito estudos de fase 3 têm resultados previstos para 2026.

Mais de um terço dos medicamentos atualmente em desenvolvimento, segundo o relatório, foi originalmente criado para tratar outras doenças.

Prevenção pode reduzir parte dos casos

A mudança de perspectiva também envolve o período anterior ao surgimento dos sintomas.

O relatório reúne evidências de que até 45% dos casos de demência poderiam potencialmente ser prevenidos ou adiados por meio da atuação sobre 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida.

A lista inclui condições e hábitos como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, consumo excessivo de álcool, depressão e falta de atividade física.

A ideia não é que esses fatores expliquem todos os casos de Alzheimer ou que mudanças de estilo de vida eliminem o risco da doença. O objetivo é reduzir fatores que podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da demência.

Essa estratégia ganha ainda mais importância diante do envelhecimento da população mundial. Estimativas citadas no relatório apontam que o número de pessoas vivendo com algum tipo de demência pode chegar a 139 milhões até 2050.

Nesse cenário, até mesmo um pequeno adiamento no início do declínio cognitivo poderia ter impacto significativo no número total de casos.

Detectar antes continua sendo um desafio

Os avanços nos tratamentos trazem outro problema: para que determinadas terapias sejam utilizadas, é necessário identificar a doença enquanto ela ainda está em estágio inicial.

E esse diagnóstico nem sempre acontece.

O relatório chama atenção para a dificuldade de acesso a métodos mais avançados de investigação. No Reino Unido, por exemplo, apenas cerca de 2% das pessoas diagnosticadas com Alzheimer têm acesso ao chamado teste diagnóstico de padrão-ouro, segundo estudo citado no documento.

É nesse ponto que os exames de sangue despertam interesse. Pesquisadores vêm desenvolvendo testes capazes de procurar no sangue biomarcadores associados à doença, o que poderia tornar a investigação mais simples e acessível.

Os resultados iniciais são promissores, mas ainda é necessário avaliar essas ferramentas em grandes populações para confirmar sua precisão e estabelecer como elas devem ser utilizadas na prática médica.

A ampliação do diagnóstico precoce também pode facilitar a participação em ensaios clínicos e permitir que pacientes sejam avaliados justamente no período em que determinadas terapias apresentam maior potencial.

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