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Espanha se recusa a discutir soberania dos enclaves com Marrocos

Espanha se recusa a discutir soberania dos enclaves com Marrocos

Reuters

12/08/2026

Placeholder - loading - Membro das forças de segurança espanholas monta guarda enquanto imigrante menor de idade, proveniente do Marrocos, caminha na água após cruzar para Ceuta pelo mar 1º de agosto de 2026. REUTERS/Violeta
Membro das forças de segurança espanholas monta guarda enquanto imigrante menor de idade, proveniente do Marrocos, caminha na água após cruzar para Ceuta pelo mar 1º de agosto de 2026. REUTERS/Violeta

MADRID, 12 Ago (Reuters) - O status dos enclaves ​norte-africanos de Ceuta e Melilla como territórios espanhóis não está em discussão, afirmaram autoridades espanholas nesta quarta-feira, depois que o ministro da Justiça de Marrocos reiterou as reivindicações de soberania de Rabat sobre as cidades.

As declarações feitas na terça-feira por Abdellatif Ouahbi à emissora Asharq TV marcaram a primeira vez que Rabat levantou publicamente a questão controversa desde a crise na fronteira de Ceuta no final de julho, durante a qual cerca de 72 mil imigrantes cruzaram brevemente para o enclave. Pelo menos 96 pessoas morreram ⁠na corrida ⁠em massa pela fronteira.

Ouahbi afirmou que ​seu país ‌sempre levantou a questão do status das cidades nas negociações com a Espanha, com o objetivo de longo prazo de alcançar uma solução por meio do diálogo.

Desde sua independência em 1956, Marrocos considera Ceuta e Melilla como ⁠territórios ocupados pela Espanha, argumentando que a soberania sobre elas deve, em ​última instância, ser transferida para Rabat. Madri as considera partes integrantes de seu ​território desde os Séculos 17 e 15, respectivamente.

“Ceuta ‌e Melilla não são ​apenas espanholas; ⁠são super-espanholas e intocáveis”, afirmou a ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, a repórteres em Ceuta, quando questionada sobre os comentários de Ouahbi.

“Qualquer ataque a Ceuta e Melilla ​é um ataque à Espanha como um todo. Isso nunca mais deve acontecer”, acrescentou ela, referindo-se à crise na fronteira.

O governo espanhol elogiou amplamente as autoridades marroquinas por sua cooperação no repatriamento dos imigrantes, atribuindo a crise às máfias de contrabando ​de pessoas.

Em comunicado separado, o Ministério das Relações Exteriores da Espanha afirmou que a integridade territorial do país “não foi, nem jamais será, discutida com ninguém”.

Por outro lado, o Ministério do Interior de Marrocos informou nesta quarta-feira que reforçou a segurança nas proximidades das fronteiras com Ceuta e Melilla devido a chamadas online para uma nova tentativa de travessia em massa no dia 15 de agosto, alertando que processaria os organizadores e ​participantes.

“O ministério apela a todos para que permaneçam vigilantes e responsáveis e não se deixem ‌levar por tais apelos suspeitos e ⁠enganosos, dados os riscos que podem representar para a vida das pessoas”, afirmou em comunicado, instando também a Espanha a acelerar o retorno de menores marroquinos desacompanhados ⁠em Ceuta.

Na semana passada, a ministra da Juventude da ⁠Espanha, Sira Rego, disse que Madri avaliaria ⁠a oferta de ⁠Marrocos ​de repatriar as crianças caso a caso.

(Reportagem de David Latona e Joan Faus, na Espanha)

Reuters

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