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ELLIE GOULDING PROCESSA EX-EMPRESÁRIOS

AÇÃO SOBRE ELOS COM A LIVE NATION COLOCA A TRANSPARÊNCIA DA INDÚSTRIA DE SHOWS SOB PRESSÃO

João Carlos

18/08/2026

Placeholder - loading - Créditos da imagem: AP Photo/Chris Pizzello)
Créditos da imagem: AP Photo/Chris Pizzello)

Segundo reportagem exclusiva da Variety, Ellie Goulding iniciou uma disputa judicial que pode ter repercussões muito além de sua própria carreira. A cantora britânica processa seus ex-empresários, Ben Mawson e Ed Millett, além da empresa que controla a TaP Management, por um suposto conflito de interesses relacionado à Live Nation.

A artista foi representada pela TaP entre 2018 e 2025. Segundo a ação apresentada no Reino Unido, Goulding não teria sido devidamente informada de que a empresa responsável por administrar sua carreira era controlada pela Live Nation, uma das maiores promotoras de shows e turnês do mundo.

A Live Nation não aparece como ré no processo. Ainda assim, a ligação entre as empresas está no centro da turbulência.

O conflito apontado por Ellie Goulding

Goulding afirma que seus empresários tinham o dever de buscar os melhores contratos disponíveis para sua carreira. Ao mesmo tempo, porém, eles trabalhavam para uma empresa pertencente ao grupo interessado em promover seus shows, administrar produtos oficiais e participar de outros projetos.

Durante esse período, a cantora fechou diferentes negócios com companhias ligadas à Live Nation. Seus empresários também recebiam uma comissão de 20% sobre os rendimentos da artista.

O processo questiona se essa estrutura comprometeu a independência das negociações. Em outras palavras, Goulding quer saber se recebeu uma avaliação realmente imparcial das propostas disponíveis ou se foi direcionada para empresas do mesmo grupo econômico.

A artista pede indenização por suposta quebra do dever fiduciário, obrigação que determina que empresários coloquem os interesses de seus clientes acima dos próprios. O valor solicitado não foi divulgado, e as alegações ainda serão analisadas pela Justiça.

Por que a indústria de shows acompanha o caso

A disputa chama atenção porque atinge uma relação baseada quase inteiramente em confiança. Artistas dependem de seus empresários para comparar propostas, negociar cachês, organizar turnês e explicar os riscos de cada contrato.

Caso a Justiça conclua que uma ligação societária tão importante deveria ter sido revelada com maior clareza, outras empresas poderão ser pressionadas a informar suas participações, parcerias e interesses financeiros antes de recomendar negócios aos clientes.

O processo também surge em um momento de forte escrutínio sobre a Live Nation nos Estados Unidos. A companhia e sua subsidiária Ticketmaster enfrentam ações relacionadas à concentração de mercado, contratos de exclusividade e práticas consideradas prejudiciais à concorrência.

Os casos são juridicamente diferentes. A ação de Goulding trata da relação entre uma artista e seus antigos representantes. Mesmo assim, ambos levantam dúvidas sobre o poder acumulado por empresas que participam de várias etapas de uma mesma turnê.

Outros artistas permanecem em silêncio

Até o momento, nenhum outro artista ligado à TaP Management se manifestou publicamente sobre o processo. O catálogo da empresa inclui nomes como Lana Del Rey, Dermot Kennedy, Duffy, London Grammar e Loreen.

A saída de Dua Lipa da agência, ocorrida em 2022, também não foi associada pela cantora ao conflito agora apontado por Goulding.

A questão central permanece aberta: quando empresários possuem vínculos financeiros com uma empresa interessada nos contratos de seus clientes, até onde vai sua independência?

A resposta poderá redefinir o nível de transparência exigido nos bastidores das grandes turnês internacionais.

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