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Flávio Bolsonaro propõe que Pix não se conecte a sistemas não ocidentais como alternativa a tarifas dos EUA

Flávio Bolsonaro propõe que Pix não se conecte a sistemas não ocidentais como alternativa a tarifas dos EUA

Reuters

02/07/2026

Placeholder - loading - Senador Flávio Bolsonaro 12 de maio de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Senador Flávio Bolsonaro 12 de maio de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA, 2 Jul (Reuters) - O senador ​Flávio Bolsonaro, principal rival do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de outubro no Brasil, propôs um compromisso legislativo de que o Pix não seja interconectado a arranjos não ocidentais de liquidação transfronteiriça, argumentando que a medida ajudaria a amenizar as preocupações dos EUA em relação à popular plataforma de pagamentos instantâneos.

O presidenciável do PL apresentou a sugestão ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) na quarta-feira, depois que a agência incluiu, no ano passado, o Pix entre as ⁠práticas ⁠comerciais sob investigação como potencialmente injustas.

A investigação ​culminou ‌em uma proposta para impor tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, com uma decisão marcada para este mês.

Se conectado a sistemas de pagamento estrangeiros, o Pix poderia, em teoria, reduzir a dependência do ⁠dólar norte-americano e contornar intermediários, como empresas de cartão de crédito, que ​atualmente administram grande parte das transações transfronteiriças — desenvolvimentos que vão contra os ​interesses do governo do presidente dos EUA, Donald ‌Trump.

Em uma postagem no ​X, ⁠Lula, que há muito defende a redução da dependência do dólar norte-americano no comércio internacional e a promoção de uma integração financeira mais profunda entre as economias em ​desenvolvimento, descreveu a proposta do senador como uma tentativa de “entregar o Pix a interesses estrangeiros”.

“Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele”, escreveu ele.

Em comentários por escrito enviados a uma consulta pública ​lançada pelo USTR, Flávio Bolsonaro defendeu o Pix contra as críticas de que o Banco Central do Brasil atua tanto como proprietário quanto como operador do sistema, com implicações anticoncorrenciais.

Ele argumentou que as tarifas seriam a solução errada, pois não abordariam a arquitetura do Pix e prejudicariam os interesses de investimento dos EUA.

Em vez disso, disse ele, um “sinal decisivo” para Washington seria um compromisso legislativo de que o ​Pix não será interconectado a arranjos não ocidentais de liquidação transfronteiriça.

De maneira mais ampla, ‌ele instou Washington a não impor ⁠tarifas ao Brasil, argumentando que a questão tarifária aumentou a popularidade de Lula.

Lançado no final de 2020, durante o governo de seu pai, o ex-presidente ⁠Jair Bolsonaro, o Pix rapidamente se tornou o método ⁠de pagamento mais utilizado no país, ⁠ultrapassando os cartões de ⁠crédito ​e débito em volume de transações e reduzindo drasticamente o uso de dinheiro vivo.

Reuters

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