FERRARI LUCE APOSTA EM COMANDOS FÍSICOS PARA REDEFINIR A EXPERIÊNCIA AO VOLANTE
Primeiro modelo totalmente elétrico da marca segue na direção oposta à tendência de transformar o painel em uma grande tela
Bruna Valle
09/10/2026
A Ferrari decidiu fazer diferente justamente em um momento em que a indústria automotiva parece caminhar para o mesmo lugar: cada vez mais telas dentro do carro. A Luce, primeiro modelo totalmente elétrico da marca italiana, foi desenvolvida com participação de Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e coloca os comandos físicos no centro da experiência.
A escolha não é apenas estética. Para Ive, o excesso de interfaces digitais pode criar uma distância entre motorista e automóvel. Por isso, a equipe trabalhou para que funções importantes pudessem ser acionadas pelo toque, sem exigir que o condutor desvie constantemente a atenção para uma tela.
Uma Ferrari elétrica que não segue a receita das telas
A Luce ainda utiliza recursos digitais, mas eles não dominam o interior. O painel combina mostradores digitais com elementos físicos, enquanto funções como climatização contam com interruptores e controles que podem ser identificados pelo tato.
A tela central também está presente, mas foi pensada como parte de um conjunto maior, e não como a principal porta de entrada para todos os comandos. A proposta é preservar uma relação mais direta entre as mãos do motorista e os instrumentos do carro.
Essa abordagem é especialmente curiosa porque Jony Ive ajudou a definir a estética de alguns dos produtos mais importantes da Apple, empresa que transformou a tela sensível ao toque em uma das principais formas de interação com a tecnologia.
Na Ferrari, porém, o designer adotou uma lógica diferente: dentro de um carro, acredita que determinados comandos funcionam melhor quando podem ser acionados sem precisar olhar para eles.
A conversa que colocou a eletrificação no radar
A história da Luce começou antes mesmo de existirem os primeiros desenhos do carro. Segundo John Elkann, presidente da Ferrari, a ideia de levar a marca para o universo dos veículos elétricos ganhou força depois de uma conversa com Jeff Bezos, em 2016.
Durante uma caminhada, o fundador da Amazon teria incentivado Elkann a pensar seriamente em um carro elétrico. Bezos admitiu que não entendia de automóveis, mas disse conhecer inovação e considerava importante que a Ferrari estudasse a eletrificação. A conversa acabou se tornando um dos pontos de partida para o projeto.
Cinco anos para chegar a uma nova ideia de Ferrari
Quando Jony Ive e o estúdio LoveFrom entraram no projeto, o trabalho começou muito antes de qualquer preocupação com aparência. A equipe passou cerca de um ano estudando a história e a cultura da Ferrari antes de avançar para o desenvolvimento do veículo.
Depois, profissionais da LoveFrom, na Califórnia, e da Ferrari, em Maranello, trabalharam juntos durante cinco anos. A intenção era encontrar uma maneira de levar a identidade da marca para uma realidade em que o tradicional motor a combustão deixou de ser o centro da experiência.
A Luce, apresentada em 2026, acabou se tornando justamente esse exercício: uma Ferrari que entra em uma nova fase tecnológica sem abandonar a importância da interação física entre carro e motorista.


