Aumenta indignação global após ministro israelense zombar dos ativistas de flotilha de Gaza
Aumenta indignação global após ministro israelense zombar dos ativistas de flotilha de Gaza
Reuters
21/05/2026
Por Rami Ayyub
JERUSALÉM, 21 Mai (Reuters) - Os governos ocidentais expressaram sua indignação na quinta-feira, depois que o ministro da Segurança de extrema-direita de Israel publicou um vídeo em que ele mesmo zomba dos ativistas da flotilha com destino a Gaza, enquanto eram imobilizados no chão, sendo que dois deles alegaram ter sido agredidos fisicamente durante a detenção.
O tratamento dado aos ativistas por policiais sob a direção do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, também atraiu uma repreensão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e dos Estados Unidos, o mais firme aliado de Israel.
Os ativistas, cuja embarcação foi interceptada na quarta-feira em águas internacionais pelas forças navais israelenses quando tentavam entregar ajuda humanitária a Gaza, foram todos deportados de Israel na quinta-feira, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel.
Em toda a Europa, governos convocaram os embaixadores israelenses para condenar o vídeo. A Itália exigiu um pedido de desculpas, a Espanha disse que não toleraria maus-tratos a seus cidadãos e a França exigiu a libertação de todos os detidos.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou que o vídeo 'viola os padrões mais básicos de respeito e dignidade das pessoas', enquanto o ministro das Relações Exteriores da Polônia pediu que Ben-Gvir fosse proibido de entrar no país.
O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, disse que Ben-Gvir havia 'traído a dignidade de sua nação'.
A manifestação de indignação ocorre após a publicação de vídeos de campanha de Ben-Gvir e de pelo menos outro ministro do governo de Netanyahu, a ministra dos Transportes Miri Regev, mostrando-os visitando o porto e criticando os manifestantes, em atitudes que visam chamar a atenção antes de uma possível eleição antecipada em Israel.
Thameen al-Kheetan, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, disse que a prisão dos ativistas no mar parecia ser ilegal, e que qualquer maltrato deveria ser investigado e os responsáveis punidos.
'Não é crime demonstrar solidariedade e levar assistência humanitária às pessoas que estão precisando muito dela em Gaza', declarou ele à Reuters.
Os organizadores da flotilha afirmam que seu objetivo era romper o bloqueio de Israel a Gaza, entregando ajuda humanitária, que, segundo as instituições de caridade, ainda é escassa, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro de 2025, que inclui garantias de maior assistência.
A flotilha partiu do sul da Turquia esta semana antes de ser interceptada na quarta-feira. As flotilhas anteriores --incluindo uma que levava a ativista sueca Greta Thunberg -- também foram interceptadas por Israel, e os participantes foram deportados posteriormente.
(Reportagem adicional de John Irish em Paris, Tuvan Gumrukcu em Ancara, Matteo Negri em Roma e Olivia Le Poidevin em Genebra)
Reuters

