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Catástrofe de direitos humanos se desenrola em al-Obeid, no Sudão, diz ONU

Catástrofe de direitos humanos se desenrola em al-Obeid, no Sudão, diz ONU

Reuters

03/07/2026

Placeholder - loading - Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra   8 de setembro de 2025  REUTERS/Denis Balibouse
Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra 8 de setembro de 2025 REUTERS/Denis Balibouse

Por Olivia Le Poidevin

GENEBRA, 3 Jul (Reuters) - Outra ​catástrofe em matéria de direitos humanos está se desenrolando no Sudão, em torno da cidade sitiada de al-Obeid, afirmou na sexta-feira o chefe de direitos humanos das Nações Unidas, alertando sobre um padrão de atrocidades e instando a comunidade internacional a agir.

Al-Obeid é a capital do Estado do Kordofan do Norte, o foco dos recentes combates na guerra entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar, que teve início há mais de três anos e causou uma vasta crise humanitária.

O alto comissário das Nações Unidas ⁠para os ⁠Direitos Humanos, Volker Turk, disse que ​os civis ‌vêm sendo submetidos a condições semelhantes a um cerco há 18 meses, com grave escassez de água potável em al-Obeid e ataques implacáveis com drones.

Durante um debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Turk afirmou aos ⁠delegados que seu escritório havia documentado padrões de execuções sumárias, sequestros, ​tortura e violência sexual ao longo das rotas percorridas por pessoas deslocadas na região ​de Kordofan.

Ele instou a comunidade internacional a não ‌permitir que se repitam ​as ⁠atrocidades generalizadas ocorridas em al-Fashir, no Darfur do Norte, no ano passado.

“Os sinais vindos de al-Obeid são claros e inequívocos: outra catástrofe de direitos humanos está se desenrolando no Sudão, ​desta vez na capital do Estado estratégico de Kordofan do Norte”, afirmou Turk.

A sessão foi convocada pelo Reino Unido, cujo enviado havia alertado anteriormente que até 500 mil civis corriam o risco de sofrer atrocidades em grande escala, já que a RSF ​teria concentrado forças ao redor de al-Obeid, uma das maiores cidades do Sudão e local onde pessoas deslocadas de outras áreas de conflito buscaram abrigo.

O mundo não pode permitir que al-Obeid se torne “a próxima tragédia sem sentido”, afirmou a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, em comunicado divulgado paralelamente à sessão do Conselho. “A comunidade internacional precisa estar à altura do momento”, disse ela.

A RSF afirma que suas operações nos ​arredores de al-Obeid são de natureza militar. A força já havia declarado anteriormente que não ‌tem como alvo intencional civis e ⁠que os responsáveis por abusos serão responsabilizados.

Assim como em outros conflitos, a guerra no Sudão tem sido cada vez mais marcada por ataques com drones, que frequentemente causam ⁠vítimas civis.

Pelo menos 45 civis foram mortos e 41 ⁠ficaram feridos em 15 ataques com ⁠drones em al-Obeid e ⁠áreas ​vizinhas entre 6 e 28 de junho, segundo o escritório de direitos humanos da ONU.

Reuters

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