Democratas questionam SEC sobre potencial conflito de interesse em negócio de criptomoedas de Trump
Publicada em
Por Lawrence Delevingne e Michelle Conlin e Tom Wilson e Tom Bergin
WASHINGTON (Reuters) - Dois importantes parlamentares democratas pediram nesta quarta-feira ao regulador de valores mobiliários dos EUA que preservasse registros relacionados ao empreendimento de criptomoedas do presidente Donald Trump, a World Liberty Financial, e fizeram perguntas sobre potenciais conflitos de interesse.
Em carta enviada ao presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (SEC, equivalente à CVM no Brasil), Mark Uyeda, vista pela Reuters, os parlamentares solicitaram informações para 'nos ajudar a entender melhor até que ponto o interesse financeiro da família Trump na World Liberty Financial pode estar influenciando suas atividades e as da Comissão'.
A senadora Elizabeth Warren, membro sênior do comitê bancário do Senado dos EUA, e a deputada Maxine Waters, membro sênior do comitê de serviços financeiros da Câmara, assinaram a carta, que citou uma reportagem da Reuters sobre o empreendimento de criptomoeda.
Os republicanos têm maioria tanto na Câmara quanto no Senado dos EUA, o que limita a capacidade dos democratas de convocar audiências públicas formais e conduzir investigações. A carta dos membros do Congresso à SEC não cita nenhuma autoridade legal que obrigaria a agência a cumprir as solicitações.
Um porta-voz da Casa Branca disse em uma declaração por e-mail que 'os ativos do presidente Trump estão em um fundo administrado por seus filhos. Não há conflitos de interesse.'
O Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, liderado por republicanos, considerou nesta quarta-feira uma legislação que regulamentaria a adoção mais ampla de stablecoins -- criptomoedas atreladas a outros ativos. O governo de Trump identificou a promoção de seu uso como uma prioridade legislativa.
A Reuters publicou uma matéria na segunda-feira documentando como, enquanto a World Liberty Financial arrecadava mais de meio bilhão de dólares nos últimos meses, a família de Trump assumiu o controle do empreendimento de criptomoedas e abocanhou a maior parte desses fundos.
No geral, a família Trump agora tem direito sobre 75% das receitas líquidas das vendas de tokens da World Liberty, além de 60% das operações assim que o negócio principal de “finanças descentralizadas” começar. O acordo significa que a família Trump tem atualmente direito a cerca de US$400 milhões em taxas, informou a Reuters.
LAÇOS SEM PRECEDENTES
A carta dos legisladores solicita que a SEC preserve e forneça cópias de quaisquer registros ou comunicações da Casa Branca para a comissão sobre a World Liberty, com uma lista de mais de meia dúzia de membros da família Trump e seus parceiros de negócios.
Ela questiona quais procedimentos podem estar em vigor para 'impedir que os laços financeiros sem precedentes da família Trump com a indústria de criptomoedas influenciem ou orientem as decisões da SEC'.
A Trump Organization anunciou em janeiro que os investimentos, ativos e interesses comerciais do presidente seriam mantidos em um fundo administrado por seus filhos e que ele não teria nenhum papel nas operações do dia a dia ou na tomada de decisões. O negócio da família também contratou um advogado para atuar como consultor de ética para 'evitar quaisquer conflitos de interesse percebidos'.
(Reportagem de Lawrence Delevingne em Boston, Michelle Conlin em Nova York, Tom Wilson e Tom Bergin em Londres)
Escrito por Reuters
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