Galípolo diz que BC foi comunicado sobre contrato de irmão de servidor com o Master
Galípolo diz que BC foi comunicado sobre contrato de irmão de servidor com o Master
Reuters
24/09/2026
Atualizada em 24/09/2026
24 Set (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou nesta quinta-feira o caso de um terceiro servidor da autarquia citado no escândalo do caso Master, dizendo que sua situação é muito diferente da de dois outros servidores envolvidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e frisando que 'todo mundo é inocente até que se prove o contrário'.
Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quinta informou que novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o Banco Master teria realizado pagamentos à empresa LR Consultoria, pertencente a Leonardo Eyer Harris -- irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do atual diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan. De acordo com a reportagem, a empresa teria recebido R$750 mil do Master no ano passado.
Ainda conforme a reportagem, Leonardo disse ter sido procurado pelo Master por uma consultoria na área de mineração, sem qualquer relação com o trabalho do irmão no BC. Seu irmão, Ricardo, disse que informou o BC sobre o contrato.
Nesta quinta-feira, durante entrevista coletiva em Brasília sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo confirmou que o servidor do BC teria comunicado a dois diretores da autarquia, com os quais trabalhou diretamente, a existência do contrato de prestação de serviços do irmão com o Master.
'O irmão trabalha na área de mineração há bastante tempo, presta consultoria para uma série de instituições na área de mineração -- nada relacionado à atividade aqui --, e eu sou testemunha que o Harris tem um comportamento no Banco Central, ao longo de todo este período, que de maneira nenhuma eu posso levantar nada relativo à questão do Master', afirmou Galípolo, quando questionado por jornalistas.
'Existem processos internos, o Harris tem de ter toda a oportunidade para ele poder esclarecer tudo o que ele quiser esclarecer dentro das instituições internas do Banco Central', acrescentou Galípolo.
'Mas é importante esclarecer que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. O caso dele é bastante distinto do caso dos outros servidores aqui do Banco Central.'
Galípolo se referia aos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam na área de supervisão bancária. Os dois, atualmente afastados do BC, são investigados por supostamente terem prestado auxílio a Vorcaro em processos do Master no BC, recebendo compensações por isso.
Em nota encaminhada à Reuters, o advogado Leonardo Palazzi, que representa Belline Santana, negou que seu cliente tenha recebido 'qualquer valor ou benefício do Banco Master'.
'Há dois pesos e duas medidas: aparentemente se tenta blindar, na narrativa pública de determinados agentes, diversas outras situações em tese suspeitas quanto às instâncias superiores do BCB e outras autoridades, enquanto se procura lançar conjecturas sobre um servidor de carreira que, de forma comprovada, não recebeu qualquer valor ou benefício do Banco Master e, sobretudo, exerceu suas atribuições de forma regular, nos estritos limites legais', afirmou a nota.
Questionado pela Reuters sobre o posicionamento da defesa de Belline Santana, o Banco Central não comentou imediatamente.
(Por Fabrício de Castro, em São Paulo; edição de Isabel Versiani)
Reuters

