Equador diz que afundamento de embarcações pelos EUA fazia parte de investigação conjunta contra tráfico de drogas
Equador diz que afundamento de embarcações pelos EUA fazia parte de investigação conjunta contra tráfico de drogas
Reuters
04/09/2026
QUITO, 4 Set (Reuters) - O Equador defendeu nesta sexta-feira as operações dos EUA que interceptaram e afundaram três embarcações equatorianas nesta semana, enquanto parentes de alguns tripulantes afirmaram que os homens eram pescadores e acusaram Washington de agir sem provas.
O episódio é o mais recente de uma campanha cada vez mais ampla dos EUA contra o tráfico marítimo de drogas no Pacífico oriental, que tem gerado críticas de grupos de direitos humanos e preocupação na América Latina quanto ao uso de força letal no mar.
Os familiares contestaram a versão oficial. A esposa de um tripulante, que se identificou como Rosalba, de 47 anos, sem revelar o sobrenome, disse por telefone que os homens estavam pescando quando foram abordados e que nenhuma droga foi encontrada.
“Não entendo por que o governo dos EUA tem que agir de forma tão arbitrária”, disse ela, acusando-o de violar os direitos humanos dos pescadores.
Ela afirmou que a embarcação transportava apenas peixes e alegou que foi atingida em águas equatorianas, e não internacionais. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a versão dela.
O governo do Equador afirmou que a operação foi resultado de investigações conjuntas com Washington, visando a logística do contrabando de drogas ligada a gangues criminosas.
“Este é um trabalho realizado por meio da cooperação internacional”, disse o ministro do Interior, John Reimberg, à emissora Teleamazonas, acrescentando que as embarcações serviam como pontos flutuantes de reabastecimento que ajudavam lanchas a transportar drogas para o norte, em direção ao México e aos Estados Unidos.
O Comando Sul dos EUA afirmou que as embarcações afundadas nesta semana estavam sendo usadas como postos de reabastecimento para o tráfico de drogas e disse que elas estavam ligadas à gangue Los Choneros. Um vídeo divulgado pelos militares mostrou imagens em preto e branco de agentes se aproximando e abordando uma embarcação antes de ela ser explodida no mar. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a data e o local das imagens.
A Marinha do Equador informou que 28 tripulantes de duas embarcações — nove do Conquista 2 e 19 do OM2 — chegaram a Manta às 15h (horário local), a bordo de uma embarcação da guarda costeira. Outros oito tripulantes do Conquista 2 ainda estavam retornando ao porto a bordo de outra embarcação.
Reuters

