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Galípolo diz que BC foi comunicado sobre contrato de irmão de servidor com o Master

Galípolo diz que BC foi comunicado sobre contrato de irmão de servidor com o Master

Reuters

24/09/2026

Placeholder - loading - Presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, participa de uma coletiva de imprensa na sede da autarquia em Brasília,  em 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, participa de uma coletiva de imprensa na sede da autarquia em Brasília, em 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  24/09/2026

24 Set (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel ​Galípolo, comentou nesta quinta-feira o caso de um terceiro servidor da autarquia citado no escândalo do caso Master, dizendo que sua situação é muito diferente da de dois outros servidores envolvidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e frisando que 'todo mundo é inocente até que se prove o contrário'.

Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quinta informou que novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o Banco Master teria realizado pagamentos à empresa LR Consultoria, pertencente a Leonardo Eyer Harris -- irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do atual diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan. De acordo com a reportagem, a ⁠empresa teria ⁠recebido R$750 mil do Master no ano ​passado.

Ainda conforme ‌a reportagem, Leonardo disse ter sido procurado pelo Master por uma consultoria na área de mineração, sem qualquer relação com o trabalho do irmão no BC. Seu irmão, Ricardo, disse que informou o BC sobre o contrato.

Nesta quinta-feira, durante entrevista coletiva em Brasília sobre o Relatório ⁠de Política Monetária, Galípolo confirmou que o servidor do BC teria comunicado a dois ​diretores da autarquia, com os quais trabalhou diretamente, a existência do contrato de prestação de serviços ​do irmão com o Master.

'O irmão trabalha na área ‌de mineração há bastante tempo, ​presta consultoria ⁠para uma série de instituições na área de mineração -- nada relacionado à atividade aqui --, e eu sou testemunha que o Harris tem um comportamento no Banco Central, ao longo de todo este período, que de ​maneira nenhuma eu posso levantar nada relativo à questão do Master', afirmou Galípolo, quando questionado por jornalistas.

'Existem processos internos, o Harris tem de ter toda a oportunidade para ele poder esclarecer tudo o que ele quiser esclarecer dentro das instituições internas do Banco Central', acrescentou Galípolo.

'Mas é importante esclarecer que todo ​mundo é inocente até que se prove o contrário. O caso dele é bastante distinto do caso dos outros servidores aqui do Banco Central.'

Galípolo se referia aos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam na área de supervisão bancária. Os dois, atualmente afastados do BC, são investigados por supostamente terem prestado auxílio a Vorcaro em processos do Master no BC, recebendo compensações por isso.

Em nota encaminhada à Reuters, o advogado Leonardo Palazzi, que representa Belline Santana, negou que seu cliente tenha recebido 'qualquer ​valor ou benefício do Banco Master'.

'Há dois pesos e duas medidas: aparentemente se tenta blindar, na narrativa pública ‌de determinados agentes, diversas outras situações em ⁠tese suspeitas quanto às instâncias superiores do BCB e outras autoridades, enquanto se procura lançar conjecturas sobre um servidor de carreira que, de forma comprovada, não recebeu qualquer valor ou benefício do Banco ⁠Master e, sobretudo, exerceu suas atribuições de forma regular, nos estritos ⁠limites legais', afirmou a nota.

Questionado pela Reuters sobre ⁠o posicionamento da defesa ⁠de ​Belline Santana, o Banco Central não comentou imediatamente.

(Por Fabrício de Castro, em São Paulo; edição de Isabel Versiani)

Reuters

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