CÉLINE DION: OS SUCESSOS E O RETORNO TRIUNFAL
“FALLING INTO YOU” COMPLETA 30 ANOS ENQUANTO A CANTORA APRESENTA NOVAS GRAVAÇÕES EM FRANCÊS E RETOMA OS CONCERTOS EM PARIS
João Carlos
03/10/2026
O retorno impressionante de Celine Dion aos palcos é sem dúvida um dos grandes momentos da música em todos os tempos. Desde setembro, a canadense apresenta em Paris seus sucessos em concertos completos, após anos de tratamento da síndrome da pessoa rígida, condição neurológica que comprometeu sua mobilidade e sua voz. Os cuidados médicos continuam, agora conciliados com uma agenda de shows.

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É nesse contexto que Falling Into You completa 30 anos. O álbum de 1996 reuniu “Because You Loved Me”, “It’s All Coming Back to Me Now” e “All By Myself”, recebeu o Grammy de Álbum do Ano e deu a Céline um repertório que já justificava sua projeção internacional antes de “My Heart Will Go On” e do fenômeno Titanic.
O aniversário merece uma escuta atenta: das composições de Diane Warren e Jim Steinman às regravações, o disco oferece mais do que uma sequência de sucessos. E a cantora que está de volta aos palcos não está dedicada apenas a revisitar esse material. Com “Dansons” e “Bonjour, Pardon, Merci”, lançadas em 2026, Céline acrescenta novas músicas a uma carreira cuja continuidade ela precisou reconquistar.
O aniversário do disco encontra Céline novamente em plena atividade. Depois dos recentes lançamentos, a canadense iniciou, em setembro, uma temporada de concertos, seus primeiros shows completos em mais de seis anos.
Os sucessos de “Falling Into You”

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Quarto álbum em inglês de Céline, Falling Into You combina composições inéditas, regravações e adaptações de seu repertório francês. A produção reuniu profissionais como David Foster, Jim Steinman, Humberto Gatica e Ric Wake. Steinman também assina “It’s All Coming Back to Me Now”, escolhida para abrir o disco.
Já “Because You Loved Me”, escrita por Diane Warren, tem uma origem que amplia sua leitura para além de uma declaração romântica. A compositora a concebeu como uma homenagem ao pai. Tema do filme Up Close & Personal, estrelado por Robert Redford e Michelle Pfeiffer, a gravação chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália. A gratidão expressa na composição permite que ela seja ouvida tanto como uma canção de amor quanto como um reconhecimento a quem ofereceu apoio.
As regravações também têm peso no álbum. Em “All By Myself”, Céline interpreta uma composição originalmente gravada por Eric Carmen. Em “River Deep, Mountain High”, revisita o repertório de Tina Turner. São escolhas que colocam no mesmo trabalho diferentes referências da música pop, em vez de limitar o disco a um único modelo de balada.
Há ainda uma relação direta com D’eux, álbum em francês lançado no ano anterior: “I Don’t Know”, “If That’s What It Takes” e “Fly” são versões em inglês de músicas daquele repertório. A passagem entre os dois idiomas, portanto, acontece dentro do próprio disco.
Na premiação de 1997, Falling Into You recebeu os Grammys de Álbum do Ano e Melhor Álbum Pop. Para celebrar as três décadas do lançamento, o trabalho ganhou uma edição comemorativa em vinil duplo azul-glacial, lançada em 13 de março de 2026.
De “The Power of Love” a “My Heart Will Go On”

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A projeção de Céline no mercado de língua inglesa começou antes de Falling Into You. “Where Does My Heart Beat Now”, de Unison (1990), entrou no Top 5 americano. O dueto “Beauty and the Beast”, com Peabo Bryson, rendeu seu primeiro Grammy, entregue na cerimônia de 1993. No ano seguinte, “The Power of Love” tornou-se seu primeiro número um na Billboard Hot 100.
Em 1997, Let’s Talk About Love apresentou “My Heart Will Go On”, composta por James Horner e Will Jennings para Titanic. A gravação recebeu os Grammys de Gravação do Ano e Melhor Performance Vocal Pop Feminina na edição de 1999. O álbum também incluiu “Tell Him”, dueto com Barbra Streisand, e “Immortality”, uma colaboração com os Bee Gees.

O repertório não ficou restrito às baladas. Em “That’s the Way It Is”, lançada na coletânea All the Way… A Decade of Song (1999), Céline trabalhou com Max Martin e Kristian Lundin, produtores ligados ao pop de Britney Spears e dos Backstreet Boys. Em 2002, “A New Day Has Come” e “I’m Alive” deram continuidade à aproximação com outras sonoridades e equipes de produção.

