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Copersucar prevê que 100% de suas usinas produzam biometano e vê demanda crescente

Copersucar prevê que 100% de suas usinas produzam biometano e vê demanda crescente

Reuters

13/05/2026

Placeholder - loading - Duto de biogás na Califórnia, EUA, em 2 de outubro de 2019. REUTERS/Mike Blake
Duto de biogás na Califórnia, EUA, em 2 de outubro de 2019. REUTERS/Mike Blake

Atualizada em  13/05/2026

Por Roberto Samora

SANTOS, 13 Mai (Reuters) - A Copersucar, líder global na comercialização de açúcar e ​etanol, projeta que todas as suas 42 usinas associadas estarão produzindo biometano em até dez anos, na medida em que espera um mercado enorme para o produto, que é mais barato e muito menos poluente do que os combustíveis fósseis, disse o presidente-executivo da Copersucar, Tomás Manzano, nesta quarta-feira.

Embora o interesse por biocombustíveis tenha crescido recentemente com a guerra no Irã, que fez os preços do petróleo e de seus derivados dispararem, a produção de energia renovável está na essência das empresas acionistas da Copersucar, que também produzem etanol e cogeram bioeletricidade. O biometano, feito a partir de resíduos das usinas de cana, é uma aposta mais recente da empresa.

A Copersucar apresentou nesta quarta-feira, em seu terminal em Santos, o BioRota, projeto logístico que já utiliza o biometano em parte dos caminhões contratados pela empresa para transportar açúcar até o porto, o principal polo exportador do Brasil, que domina o comércio internacional com mais de 50% dos embarques da commodity.

Nesse processo, no qual o biocombustível substitui o diesel nos caminhões, a economia ⁠de custos é de 20% a ⁠30%, disse Manzano, destacando que isso é relevante, considerando que ​40% do açúcar ‌transportado até Santos ainda chega por estradas --e o restante por ferrovias. Do total no modal rodoviário, 14% dos caminhões já utilizam o combustível renovável, garantindo menores custos para transportar produto.

Além de reduzir custos, o biometano diminui as emissões de gases de efeito estufa em até 90% em relação ao diesel, antes consumido por todos os caminhões contratados pela Copersucar.

'O nosso plano estratégico é num horizonte dos próximos dez anos ter produção de biometano em todas as usinas do ecossistema ⁠Copersucar... Temos mais alguns projetos em fase de concepção pelas usinas... Devemos ter ao longo do tempo seis a sete projetos ​por ano até completar todas', afirmou Manzano à Reuters, durante o evento.

A empresa, que conta hoje com produção do gás renovável em apenas duas usinas, 'agora ​mergulhou no mundo do biometano', disse o executivo.

Mas o conglomerado projeta que esse crescimento na implantação ‌das fábricas de biometano, que exigem investimentos ​de R$200 ⁠milhões a R$300 milhões por unidade, está relacionado também com as diversas aplicações do biometano, que vão além do uso no transporte rodoviário, podendo ser utilizado em caminhões nas lavouras, nas indústrias e na geração de energia.

'Nosso projeto não é só a aplicação na frota da Copersucar. A ideia é fornecer biometano para qualquer um que queira movimentar o seu ​produto', disse o CEO, lembrando que 65% das cargas do Brasil são transportadas por caminhões, que utilizam diesel. 'Então tem um potencial enorme.'

A Copersucar, que vendeu 15,6 milhões de toneladas de açúcar e de 19,1 bilhões de litros de etanol na safra 2024/25, citou estudo que aponta que a produção nacional de biometano deve mais do que triplicar até 2027, passando dos atuais 656 mil m³/dia para 2,3 milhões de m³/dia. Em dez anos, a empresa vê potencial de sua produção saltando para até 4 milhões de ​m³/dia, disse o executivo.

GARGALOS E INCENTIVOS

Mas o CEO da Copersucar destacou que o potencial é muito maior no futuro, sendo importante para ajudar o país a reduzir a sua dependência de importações de diesel --mais de 20% desse combustível fóssil consumido no Brasil é importado.

Enquanto isso, o biometano é um combustível gasoso produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos da cana-de-açúcar, como a vinhaça, no caso do projeto da empresa. Há outras origens também do biocombustível, como aterros sanitários.

O presidente da Copersucar citou ainda que, a despeito das vantagens de custos e ambientais, o avanço da produção de biometano deverá ser incentivado pelos mandatos obrigatórios previstos na lei do Combustível do Futuro, que começaram com 0,5% de mistura no gás natural de origem fóssil.

'O grande motor dos investimentos é o mandato do biometano', afirmou Manzano a jornalistas, após o evento.

Com ​isso, o combustível renovável poderá vencer alguns gargalos, como a escassez de pontos de abastecimento, à medida que os investimentos sejam realizados, disse o executivo.

Hoje, os caminhões utilizam o biometano ‌produzido em duas usinas da Cocal, uma das acionistas da Copersucar, situadas ⁠no interior de São Paulo. Os veículos têm autonomia de cerca de 600 km para levar o produto até o porto de Santos.

Com o BioRota, que já conta com mais de 70 caminhões a biometano, a Copersucar afirmou ter realizado entre abril de 2024 e março de 2026 mais de 13 mil viagens com caminhões ⁠utilizando biometano, percorrendo 11 milhões de km, transportando cerca de 600 mil toneladas de açúcar até o porto ⁠de Santos.

No período, a iniciativa evitou a emissão de mais de 8 mil toneladas ⁠de CO₂ ao substituir cerca de ⁠5 ​milhões de litros de diesel por biometano -- equivalente ao carbono capturado por 380 mil árvores em um ano, segundo a empresa.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima e Marta Nogueira)

Reuters

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