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ESTUDO APONTA CAMINHO PARA PROTEGER O INTESTINO DE PESSOAS COM DOENÇA CELÍACA

Medicamento experimental reduziu lesões intestinais e sintomas em teste com 32 participantes, mas ainda precisa passar por novas etapas de avaliação

Bruna Valle

15/10/2026

Placeholder - loading - Tratamento em fase inicial apresenta resultados promissores na redução dos efeitos do glúten em pessoas com doença celíaca
Tratamento em fase inicial apresenta resultados promissores na redução dos efeitos do glúten em pessoas com doença celíaca

Para quem tem doença celíaca, evitar o glúten é uma necessidade diária. Mesmo pequenas quantidades da proteína, presente no trigo, na cevada e no centeio, podem provocar uma reação do sistema imunológico e lesionar o intestino. Um medicamento experimental chamado ANB033 apresentou resultados promissores ao ajudar a reduzir esses efeitos em um estudo inicial com pacientes.

Desenvolvido pela empresa First Tracks Biotherapeutics, o tratamento foi avaliado em uma pesquisa com 32 pessoas diagnosticadas com doença celíaca. Os participantes seguiam uma dieta sem glúten, mas ainda apresentavam sinais de lesões intestinais. Após receberem o medicamento, tiveram menos danos no tecido intestinal e menos sintomas durante uma exposição controlada à proteína.

A doença celíaca provoca uma reação imunológica que pode danificar o intestino após o consumo de glúten

Como o medicamento foi testado

Os voluntários receberam três aplicações do ANB033 ou de um placebo, substância sem o princípio ativo do tratamento. Depois, passaram por um período de duas semanas em que consumiram diariamente seis gramas de glúten, quantidade aproximada à encontrada em duas fatias de pão.

Ao final dessa etapa, novas biópsias permitiram comparar as condições do intestino antes e depois do teste. Os pesquisadores observaram uma proteção significativamente maior contra as lesões entre os participantes que receberam o medicamento. O grupo tratado também apresentou menos sintomas ao longo do período de exposição.

Outro dado chamou a atenção: entre os pacientes que receberam o ANB033, 6% precisaram de medicamentos adicionais para aliviar sintomas gastrointestinais. No grupo que recebeu placebo, o índice foi de 47%. Os números sugerem um possível benefício, embora a amostra ainda seja pequena para conclusões definitivas.

A estratégia é interferir na resposta imunológica

O ANB033 foi desenvolvido para bloquear a sinalização de duas proteínas do sistema imunológico, chamadas IL-15 e IL-2. Elas participam de processos inflamatórios relacionados à doença celíaca e podem contribuir para os danos provocados no intestino.

A proposta é agir sobre mecanismos envolvidos na reação ao glúten, em vez de depender apenas do controle alimentar para evitar a exposição. Isso pode ser relevante porque, mesmo com cuidados rigorosos, o contato acidental com a proteína nem sempre é fácil de impedir.

Por que os resultados ainda exigem cautela

Apesar dos dados positivos, o estudo está em fase inicial e envolveu apenas 32 participantes na etapa de exposição ao glúten. Os resultados precisam ser confirmados em pesquisas maiores, que também deverão esclarecer melhor a segurança do tratamento e a duração de seus possíveis benefícios.

Os pesquisadores ainda avaliam outro grupo de pacientes para investigar a evolução da recuperação intestinal e dos sintomas ao longo de 12 semanas. Os primeiros resultados dessa etapa são esperados para 2027.

Por enquanto, o ANB033 não é uma opção disponível para uso clínico. A dieta rigorosamente sem glúten continua sendo a principal forma de controlar a doença celíaca. Se os próximos estudos confirmarem os resultados, o medicamento poderá contribuir para ampliar as alternativas de tratamento e reduzir os efeitos de exposições acidentais ao glúten.

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