CDs E VINIL IMPULSIONAM UM NOVO MERCADO PUBLICITÁRIO
CRESCIMENTO DOS FORMATOS FÍSICOS ABRE ESPAÇO PARA NOVAS ESTRATÉGIAS DE MARCAS, GRAVADORAS E FABRICANTES DE ÁUDIO
João Carlos
04/09/2026
Durante anos, CDs e discos de vinil pareciam destinados a ocupar apenas um espaço afetivo nas estantes. Mas o mercado da música está mostrando que objetos do passado também podem encontrar novas funções no presente. E, junto com as vendas, começam a surgir novas oportunidades para a publicidade.
O movimento ganhou ainda mais força em 2026. Nos Estados Unidos, dados divulgados pela RIAA nesta semana mostram que as receitas com CDs cresceram expressivos 58,6% no primeiro semestre, enquanto o mercado americano de música gravada avançou quase 7% no período.
O vinil, por sua vez, já deixou de ser apenas uma tendência passageira. Segundo a IFPI, as receitas globais dos formatos físicos cresceram 8% em 2025, impulsionadas principalmente pelo avanço de 13,7% do vinil, que completou seu 19º ano consecutivo de crescimento.
Das prateleiras para a publicidade

Crédito da imagem: Reprodução/LinkedIn/Mark Charles/Victrola
O curioso é que esse crescimento não está produzindo simplesmente uma nova onda de comerciais de CDs e toca-discos.
A publicidade está encontrando outros caminhos.
Edições limitadas, vinis coloridos, capas alternativas, produtos exclusivos, eventos em lojas e colaborações entre artistas e fabricantes passaram a funcionar como ferramentas de divulgação e, ao mesmo tempo, como produtos para colecionadores.
Um exemplo vem da tradicional fabricante de toca-discos Victrola. Em maio, a empresa estabeleceu em Nashville uma operação dedicada especificamente a parcerias, colaborações e ativações. A estratégia chegou depois de projetos como um toca-discos desenvolvido em parceria com a Third Man Records, de Jack White, além de ações envolvendo artistas como Luke Combs e Jordan Davis.
A própria empresa passou a apresentar suas colaborações como produtos que unem design, narrativa e música, transformando o aparelho de som em parte da experiência de uma marca ou artista.
O vinil também virou plataforma para marcas

Crédito da imagem: Publicidade/Bowers & Wilkins
Outro bom termômetro é o Record Store Day.
A edição britânica de 2026 reuniu mais de 300 lojas independentes e cerca de 300 gravadoras, com alcance potencial superior a 300 milhões de pessoas. O evento oferece oficialmente oportunidades para empresas desenvolverem campanhas associadas à cultura das lojas de discos.
Entre os parceiros estão empresas diretamente relacionadas ao universo do áudio, como a Bowers & Wilkins, além de veículos de comunicação e marcas de outros segmentos. A fabricante de equipamentos de áudio, por exemplo, voltou a apoiar o evento neste ano associando seus produtos à experiência de ouvir vinil.
E não é apenas publicidade convencional. Durante o Record Store Day, lojas receberam apresentações, sessões com artistas, DJs e lançamentos exclusivos, transformando o ponto de venda em uma verdadeira experiência musical.
Um mercado que vai além do disco
A volta dos formatos físicos dcria oportunidades para toda uma cadeia de produtos: toca-discos, caixas acústicas, fones, acessórios, móveis, lojas especializadas e equipamentos de áudio.
Para as marcas, existe ainda um ingrediente especialmente atraente: o CD e o vinil deixaram de ser apenas meios para ouvir música. Para parte do público, tornaram-se objetos de coleção, decoração e identidade.
Isso ajuda a explicar por que tantas estratégias atuais apostam em exclusividade, edições especiais e experiências, em vez de simplesmente anunciar um novo álbum.
Ainda não existem dados consolidados que permitam afirmar que os investimentos publicitários cresceram no mesmo ritmo das vendas de CDs e vinil. O que já é possível observar, porém, é uma movimentação crescente das empresas para ocupar esse mercado.
Depois de sobreviver à revolução do streaming, os formatos físicos parecem estar encontrando uma nova função: além de vender música, também estão ajudando a vender experiências, equipamentos e marcas.


