Chefe da CIA visita Cuba enquanto Trump pede mudanças radicais para negociações
Chefe da CIA visita Cuba enquanto Trump pede mudanças radicais para negociações
Reuters
14/05/2026
Atualizada em 15/05/2026
(Corrige a data da revolução cubana no 2º parágrafo; também esclarece que a visita de Ratcliffe à ilha foi a segunda de um diretor da CIA, e não a primeira)
Por Dave Sherwood e Jonathan Landay
HAVANA/WASHINGTON, 14 Mai (Reuters) - O diretor da CIA, John Ratcliffe, entregou nesta quinta-feira uma mensagem do presidente norte-americano, Donald Trump, às principais autoridades cubanas em Havana, dizendo que os EUA 'se engajariam seriamente' em questões econômicas e de segurança 'somente se o país fizer mudanças fundamentais', disse uma autoridade da CIA à Reuters.
A viagem de Ratcliffe parece ser apenas a segunda visita de um diretor da CIA a Cuba desde a revolução de 1959 do ex-líder Fidel Castro, ressaltando um raro momento de contato de alto nível entre os dois países.
A autoridade da CIA, falando sob condição de anonimato, não entrou em detalhes sobre as mudanças específicas que Trump estava exigindo.
Ratcliffe chegou em meio a tensões crescentes entre Washington e Havana.
Trump aumentou a pressão sobre Cuba, impondo efetivamente um bloqueio de combustível na ilha, ameaçando com sanções os países que fornecem combustível, provocando quedas de energia e desferindo novos golpes na economia.
Protestos generalizados eclodiram em Havana na noite de quarta-feira, quando os apagões em partes da cidade se estenderam por 24 horas ou mais, ameaçando o abastecimento de alimentos e dificultando o sono de muitos moradores.
O ministro de Minas e Energia de Cuba disse que o país havia ficado sem diesel e óleo combustível, e que sua rede elétrica havia entrado em estado 'crítico'.
Cuba divulgou pela primeira vez a visita de Ratcliffe em um comunicado dizendo que ele conversou com seu colega cubano no Ministério do Interior em Havana. O comunicado não identificou as autoridades com as quais ele se reuniu.
'Ambas as partes... ressaltaram seu interesse em desenvolver a cooperação bilateral entre as agências de segurança no interesse da segurança de ambos os países, bem como da segurança regional e internacional', disse o comunicado.
Os representantes de Cuba disseram que a ilha não representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA, segundo o comunicado.
O comunicado foi emitido depois que um avião do governo dos EUA foi visto partindo do aeroporto internacional de Havana na tarde desta quinta-feira, de acordo com uma testemunha da Reuters.
A autoridade da CIA disse que os cubanos com quem Ratcliffe se encontrou incluíam Raúl “Raulito” Rodríguez Castro, o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e o chefe dos serviços de inteligência da ilha.
Ratcliffe transmitiu 'a mensagem de Trump de que os Estados Unidos estão preparados para se envolver seriamente em questões econômicas e de segurança, mas somente se Cuba fizer mudanças fundamentais', disse a autoridade.
As partes também discutiram 'cooperação de inteligência, estabilidade econômica e questões de segurança, tudo tendo como pano de fundo o fato de que Cuba não pode mais ser um porto seguro para adversários no Hemisfério Ocidental', acrescentou a autoridade.
A autoridade não identificou os adversários aos quais se referiu.
Ratcliffe procurou iniciar conversas substantivas sobre as medidas que Havana deve tomar para construir um relacionamento produtivo com Washington, disse a autoridade.
A autoridade comparou a oportunidade de colaboração com a Venezuela, onde a hostilidade foi substituída por uma tentativa de cooperação após uma operação militar dos EUA em janeiro que depôs o presidente Nicolás Maduro, que foi levado de avião para os EUA para enfrentar acusações de tráfico de drogas. Maduro se declarou inocente.
Reuters

