Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Como Abhijeet Dipke tornou-se a face do 1º protesto da Geração Z na Índia

Como Abhijeet Dipke tornou-se a face do 1º protesto da Geração Z na Índia

Reuters

25/07/2026

Placeholder - loading - Abhijeet Dipke, líder do Partido Cockroach Janta (CJP), reage a apoiadores em Nova Délhi. REUTERS/Anushree Fadnavis
Abhijeet Dipke, líder do Partido Cockroach Janta (CJP), reage a apoiadores em Nova Délhi. REUTERS/Anushree Fadnavis

Por Tora Agarwala

NOVA DELHI, 25 Jul (Reuters) - Foram apenas seis palavras publicadas na ​rede social X em um momento de frustração: “E se todas as baratas se unissem?”

Agora, seu autor, Abhijeet Dipke, de 30 anos, é o rosto do que pode ser considerado o maior protesto de rua da Índia contra o governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, desde que ele assumiu o cargo em 2014.

A publicação do estrategista de comunicação política, enviada em 16 de maio, foi inicialmente uma resposta espirituosa aos comentários do juiz da Suprema Corte Surya Kant, que, em um discurso, comparou os jovens desempregados da Índia a “baratas”.

Kant afirmou posteriormente que seus comentários foram mal interpretados.

Mas naquela altura, as palavras de Dipke já tinham se tornado virais.

Uma plataforma satírica chamada “Cockroach Janta Party” (CJP) surgiu, servindo de ponto de encontro para milhões de jovens indianos frustrados com o alto desemprego e os vazamentos de provas e que buscam maior prestação de contas do governo.

Na semana passada, dezenas de milhares de pessoas se reuniram em ⁠Nova Délhi exigindo a renúncia ⁠do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan, devido ao ​vazamento das ‌provas do vestibular de medicina, que afetou cerca de 2 milhões de estudantes em maio e foi associado a vários suicídios de estudantes. Pradhan renunciou neste sábado: uma grande vitória para os jovens manifestantes e uma das maiores derrotas de Modi.

Também foram registrados protestos em outras partes do país, incluindo o centro financeiro de Mumbai.

No centro de tudo isso está Dipke.

ORIGENS “MUITO HUMILDES”

Residente na cidade norte-americana de Boston até o ⁠início de junho, ele voltou de avião para a Índia para iniciar um protesto perto do observatório Jantar ​Mantar, no coração de Délhi.

Desde então, e especialmente depois que uma repressão policial aos manifestantes na segunda-feira provocou indignação pública, ele se tornou ​uma presença constante em uma plataforma elevada no local do protesto.

De barba e vestido ‌com camiseta e jeans, Dipke se ​dirige a ⁠multidões de centenas de pessoas, incentivando-as a permanecerem pacíficas enquanto mantêm a pressão sobre o governo.

Mesmo que o CJP tenha vários organizadores, Dipke se tornou seu rosto mais reconhecível, atraindo tanto admiração quanto críticas.

Dipke nasceu em Aurangabad, no estado de Maharashtra, no oeste da Índia, em uma família dalit, uma das comunidades ​historicamente mais desfavorecidas da Índia.

“Meu pai vem de uma origem muito humilde. Ele cresceu em extrema pobreza. Meu avô era apenas um agricultor”, disse Dipke à Reuters em maio.

Sua identidade dalit há muito molda sua trajetória política.

Quando chegou a Délhi em 6 de junho, Dipke ergueu no alto um exemplar de “Minha Autobiografia”, de B.R. Ambedkar, um defensor dos direitos dos dalits e principal arquiteto da constituição democrática da Índia, enquanto apoiadores e seguranças se aglomeravam ao ​seu redor.

Em 2020, Dipke passou a integrar a equipe de mídias sociais do Partido Aam Aadmi (AAP), onde, segundo ele, desenvolveu um estilo de comunicação política baseado em memes, humor e sátira.

Ele não está mais vinculado ao partido, embora o AAP e vários outros partidos da oposição indiana tenham apoiado o movimento.

Em 2023, Dipke mudou-se para os Estados Unidos para cursar um mestrado em relações públicas em Boston, mas continuou acompanhando de perto a política indiana.

DE REDES SOCIAIS A UM MOVIMENTO

Dipke diz que ainda está tentando assimilar sua notoriedade.

Uma das primeiras pessoas a dar visibilidade ao movimento foi o influenciador Meghnad S., de Délhi. Logo após a publicação de Dipke, ele e um amigo usaram ferramentas de IA para criar um site satírico anunciando a ​formação do Partido Cockroach Janta.

“Eu vi a página e achei muito engraçado”, disse Meghnad.

A conta no Instagram acumulou 22 milhões de seguidores em questão de dias, antes ‌de crescer ainda mais para 25 milhões recentemente.

“Foi assim que ⁠tudo aconteceu de forma orgânica”, disse Meghnad.

Mas, à medida que o movimento online crescia, os riscos também aumentavam.

Em entrevista à Reuters de Boston, em maio, Dipke disse:

“Este é um movimento para mudar o discurso político da Índia. A juventude indiana praticamente desapareceu do discurso político dominante.”

Apesar das ameaças ⁠a ele e à sua família, Dipke decidiu voltar à Índia. Ele afirmou que ficará pelo ⁠menos até que os estudantes obtenham justiça.

Desde 6 de junho, Dipke permanece ⁠no local do protesto, à medida ⁠que ​as manifestações ganham força, e pode ser visto com frequência pedindo aos manifestantes que mantenham o movimento pacífico, falando com a mídia ou tirando cochilos rápidos.

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.