ESPECIAL: COMO SE PREVENIR CONTRA OS MICROPLÁSTICOS?
PESQUISAS REVELARAM A PRESENÇA DESSAS PARTÍCULAS INVISÍVEIS EM ALIMENTOS CONSUMIDOS DIARIAMENTE
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Pesquisas recentes vêm comprovando que microplásticos já fazem parte da cadeia alimentar — da água potável ao sal de cozinha, passando por frutos do mar, vegetais e até produtos industrializados. A exposição constante a essas partículas invisíveis tem despertado sérias preocupações entre cientistas e médicos.

Durante a Sessão Científica Anual do American College of Cardiology, realizada em março de 2025, pesquisadores apontaram possíveis associações entre a ingestão de microplásticos e o aumento de doenças crônicas, como:
- Hipertensão
- Diabetes tipo 2
- Acidentes vasculares cerebrais (AVCs)
Embora a ligação direta ainda esteja sendo investigada, o acúmulo progressivo dessas partículas no organismo humano levanta alertas importantes sobre riscos de longo prazo à saúde pública.
O que os especialistas recomendam?
Frente ao cenário preocupante, especialistas recomendam atitudes simples que podem reduzir a exposição aos microplásticos através da alimentação:
- Evite plásticos de uso único, especialmente ao aquecer alimentos.
- Dê preferência a alimentos frescos e minimamente processados.
- Reduza o consumo de frutos do mar provenientes de áreas poluídas.
- Utilize filtros de água com eficiência comprovada contra partículas microscópicas.
- Armazene alimentos em recipientes de vidro, cerâmica ou inox.
Essas orientações não eliminam completamente o risco, mas contribuem para minimizar a exposição acumulada ao longo do tempo.

Microplásticos na saliva: o exemplo dos chicletes
Um estudo apresentado pela American Chemical Society identificou que mastigar chicletes pode liberar centenas de microplásticos na saliva. Mesmo versões ditas “naturais” apresentaram partículas microscópicas, como PET, poliestireno e poliolefinas.
Esse exemplo destaca a presença dos microplásticos em hábitos cotidianos e produtos aparentemente inofensivos, o que reforça a importância de escolhas mais conscientes no consumo diário.
Ausência de posicionamento das empresas
Apesar do impacto das descobertas, até 4 de abril de 2025, nenhuma empresa dos setores alimentício ou de chicletes divulgou declarações oficiais sobre os estudos citados.
Fabricantes de alimentos processados, proteínas animais e alternativas vegetais não se manifestaram quanto à presença de microplásticos em seus produtos.
Da mesma forma, nenhuma marca de chicletes comentou publicamente os dados que indicam a liberação de microplásticos durante a mastigação.
Essa falta de posicionamento tem sido observada com atenção por organizações de defesa do consumidor, que cobram transparência, rastreabilidade e práticas mais seguras da indústria alimentícia diante do avanço científico.

Microplásticos no Meio Ambiente: Um Desafio Global que Afeta Solos, Ar e Vida Selvagem
Além da alimentação, os microplásticos também estão profundamente inseridos nos ecossistemas terrestres e aquáticos. Estudos recentes demonstram que essas partículas estão contaminando desde os campos agrícolas até os órgãos internos de aves e peixes — com efeitos ainda não totalmente compreendidos, mas amplamente preocupantes.
Microplásticos em solos agrícolas e na produção de alimentos
Um relatório do distrito de Mbale, em Uganda, reforça uma tendência global: o acúmulo de microplásticos nos solos, especialmente agrícolas. Isso ocorre em grande parte devido ao uso contínuo de sacolas plásticas, estufas revestidas por filme plástico e embalagens descartadas incorretamente.
Esse tipo de contaminação afeta diretamente:
A fertilidade do solo
A absorção de água e nutrientes pelas plantas
A entrada dos microplásticos na cadeia alimentar vegetal
Microplásticos nos pulmões de aves
Outro estudo publicado em março de 2025 revelou que microplásticos foram encontrados nos pulmões de 51 espécies de aves, abatidas nas imediações do Aeroporto Internacional de Chengdu Tianfu, na China.
Os dados revelaram:
- Média de 416 partículas por grama de tecido pulmonar
- Aves terrestres apresentaram maior acúmulo do que aquáticas
- As partículas eram compostas por polímeros amplamente usados na indústria (como poliestireno e polietileno)
Essa descoberta é a primeira evidência científica da presença de microplásticos em tecidos pulmonares de aves selvagens, apontando para um impacto direto da poluição plástica na respiração e na saúde animal.
Soluções e Iniciativas Contra os Microplásticos
Apesar do cenário desafiador, diversas iniciativas tecnológicas e sustentáveis têm emergido para combater ou reduzir a presença de microplásticos no meio ambiente e na rotina humana.
Avanços tecnológicos para detecção e monitoramento
Pesquisadores australianos desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de identificar e mapear a contaminação por microplásticos em amostras de água oceânica com extrema precisão. A tecnologia consegue diferenciar compostos sintéticos de outras partículas naturais em segundos — uma revolução para estudos ambientais e políticas públicas de combate à poluição marinha.

Materiais biodegradáveis e substituição de plásticos
Empresas e startups vêm desenvolvendo alternativas biodegradáveis para embalagens e utensílios plásticos:
- Notpla (Reino Unido): produz embalagens comestíveis feitas de algas.
- Amazon (Espanha): testa sacos de entrega biodegradáveis à base de amido de milho e óleos vegetais.
Essas soluções podem substituir embalagens de uso único, reduzindo drasticamente o descarte plástico e a formação de microplásticos por fragmentação.
Soluções clínicas para o corpo humano?
Em Londres, a startup Clarify Clinics começou a oferecer um tratamento experimental para "limpar o sangue de microplásticos". O método consiste em:
- Coleta do sangue do paciente
- Filtragem do plasma para remover microcontaminantes
- Reinfusão do plasma limpo no organismo
Apesar de relatos positivos dos pacientes (como aumento de energia e melhora no sono), não há comprovação científica sólida sobre a eficácia da técnica, e especialistas alertam para os riscos e limites desse tipo de abordagem.

Caminhos para a Ação: O Que Podemos Fazer?
Diante da onipresença dos microplásticos e seus impactos, o caminho mais eficaz ainda está na prevenção e na conscientização:
- Evite o uso desnecessário de plásticos no cotidiano
- Exija transparência de marcas alimentícias sobre embalagens e testes
- Apoie políticas públicas e projetos de pesquisa
- Eduque e compartilhe informações confiáveis
A mudança começa com pequenos passos — que, somados, podem fazer uma enorme diferença para a saúde do planeta e a nossa própria.
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