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FESTIVAIS ENFRENTAM O DESAFIO DO LIXO

IMAGENS DO READING REACENDEM DEBATE SOBRE PLÁSTICOS E RESÍDUOS EM GRANDES EVENTOS

João Carlos

01/09/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

Shows, multidões e grandes nomes da música dividem espaço com um problema nada novo nos festivais: o lixo deixado pelo público.

O assunto voltou a chamar atenção depois do Reading Festival 2026, realizado no último fim de semana no Reino Unido. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram áreas do acampamento tomadas por garrafas, embalagens, roupas, colchões infláveis, cadeiras e barracas abandonadas após os shows.

A cena chama ainda mais atenção porque o próprio Reading mantém uma política ambiental que busca reduzir o impacto do evento. O festival afirma não utilizar plástico virgem descartável, exige embalagens e talheres compostáveis dos fornecedores e oferece pontos para separação dos resíduos. Em 2025, segundo a organização, 87% do lixo produzido no evento foi reciclado ou compostado.

O plástico ainda é um desafio

O problema está longe de ser exclusivo do Reading.

Dados divulgados recentemente no Reino Unido estimam que os festivais britânicos descartem mais de 105 milhões de embalagens de uso único por ano, entre caixas de comida, copos, garrafas e outros recipientes. Juntos, esses materiais seriam suficientes para encher mais de 500 ônibus de dois andares.

Cada frequentador também pode produzir cerca de 2 quilos de resíduos por dia durante um festival.

Público aumenta pressão por festivais sem plástico

A pressão por mudanças também está vindo de quem frequenta esses eventos. Uma nova pesquisa encomendada pela empresa britânica de materiais Xampla aponta que 76% dos consumidores entrevistados no Reino Unido querem que os festivais utilizem embalagens de alimentos totalmente livres de plástico.

O resultado expõe uma discussão que vem crescendo no setor: reduzir o impacto ambiental dos festivais não significa apenas recolher o lixo depois dos shows, mas diminuir a quantidade de materiais descartáveis que chegam ao evento.

O desafio é que nem tudo o que parece livre de plástico realmente é. Algumas embalagens de papel e cartão possuem uma fina camada plástica para impedir a passagem de líquidos e gordura, o que pode dificultar sua reciclagem ou compostagem.

É justamente nesse ponto que novas alternativas começam a ganhar espaço, incluindo revestimentos produzidos a partir de materiais vegetais, desenvolvidos para substituir essas películas plásticas sem comprometer a função das embalagens.

Barracas também entram na conta

Outro símbolo do problema são as barracas abandonadas.

Imagens aéreas do Reading já registraram, em anos anteriores, milhares delas espalhadas pelo terreno depois da saída do público. Em 2023, por exemplo, imagens de drone exibidas pela ITV mostraram extensas áreas do festival tomadas por barracas e resíduos.

Por isso, o Reading pede atualmente que os frequentadores levem todo o equipamento de camping para casa e disponibiliza sacos e pontos de reciclagem. A organização também promove campanhas para estimular a reutilização das barracas.

As imagens recentes mostram, no entanto, que mudar o comportamento de dezenas de milhares de pessoas continua sendo uma tarefa difícil.

Uma discussão que acompanha os grandes festivais

O tema também ganhou visibilidade nas redes durante outros grandes eventos deste verão.

No Daisy Chain Fields, festival criado por Olivia Rodrigo e realizado no sábado (29) na Califórnia, cerca de 45 mil pessoas acompanharam uma programação que reuniu nomes como Stevie Nicks, Chappell Roan, Doechii, Mitski e Sarah McLachlan.

O portal da Antena 1 fez uma rápida busca nas redes sociais e encontrou diversos registros mostrando resíduos espalhados entre o público durante o evento. Apesar das imagens, a imprensa americana não tratou o lixo como uma controvérsia do festival. As principais críticas à primeira edição estiveram relacionadas ao forte calor, à pouca sombra, ao acesso à água e às longas filas.

A discussão ajuda a mostrar que a transformação dos festivais passa por mais do que trocar materiais.

Copos retornáveis, garrafas reutilizáveis, sistemas de depósito, embalagens realmente compostáveis, reciclagem e campanhas para que barracas não sejam abandonadas estão entre as alternativas adotadas pelo setor.

Mas as imagens que continuam aparecendo depois dos grandes shows deixam uma conclusão bastante simples: reduzir o lixo dos festivais depende tanto das organizações quanto de quem está diante do palco.

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