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Cigarros e bets irregulares serão alvo de operações contra facções criminosas, diz fonte

Cigarros e bets irregulares serão alvo de operações contra facções criminosas, diz fonte

Reuters

01/06/2026

Placeholder - loading - Pessoa joga bituca de cigarro em uma lixeira em São Paulo, 7 de março de 2017, REUTERS/Paulo Whitaker
Pessoa joga bituca de cigarro em uma lixeira em São Paulo, 7 de março de 2017, REUTERS/Paulo Whitaker

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 1 Jun (Reuters) - O governo está ​em fase final de preparação para deflagrar novas operações de combate ao crime organizado, que terão como alvo bets irregulares e o mercado ilegal de cigarros, que abastecem facções em uma cadeia financeira que inclui o uso de fintechs, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

A ação dará continuidade à estratégia de asfixiar financeiramente as organizações criminosas, plano que não será alterado após os Estados Unidos designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, disse essa autoridade, que pediu anonimato porque as discussões não são públicas.

“A qualquer momento essas operações podem ⁠acontecer”, disse ⁠a fonte, ressaltando não ser possível determinar ​exatamente quando ‌as ações serão deflagradas pela necessidade de interlocução com autoridades policiais, Ministério Público e Judiciário.

A avaliação no governo é que o uso pelo crime organizado do setor de combustíveis está “muito bem diagnosticado” após a operação Carbono Oculto, que teve relatórios encaminhados aos Estados Unidos ⁠com pedido de cooperação, afirmou a fonte.

Nas novas frentes, facções estariam atuando no contrabando ​e na venda irregular de cigarros, além de estarem infiltradas em bets irregulares que seguem ​operando mesmo após a regulamentação do setor no país. ‌Nos dois casos, segundo ​a fonte, ⁠instituições financeiras de menor porte são usadas para lavagem de dinheiro pelos criminosos.

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos anunciou a designação de PCC e CV como organizações terroristas internacionais a partir de ​5 de junho. O anúncio foi feito depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir em Washington com Trump e outras autoridades do país, tendo afirmado que pediu a classificação das duas facções como terroristas.

Essa autoridade afirmou que a maior preocupação setorial do governo é com as instituições ​financeiras, que seriam mais suscetíveis a sanções dos Estados Unidos nesse caso. Embora bancos de maior porte tenham políticas robustas de governança, o governo tem feito interlocução com essas instituições, que estão revisando suas políticas e fazendo contatos jurídicos para análise de riscos, afirmou.

De acordo com essa fonte, o governo também segue em negociação tarifária com os EUA, que têm demandado uma redução ampla de Imposto de Importação do lado brasileiro. Segundo ela, o governo rejeita essa ideia, que demandaria um corte de ​tarifa para todos os países, não só os EUA, abrindo o mercado brasileiro também para a China. ‌Ela defendeu a negociação com foco em ⁠áreas específicas.

Ao avaliar que há risco de uso político pelos Estados Unidos de instrumentos como as tarifas e as sanções relacionadas ao crime organizado, essa autoridade disse que o governo já analisa ⁠medidas de proteção à economia e a setores específicos caso ⁠sejam necessárias. Também está no radar um plano ⁠para contestação por vias ⁠diplomáticas, ​com acionamento de organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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