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Dólar fecha abaixo dos R$5,20 após decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

Dólar fecha abaixo dos R$5,20 após decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

Reuters

29/01/2026

Placeholder - loading - Notas de dólar 07/11/2016 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa
Notas de dólar 07/11/2016 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa

Atualizada em  29/01/2026

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 29 Jan (Reuters) - Em uma sessão de ⁠volatilidade alta, o dólar fechou a quinta-feira em queda ante o real, abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O dólar à vista fechou com recuo de 0,27%, aos R$5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio 2024.

Às 17h09, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,02% na B3, aos R$5,1965.

No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas de emergentes, como o real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países.

O movimento no Brasil ​ocorreu ainda que, na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) ⁠do Banco ⁠Central tenha indicado a intenção de começar a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%.

'Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros', disse o BC em comunicado. 'O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência ‌da inflação à meta.'

O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos ​atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ‌ainda assim o país seguirá atraente ​para ​operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.

Nos EUA, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve na tarde de quarta-feira, mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço ​para mais cortes.

Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.

Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil -- com destaque para a bolsa -- vem pesando sobre as cotações do dólar.

Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,1659 (-0,81%) às 11h45 desta quinta-feira, mas na sequência ganhou força até a máxima de R$5,2493 (+0,79%) às 12h18.

A escalada rápida do dólar ante o real esteve em sintonia com uma piora generalizada dos mercados globais após a abertura da bolsa de Nova York, onde os índices eram penalizados pelo mergulho das ações de tecnologia. Também penalizado por Wall Street, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%.

Durante a tarde o dólar voltou a perder força ante as divisas de emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$5,20 -- ainda que o Ibovespa seguisse pressionado.

Com o movimento desta ⁠quinta-feira, o dólar acumulou queda de 5,37% ante o real em 2026.

Ao avaliar a depreciação recente do dólar, o economista-chefe da Azimut ‌Brasil Wealth Management, Gino Olivares, lembrou que isso ⁠se deve principalmente a uma maior percepção de risco em relação aos Estados Unidos, e não à perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve.

“A natureza da depreciação do dólar é de perda de confiança nos Estados Unidos, mais do ‍que o processo cíclico de o Fed cortar juros. O que me leva a pensar que isso pode mudar, pode virar”, afirmou à Reuters.

No exterior, às 17h39 ​o ‌índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,04%, a 96,199.

Reuters

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