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BC do Japão mantém taxa de juros mas divisão aponta para alta em junho

BC do Japão mantém taxa de juros mas divisão aponta para alta em junho

Reuters

28/04/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda  28 de abril de 2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda 28 de abril de 2026. REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Leika Kihara e Makiko Yamazaki

TÓQUIO, 28 ​Abr (Reuters) - O Banco do Japão deixou inalterada a taxa de juros nesta terça-feira, mas três dos nove membros da diretoria propuseram um aumento dos custos dos empréstimos, sinalizando as preocupações das autoridades sobre as pressões inflacionárias decorrentes do conflito no Oriente Médio.

O banco central também revisou para cima suas previsões de preços e enfatizou a vigilância em relação ao risco de a inflação ficar acima da meta, sinalizando uma forte chance de um aumento dos juros nos próximos meses.

'Embora o Banco do Japão tenha mantido ⁠os ⁠juros, os três votos dissidentes destacam as ​tensões ‌que as autoridades monetárias enfrentam', disse Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, observando que os choques de energia estão estimulando a inflação e reduzindo o crescimento.

'Dadas as elevadas expectativas de inflação no Japão, que aumentaram ⁠ainda mais devido à crise energética, o Banco do Japão precisará aumentar ​a taxa de juros no devido tempo para evitar que as pressões sobre ​os preços aumentem ainda mais', disse ele.

Conforme ‌amplamente esperado, o banco ​central deixou ⁠inalterada sua taxa de juros em 0,75% após dois dias de reuniões que terminaram nesta terça-feira.

Entretanto, em um movimento inesperado, três membros da diretoria discordaram e, em vez disso, ​pediram um aumento da taxa para 1,0%. Naoki Tamura e Junko Nakagawa se juntaram a Hajime Takata, que, sem sucesso, fez uma proposta individual de aumento em março.

Esse foi o maior número de dissidências que a diretoria já viu desde ​janeiro de 2016, quando o Banco do Japão adotou juros negativos por uma votação apertada de 5 a 4.

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que o banco central decidiu pela pausa por enquanto para passar mais tempo avaliando as consequências do conflito e para analisar o que ainda considera ser uma inflação temporária, impulsionada por choques na oferta.

No entanto, ele enfatizou a disposição do banco de ​aumentar os juros para evitar que o choque de energia alimente uma inflação mais ‌ampla, desde que qualquer desaceleração econômica decorrente ⁠da guerra do Irã seja moderada.

'Se os riscos inflacionários conseguirem se materializar ou se eles aumentarem significativamente, poderemos elevar a taxa de juros, desde que os ⁠riscos econômicos negativos ou o risco de uma piora ⁠econômica acentuada sejam limitados', disse Ueda ⁠em uma coletiva ⁠de ​imprensa.

(Reportagem adicional de Satoshi Sugiyama e Kantaro Komiya em Tóquio e Ankur Banerjee em Cingapura)

Reuters

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