Flávio critica gastos do governo Lula e diz que Brasil terá 'quebradeira' sem ajuste fiscal forte
Flávio critica gastos do governo Lula e diz que Brasil terá 'quebradeira' sem ajuste fiscal forte
Reuters
28/08/2026
Atualizada em 28/08/2026
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 28 Ago (Reuters) - O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, disse nesta sexta-feira que, se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, haverá uma quebradeira generalizada no país.
'Se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, está fadado à quebradeira de todo mundo', afirmou ele em entrevista ao Jornal Nacional, ao atribuir o alto endividamento da população brasileira e do elevado patamar da Selic, taxa básica de juros da economia, à gestão Lula.
Sem dar detalhes de como faria esse ajuste fiscal, Flávio criticou o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, por gastar demais enquanto aumenta impostos. O candidato do PL prometeu um 'tesouraço' nos impostos.
Por outro lado, o senador disse que não fará economia com quem ganha salário mínimo e com os aposentados, ao ser perguntado sobre a atual política de reajuste real do mínimo. Ele não foi taxativo se não iria desvincular reajustes reais nesses benefícios em seu governo, mesmo sendo confrontado pelos entrevistados.
'Não farei economia com quem ganha salário mínimo e aposentados', limitou-se a dizer.
O candidato do PL disse que não é preciso fazer economia em cima dos aposentados e defendeu que se combata a corrupção e fraudes no pagamento de benefícios do INSS.
De maneira genérica, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai cortar ministérios, fazer um tesouraço, inclusive reduzindo cargos comissionados.
RESPEITAR O RESULTADO DAS ELEIÇÕES
Em uma sinalização diferente de seu pai, que demorou a reconhecer implicitamente a derrota para Lula em 2022 ao autorizar a transição de governo, o candidato do PL disse que 'com certeza' acatará o resultado eleitoral.
'Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras', disse, em um primeiro momento.
'Com certeza, vou adorar que anuncie meu nome', respondeu ele depois, ao ser questionado se isso ocorreria mesmo se for derrotado. 'Não vou perder, vou ganhar no primeiro turno', acrescentou.
O candidato também aproveitou a entrevista para anunciar o médico oftalmologista Claudio Lottenberg como seu ministro da Saúde, se for eleito.
DARK HORSE
Mais uma vez, o candidato afirmou que não há nada de errado com o fato de ele ter negociado um financiamento milionário com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para um filme sobre Jair Bolsonaro. Ele cobrou US$24 milhões (cerca de R$134 milhões), dos quais R$61 milhões teriam sido efetivamente destinados ao projeto que só foram reveladas pelas investigações feitas pela Polícia Federal.
A relação de Flávio e Vorcaro veio à tona em maio a partir de reportagem publicada pelo Intercept Brasil com base na quebra de sigilo de conversas entre ambos.
'Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado para um filme do próprio pai', voltou a dizer. Ele ressaltou que 'não houve nenhuma contrapartida' a Vorcaro, a quem chamou de investidor, pelo fato de ser senador.
Contudo, Flávio mudou sua versão de que apresentaria em 30 dias a prestação de contas sobre o filme para comprovar que os recursos dados por Vorcaro foram efetivamente para o filme. Ele disse que a produtora do filme já apresentou a prestação de contas para autoridades competentes e se isentou de fazê-lo.
'O contrato do filme não cabe a mim', ressaltou.
A PF desconfia que parte desses valores tem servido para bancar a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos e abriu um inquérito para investigar o senador por isso.
Em vez de dar maiores explicações sobre o filme Dark Horse, Flávio preferiu colar o escândalo envolvendo Vorcaro e o Master - o banco envolvido em esquemas de corrupção que foi liquidado pelo Banco Central -- ao governo Lula, cobrando do presidente explicações de um encontro fora da agenda oficial com o banqueiro.
(Edição de Pedro Fonseca e Alexandre Caverni)
Reuters

