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Dólar passa a subir ante real com política no radar após Copom manter juros

Dólar passa a subir ante real com política no radar após Copom manter juros

Reuters

05/11/2026

Placeholder - loading - Maço de notas de dólares 9 de abril de 2025 REUTERS/Willy Kurniawan
Maço de notas de dólares 9 de abril de 2025 REUTERS/Willy Kurniawan

Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - Após operar com viés ​negativo a maior parte da manhã, o dólar passou a subir ante o real nesta quinta-feira, com os agentes monitorando o noticiário político ao mesmo tempo em que avaliam a decisão da véspera do Banco Central de manter a Selic em 13,75%.

Às 12h15, o dólar à vista subia 0,47%, a R$5,4765 na venda.

Os investidores seguem de olho nas sinalizações sobre os possíveis rumos da economia no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais cedo, Lula convocou uma reunião com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica, tendo entre os convidados auxiliares do governo, os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Ainda no noticiário ⁠político, Lula vai ⁠fazer um pronunciamento televisionado no domingo para reafirmar ​seu compromisso com ‌a disciplina orçamentária, mas sem fornecer detalhes sobre as políticas, afirmaram duas fontes com conhecimento direto do assunto.

O encontro do presidente com ministros e conselheiros econômicos acontece um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal, ⁠o que tem provocado turbulência nos mercados.

Prevendo inflação mais alta nos próximos anos, a autarquia ​deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para ​a política monetária.

O BC ressaltou que seguirá acompanhando a evolução do ‌cenário “para manter a restrição adequada” ​com o ⁠objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta. A decisão pela manutenção da taxa em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, foi definida de maneira unânime pela diretoria da autarquia.

Na leitura de analistas da XP, o ​Comitê sugere que 'uma interrupção no ciclo de calibração de juros agora é necessária para conter as pressões inflacionárias, mas ao mesmo tempo não vê necessidade de uma postura monetária ainda mais contracionista neste momento'.

Nesse contexto, a instituição financeira projeta que a Selic permanecerá em 13,75% até o final do próximo ano, 'em que pese a elevada incerteza global e local'.

Na ​manhã desta quinta, ao ser perguntado sobre a decisão do Copom, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não faria 'comentários valorativos' sobre ela, mas disse que a taxa de juros no Brasil é alta e que isso prejudica todos os setores da economia.

O ministro disse ainda que o governo Lula 4 deve se esforçar para dar os 'corretos estímulos' para uma redução da taxa de juros.

Além da decisão de juros, localmente, os agentes também avaliam dados econômicos. Mais cedo, foi divulgado que a produção industrial no Brasil teve queda de 0,8% em setembro em comparação com o mês anterior. A ​expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Esse foi o resultado mais fraco ‌para meses de setembro desde 2022.

No exterior, o dólar ⁠opera em leve alta, próximo da estabilidade, um dia após a forte queda impulsionada pelo resultado das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que mostraram uma vitória acachapante dos democratas, levando-os a retomar maiorias no ⁠Senado e na Câmara dos Deputados dos EUA.

O índice do dólar -- que mede ⁠o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta ⁠de seis divisas -- subia 0,10%, ⁠a ​101,570.

Na quarta-feira, o dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,64%, aos R$5,4511.

(Por Igor Sodré; Edição de Eduardo Simões)

Reuters

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