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Essa variedade ajuda a entender a extensão de seu catálogo: há canções para o cinema, duetos, regravações e faixas de orientação mais dançante, além das interpretações de grande intensidade vocal pelas quais se tornou conhecida.
Uma carreira em dois idiomas

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Céline começou a gravar ainda adolescente. Em 1981, aos 13 anos, lançou o single “Ce n’était qu’un rêve” e seu primeiro álbum, La Voix du Bon Dieu. Sete anos depois, venceu o Eurovision representando a Suíça. A estreia fonográfica em inglês viria com Unison, em 1990.
A expansão internacional não significou abandonar o francês. Com Jean-Jacques Goldman, Céline gravou D’eux (1995), que inclui “Pour que tu m’aimes encore” e “Je sais pas”. Nas décadas seguintes, alternou lançamentos nos dois idiomas com turnês e temporadas fixas em Las Vegas. A primeira delas, A New Day…, estreou no Caesars Palace em 2003 e permaneceu em cartaz até 2007.

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As novas gravações de Céline Dion
A colaboração com Goldman foi retomada em “Dansons”, lançada em 17 de abril de 2026. Os dois haviam trabalhado juntos mais recentemente em “Encore un soir”, de 2016. Segundo o compositor, a nova música foi escrita em 2020, durante o período de confinamento da pandemia.
Em 3 de julho, Céline apresentou “Bonjour, Pardon, Merci”, sua primeira parceria com o cantor e compositor francês Ycare. Gravada em Las Vegas, a faixa trata de gratidão, afeto e das dificuldades que as pessoas enfrentam. As duas músicas foram reunidas em um vinil de 12 polegadas lançado em setembro.
“Bonjour, Pardon, Merci” recebeu também um remix de Bon Entendeur, disponibilizado em 25 de setembro. A dupla francesa acrescentou uma abordagem eletrônica à gravação. Segundo a Rolling Stone Canada, a iniciativa partiu da equipe de Céline, que procurou os músicos no fim de agosto para propor a colaboração.
Uma volta com tratamento em curso
A retomada dos shows ocorre enquanto Céline continua tratando a síndrome da pessoa rígida, diagnóstico que tornou público em dezembro de 2022. A condição neurológica pode provocar rigidez muscular e espasmos. Na ocasião, a cantora explicou que os sintomas prejudicavam sua mobilidade e a maneira como utilizava a voz.
Voltar a cantar não significa estar curada. Não há cura conhecida para a doença, embora existam tratamentos para controlar seus sintomas. Ao falar sobre a preparação para os concertos de Paris, Céline relatou uma rotina que incluía medicamentos, fisioterapia, terapia vocal e imunoterapia, além de atividades físicas.
Em julho de 2024, ela já havia realizado uma apresentação na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, cantando “Hymne à l’amour”, de Édith Piaf, na Torre Eiffel. A participação, porém, era pontual. A temporada iniciada em 2026 recolocou em sua agenda a execução de espetáculos completos e uma sequência de compromissos.
Os shows e as aparições de setembro
No dia 12 de setembro, Céline abriu sua temporada na Plénitude Arena, em Nanterre, na região de Paris. Começou com “On ne change pas” e incluiu no repertório “All By Myself” e “My Heart Will Go On”. A cantora interrompeu momentaneamente a abertura, emocionada, e estendeu o microfone para que o público a acompanhasse.
A programação reúne 16 apresentações entre setembro e outubro de 2026, além de dez previstas para maio de 2027. O espetáculo também incorpora “Dansons”, colocando uma das gravações recentes ao lado das músicas dos anos 1990.
No dia 20, Céline participou à distância de um concerto em homenagem a John Farnham, realizado na Rod Laver Arena, em Melbourne. De Paris, interpretou “You’re the Voice”. A escolha retomou uma experiência compartilhada pelos dois: em 2018, eles haviam cantado juntos a mesma música durante um show da canadense naquele palco australiano.
A última aparição de destaque do mês ocorreu em 28 de setembro, no desfile da L’Oréal Paris, durante a Paris Fashion Week. Céline encerrou o evento, diante da Torre Eiffel, com “I’m Alive”, lançada em 2002.
O peso simbólico de um retorno ao próprio recomeço de sua história
A escolha da canção, apresentada fora de seus próprios concertos em meio a uma agenda repleta de novos projetos, carrega um simbolismo evidente. O ano de 2026 consagra a resiliência de uma artista que se recusou a ser silenciada. Ao entoar 'I’m Alive' sob as luzes de Paris, Céline Dion entrega um manifesto sobre sua própria vida e carreira. Entre o enfrentamento diário de uma doença incurável, a gravação de faixas inéditas e o caloroso reencontro com o público, a cantora prova que seu legado não vive apenas de memórias. A história de Céline continua sendo escrita no presente, mostrando que o poder de sua voz — e de sua vontade de viver — permanece inabalável.


