ESTUDO APONTA QUE CAFÉ PODE AJUDAR A REDUZIR RISCO DE DEMÊNCIA
Pesquisa acompanhou mais de 131 mil pessoas e observou benefícios ligados ao consumo moderado da bebida
Bruna Valle
14/05/2026
Um novo estudo voltou a reforçar a possível relação entre o consumo moderado de café e a proteção da saúde cerebral ao longo do envelhecimento.
A pesquisa, publicada na revista científica JAMA Network, indicou que pessoas que consomem café com cafeína regularmente podem apresentar menor risco de desenvolver demência e declínio cognitivo.
O trabalho analisou dados de 131.821 participantes acompanhados durante um período de até 43 anos em dois grandes estudos realizados nos Estados Unidos: o Nurses’ Health Study, voltado para mulheres, e o Health Professionals Follow-Up Study, com homens.
Durante o acompanhamento, 11.033 participantes desenvolveram algum tipo de demência.
Consumo moderado apresentou melhores resultados
Segundo os pesquisadores, os benefícios apareceram principalmente entre pessoas que consumiam quantidades moderadas de cafeína diariamente.
A análise apontou que a ingestão entre 250 mg e 300 mg de cafeína por dia, o equivalente aproximado de duas a três xícaras de café, esteve associada a uma redução de até 35% no risco de demência em adultos com até 75 anos.
Os cientistas também observaram menor incidência de declínio cognitivo subjetivo entre consumidores frequentes da bebida.
Entre aqueles com maior consumo de café com cafeína, 7,8% relataram piora cognitiva, enquanto entre pessoas que consumiam pouco ou nenhum café o índice chegou a 9,5%.
Além disso, participantes que consumiam maiores quantidades de café com cafeína apresentaram 18% menos risco de desenvolver demência em comparação aos grupos com baixo consumo da bebida.
Café descafeinado não apresentou o mesmo efeito
Outro ponto importante observado pelos pesquisadores foi a diferença entre o café tradicional e o descafeinado.
Segundo os resultados, apenas o café com cafeína demonstrou associação significativa com menor risco de demência.
O café descafeinado não apresentou os mesmos efeitos protetores observados durante a pesquisa.
Os cientistas também analisaram o consumo de chá e identificaram resultados positivos.
Pessoas que consumiam entre uma e duas xícaras de chá por dia também apresentaram associação com menor risco de demência ao longo do envelhecimento.
Consumo moderado de café apareceu associado à preservação da saúde cognitiva
Como a cafeína pode atuar no cérebro?
Os pesquisadores levantam algumas hipóteses para explicar os possíveis benefícios da cafeína na saúde cerebral.
Uma delas envolve o bloqueio da adenosina, substância que reduz a atividade de neurotransmissores importantes para funções como memória, atenção e aprendizado.
Ao bloquear essa ação, a cafeína ajudaria a manter maior atividade cerebral ligada à dopamina e à acetilcolina, neurotransmissores fundamentais para o funcionamento cognitivo.
Além disso, café e chá também possuem compostos bioativos, como os polifenóis, conhecidos pelas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Esses compostos podem contribuir para a proteção dos vasos sanguíneos e das células cerebrais contra danos associados ao envelhecimento.
Pesquisadores alertam para consumo moderado
Apesar dos resultados positivos, os cientistas reforçam que o estudo não recomenda exageros no consumo de cafeína.
Segundo a análise, os maiores benefícios apareceram justamente em níveis moderados de ingestão.
Acima desse volume, os efeitos protetores não demonstraram aumento significativo.
Especialistas também lembram que o excesso de cafeína pode provocar efeitos indesejados em algumas pessoas, como ansiedade, alterações no sono, aumento da frequência cardíaca e desconfortos gastrointestinais.
Estudo mostra associação, não prova definitiva
Os autores destacam ainda que a pesquisa é observacional.
Isso significa que o estudo identificou uma associação entre o consumo moderado de café e menor risco de demência, mas não comprova que a bebida, sozinha, seja responsável por prevenir a doença.
Outros fatores ligados ao estilo de vida, alimentação, exercícios físicos, sono e saúde cardiovascular também influenciam diretamente o envelhecimento cerebral.
Demência preocupa especialistas no mundo todo
A demência é uma condição que compromete memória, raciocínio, linguagem e outras funções cognitivas, afetando progressivamente a autonomia das pessoas.
O Alzheimer é a forma mais comum da doença e representa grande parte dos casos diagnosticados em idosos.
Com o envelhecimento da população mundial, especialistas consideram cada vez mais importante identificar hábitos que possam contribuir para a preservação da saúde cerebral ao longo da vida.
Nesse cenário, hábitos cotidianos como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e estímulo cognitivo continuam aparecendo entre os principais fatores associados ao envelhecimento saudável.


