CORRIDA PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE TRANSFORMAR A ECONOMIA MUNDIAL
Projeção aponta que gastos globais com data centers podem atingir esse valor até 2050, enquanto especialistas avaliam se os ganhos econômicos acompanharão o tamanho da aposta
Bruna Valle
05/10/2026
A inteligência artificial já movimenta uma das maiores corridas tecnológicas da história, e a conta projetada para sustentar essa expansão impressiona. Segundo uma análise da Reuters baseada em projeções da PwC, os investimentos acumulados em data centers ao redor do mundo podem ultrapassar US$ 30 trilhões até 2050.
O valor dá uma dimensão da infraestrutura necessária para manter sistemas de inteligência artificial cada vez mais potentes. São centros de processamento, chips, redes e toda uma estrutura capaz de armazenar e processar a quantidade crescente de dados utilizada pelos modelos.
Mas existe uma segunda questão por trás desse número: a economia conseguirá produzir benefícios suficientes para justificar uma aposta desse tamanho?
Uma infraestrutura sem precedentes
A escala dos investimentos já diferencia a atual corrida pela IA de outros grandes ciclos tecnológicos.
A projeção da PwC indica que os gastos globais com data centers poderiam chegar a US$ 30 trilhões até 2050, valor próximo ao estoque atual de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A comparação ajuda a dimensionar o tamanho da transformação esperada para a infraestrutura digital.
Nos Estados Unidos, onde está concentrada uma parcela significativa dos investimentos globais em inteligência artificial, a conta também é expressiva. Um estudo citado pela Reuters estima que os investimentos no setor podem chegar a cerca de US$ 9 trilhões entre 2025 e 2032.
Empresas também fazem apostas gigantes
A corrida não está restrita aos investimentos em infraestrutura. As próprias empresas de inteligência artificial estão destinando valores bilionários para ampliar sua capacidade.
A Anthropic, por exemplo, prevê gastar US$ 518 bilhões nos próximos anos, segundo informações de seu prospecto de abertura de capital analisadas pela Reuters. O valor equivale a mais de cem vezes a receita registrada pela empresa em 2025.
A lógica por trás dessas apostas é que a IA pode gerar novos mercados, aumentar a produtividade e acelerar avanços em áreas que vão muito além dos atuais serviços digitais.

A expansão da inteligência artificial depende de uma infraestrutura cada vez maior
O retorno ainda é a grande incógnita
O tamanho dos investimentos, porém, não significa que os resultados econômicos aparecerão na mesma velocidade.
Uma análise da Bain & Company citada pela Reuters vai além: segundo o estudo, os ganhos obtidos apenas nos mercados atuais não seriam suficientes para sustentar todo o volume de investimentos previsto. Seria necessário o surgimento de novos mercados e aplicações capazes de gerar receitas adicionais.
Isso pode incluir desde robôs guiados por IA até novas aplicações em materiais, baterias e semicondutores.
Uma aposta que pode mudar muito mais do que a tecnologia
A expectativa é que a inteligência artificial transforme atividades que vão do trabalho de escritório à pesquisa científica. Alguns cenários estudados pela própria Anthropic projetam aumentos expressivos no crescimento econômico caso a tecnologia alcance níveis mais elevados de impacto.
Ao mesmo tempo, o tamanho da aposta cria riscos caso a demanda ou as receitas não acompanhem a expansão da infraestrutura. Grande parte desse investimento envolve financiamento e compromissos de longo prazo, o que torna o equilíbrio entre gasto e retorno especialmente importante.
Ainda assim, existe uma diferença importante entre uma eventual correção nos investimentos e o desaparecimento dos benefícios da tecnologia.
Foi assim com as ferrovias e também com a internet: os investimentos passaram por períodos de forte correção, mas as tecnologias continuaram transformando a economia.
No caso da inteligência artificial, portanto, a pergunta talvez não seja apenas quanto dinheiro será gasto até 2050, mas quanto dessa gigantesca infraestrutura conseguirá se transformar em novas ferramentas, negócios e ganhos de produtividade. A resposta pode definir uma das maiores mudanças econômicas das próximas décadas.


