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Brasil planeja maior estreia em emissão de títulos em iuanes para “testar” mercado

Brasil planeja maior estreia em emissão de títulos em iuanes para “testar” mercado

Reuters

25/06/2026

Placeholder - loading - Dario Durigan, ministro da Fazendal, fala durante uma entrevista à Reuters em Pequim 25 de junho de 2026. REUTERS/Maxim Shemetov
Dario Durigan, ministro da Fazendal, fala durante uma entrevista à Reuters em Pequim 25 de junho de 2026. REUTERS/Maxim Shemetov

Por Joe Cash

PEQUIM, 25 Jun (Reuters) - O Brasil planeja ​levantar até 5 bilhões de iuanes (US$735 milhões) em sua primeira emissão de títulos em iuanes, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, à Reuters nesta quinta-feira, marcando a maior estreia de dívida denominada em iuan por um país estrangeiro na China.

O Brasil se tornará o quinto emissor soberano em 12 meses a entrar no mercado de dívida doméstico da China, com a iniciativa vista como um “teste” para ajudar empresas privadas brasileiras a ampliar sua presença na segunda maior economia do mundo, disse Durigan.

O valor da emissão não havia sido divulgado anteriormente.

Embora ainda em fase inicial, os chamados “panda bonds” são parte fundamental do esforço ⁠de Pequim ⁠para internacionalizar o iuan, que ainda enfrenta ​rígidos controles ‌de capital e regulatórios.

Do ponto de vista diplomático, eles também sinalizam a abertura dos mercados emergentes a alternativas ao sistema financeiro global dominado pelo dólar.

“Precisamos testar e dar início à trajetória da dívida soberana do Brasil na China”, disse Durigan em entrevista após uma reunião com ⁠o presidente do banco central da China, Pan Gongsheng, em Pequim, para finalizar ​o plano. Ele disse esperar que os títulos sejam emitidos nos próximos dois a três meses.

“Levantamos ​5 bilhões de euros na Europa. Ainda não definimos ‌o valor aqui na ​China para ⁠a primeira emissão, mas será de até 5 bilhões (de iuanes)”, acrescentou.

A Eslovênia fez a maior estreia anterior neste ano, levantando 4 bilhões de iuanes com um título de três anos.

Empresas brasileiras solicitaram ao governo que ​começasse a emitir dívida denominada em iuanes para ajudá-las a levantar recursos por meio de acordos privados de “panda bonds” e para amenizar a volatilidade cambial no Brasil, disse Durigan.

Ele acrescentou que discutiu o plano com a mineradora Vale e a fabricante de equipamentos elétricos WEG.

“A rentabilidade dos projetos (no Brasil) é ​muito boa, mas a volatilidade das taxas do (real) pode afetar o resultado final, por isso estamos oferecendo um recurso de hedge cambial para esses investimentos”, acrescentou ele.

AMBIÇÕES CAMBIAIS

Embora a moeda chinesa esteja se tornando uma parte cada vez mais importante do sistema financeiro global, Pequim ainda não foi além dos negócios com mercados emergentes para desafiar o dólar.

A segunda maior economia do mundo se baseia nas exportações para obter receitas em dólares, e os controles rígidos fazem com que o iuan continue ilíquido, um ​risco adicional que precisa ser precificado.

Ainda assim, Paquistão, Cazaquistão, Eslovênia e Hungria recorreram ao mercado de dívida onshore ‌da China ao longo do último ano, ⁠já que os custos relativamente baixos dos empréstimos em iuanes tornaram essa moeda uma alternativa atraente ao financiamento denominado em dólar e em euro.

Durigan afirmou que “não houve avanços” quando questionado sobre as sugestões ⁠de que o Brics poderia criar uma moeda comum para ⁠desafiar o dólar.

“A visão que nós (Brasil) temos sobre ⁠geopolítica é o multilateralismo; ⁠portanto, ​é justo que outros países fortaleçam suas moedas e ampliem sua influência ao redor do mundo”, disse Durigan.

Reuters

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