DOIS LIVROS REVISITАМ HISTÓRIAS DO ROCK E REVELAM POR QUE ELAS CONTINUAM DESPERTANDO INTERESSE
Paul McCartney recupera a trajetória dos Wings em uma história repleta de depoimentos e fotografias, enquanto a permanência de Rumours, do Fleetwood Mac, é investigada
Bruna Valle
04/11/2026
A história de grandes bandas não termina quando os discos deixam de ser lançados ou os grupos encerram suas atividades. Algumas trajetórias continuam despertando curiosidade, influenciando novos artistas e conquistando ouvintes que nem sequer eram nascidos quando aquelas músicas chegaram às rádios.
É justamente esse interesse que aproxima duas publicações dedicadas a nomes importantes do rock. Paul McCartney revisita a história dos Wings, banda que criou depois do fim dos Beatles, enquanto o jornalista Alan Light investiga os motivos que mantêm Rumours, clássico do Fleetwood Mac, tão presente na cultura musical.
Embora tenham propostas diferentes, os livros oferecem novas perspectivas sobre artistas, gravações e acontecimentos que ajudaram a construir a música popular.

Obras exploram os bastidores e a influência que esses trabalhos exercem sobre o público
Paul McCartney conta a história dos Wings por meio de quem viveu a trajetória
Em Wings: The Story of a Band on the Run, Paul McCartney revisita a história do grupo que formou no início dos anos 1970, após a separação dos Beatles. A publicação foi organizada pelo historiador Ted Widmer e construída a partir de entrevistas com o próprio músico e diversas pessoas que participaram daquela fase.
Com mais de 500 mil palavras reunidas a partir de conversas e registros históricos, o livro acompanha a formação da banda, suas mudanças de integrantes, os desafios dos primeiros anos e a consolidação de uma carreira própria.
A narrativa passa por nove álbuns dos Wings e inclui relatos de nomes fundamentais para a história do grupo, como Linda McCartney e Denny Laine, além de outros músicos, familiares e colaboradores. O material também apresenta mais de 150 fotografias, muitas delas pouco conhecidas, além de documentos e registros pessoais.
A publicação percorre momentos importantes, desde os primeiros shows em apresentações universitárias até grandes turnês internacionais. Também recupera episódios curiosos e difíceis da trajetória, como o assalto sofrido pela banda durante uma passagem pela Nigéria.
Entre as músicas que ajudam a contar essa história estão sucessos como Band on the Run, Jet, My Love, Live and Let Die e Silly Love Songs.
A edição em brochura lançada neste ano acrescenta uma conversa entre McCartney e o cineasta Morgan Neville, responsável pelo documentário Man on the Run, que também aborda a fase dos Wings.
O que faz Rumours continuar relevante quase 50 anos depois?
O Fleetwood Mac é outro ponto de partida: Don’t Stop: Why We (Still) Love Fleetwood Mac’s Rumours, do jornalista Alan Light.
Em vez de se limitar a recontar a produção de um disco, o autor procura entender por que Rumours, lançado em 1977, continua atraindo ouvintes de diferentes idades e mantendo espaço nas conversas sobre música.
O álbum ficou conhecido tanto pelas canções quanto pelo contexto turbulento em que foi produzido. Naquele período, os relacionamentos entre integrantes da banda passavam por crises, separações e conflitos. Essas experiências pessoais acabaram atravessando as gravações e ajudaram a construir a carga emocional de suas músicas.
Light revisita esse cenário, mas amplia a investigação para além dos bastidores. O livro reúne conversas com fãs e artistas contemporâneos influenciados pelo Fleetwood Mac, buscando compreender como um trabalho lançado há tantas décadas continua encontrando novos públicos.
Canções como Dreams, Go Your Own Way e The Chain ajudam a explicar essa permanência. A combinação de melodias marcantes, harmonias vocais e letras sobre relacionamentos e conflitos pessoais mantém o álbum próximo de experiências que atravessam diferentes gerações.
A publicação também aborda como novas formas de circulação musical, incluindo redes sociais, séries e plataformas digitais, contribuíram para apresentar Rumours a pessoas que não acompanharam seu lançamento original.
Dois caminhos diferentes para revisitar a música
Os livros partem de perspectivas distintas. Enquanto a obra de McCartney reconstrói a história de uma banda a partir de depoimentos, fotografias e lembranças de seus participantes, Alan Light investiga a relação entre um álbum clássico e o público que continua descobrindo suas canções.
Em comum, as publicações mostram que o legado musical não depende apenas da nostalgia. As histórias por trás das gravações, as transformações culturais e a capacidade de uma música dialogar com novas gerações ajudam a manter esses trabalhos relevantes.
As duas obras também despertam o interesse de quem deseja conhecer melhor os bastidores do rock: seja acompanhando a reconstrução da carreira dos Wings depois dos Beatles, seja entendendo por que Rumours permanece como uma referência quase cinco décadas após seu lançamento.


