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EUA tentaram enviar representantes ao Brasil para questionar sistema eleitoral, dizem fontes

EUA tentaram enviar representantes ao Brasil para questionar sistema eleitoral, dizem fontes

Reuters

25/07/2026

Placeholder - loading - Guardas seguram bandeiras dos EUA e do Brasil na Casa Branca 10 de fevereiro de 2023 REUTERS/Evelyn Hockstein
Guardas seguram bandeiras dos EUA e do Brasil na Casa Branca 10 de fevereiro de 2023 REUTERS/Evelyn Hockstein

Atualizada em  25/07/2026

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 25 Jul (Reuters) - O Brasil recusou pedidos de ​visto para dois funcionários do governo Trump que planejavam viajar ao país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, disseram à Reuters duas autoridades brasileiras a par do assunto.

As autoridades, que falaram sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, afirmaram, neste sábado, que o plano dos Estados Unidos representava uma tentativa de influenciar a eleição presidencial de outubro, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado de Trump.

O Brasil negou na sexta-feira o pedido de vistos à delegação dos EUA, que incluiria o secretário adjunto Riley M. Barnes, do Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e também Samuel Samson, um subsecretário adjunto, disseram as autoridades brasileiras.

A negativa baseou-se em 'evidências que apontam para ⁠uma nova tentativa de ⁠explorar politicamente a situação e minar o sistema ​eleitoral', disse uma ‌das autoridades.

O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também não respondeu a um pedido de comentário neste sábado.

O plano dos EUA foi divulgado inicialmente pelo Washington Post e posteriormente confirmado pela Reuters.

A suposta tentativa de interferir nas eleições brasileiras ocorre em um momento ⁠em que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, busca influenciar as disputas políticas em toda ​a América Latina. Seu recente 'apoio total e irrestrito' ao presidente eleito da Colômbia, Abelardo De La Espriella, seguiu-se ao ​apoio a líderes como Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, ‌no Chile.

NOVA TENTATIVA DE DESACREDITAR ​AS ELEIÇÕES

O ⁠ex-presidente Bolsonaro buscou repetidamente minar a confiança no sistema eleitoral brasileiro antes das eleições de 2022, repetindo táticas utilizadas por Trump nos Estados Unidos.

Na época, o diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), durante o governo do então presidente Joe Biden, disse ao ​governo Bolsonaro que parasse de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Ainda assim, nos meses que antecederam a votação de 2022, que Lula acabou vencendo, Bolsonaro convocou diplomatas estrangeiros para apresentar alegações infundadas de que o sistema de votação eletrônica do Brasil era vulnerável a fraudes.

No entanto, sua campanha teve um efeito contrário. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu posteriormente que Bolsonaro havia abusado ​de sua posição e o proibiu de concorrer a cargos públicos até 2030.

Bolsonaro foi posteriormente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral. Ele está cumprindo a pena em prisão domiciliar.

Flávio Bolsonaro, encarregado de dar continuidade ao legado de seu pai, reacendeu na semana passada as dúvidas sobre o sistema eleitoral do país, como parte de uma campanha liderada por políticos de direita que vêm se espalhando pelas redes sociais.

Em um evento que contou com a presença de dezenas de diplomatas na semana passada, o senador instou governos estrangeiros a enviarem observadores para monitorar as eleições no Brasil.

No ​mesmo evento, o senador afirmou que as urnas eletrônicas do Brasil foram produzidas pela Smartmatic, empresa que as autoridades norte-americanas associaram a ‌alegações de manipulação eleitoral na Venezuela.

Tanto a Smartmatic quanto ⁠o TSE informaram à Reuters que a empresa não forneceu urnas eletrônicas ao Brasil.

O senador afirmou no evento e em um comunicado que não havia questionado 'a integridade do sistema eleitoral brasileiro'.

Fontes do governo brasileiro veem essa nova investida como uma ⁠preparação para se questionar novamente o resultado das eleições no caso de uma derrota ⁠de Flávio Bolsonaro, dessa vez com apoio dos Estados Unidos. “Se ⁠constrói desde então uma narrativa ⁠para ​ter uma base para esse questionamento”, disse uma das fontes.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu em Brasília; Jonathan Landay contribuiu com informações de Washington)

Reuters

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