Governo argentino diz que especulações de propina são 'insultantes' após Milei promover criptomoeda
Publicada em
BUENOS AIRES (Reuters) - O porta-voz da Presidência da Argentina, Manuel Adorni, disse nesta terça-feira que era 'insultante' especular que propinas estariam envolvidas no caso do presidente libertário Javier Milei, que promoveu uma criptomoeda que caiu rapidamente.
Milei recomendou a criptomoeda pouco conhecida $LIBRA na sexta-feira em uma publicação no X, mas depois excluiu a publicação e negou ter qualquer vínculo com a criptomoeda.
'Entendemos que não houve nenhuma atitude que contrariasse a ética pública', disse Adorni em uma coletiva de imprensa, afirmando que não havia planos de demitir nenhum funcionário por irregularidades.
Um juiz federal está investigando o envolvimento de Milei no que a câmara de finanças disse que pode ter sido um golpe de 'rug pull' (puxada de tapete).
Um 'rug pull' é um golpe no qual os patrocinadores de uma moeda atraem vários investidores, fazendo com que o valor da criptomoeda aumente, e depois retiram rapidamente seus fundos, deixando os investidores com tokens sem valor.
O escândalo atingiu o setor financeiro da Argentina, fazendo com que o índice de risco, acompanhado de perto, caísse 27 unidades, para 701 pontos-base, e fazendo com que o principal índice acionário S&P Merval caísse na segunda-feira, embora tenha se recuperado nesta terça-feira, sendo negociado com alta de mais de 6%.
Enquanto isso, a dívida soberana no mercado de balcão enfraqueceu cerca de 0,5% em média.
'O escândalo da $LIBRA abalou o mundo e criou muito burburinho', disse o analista financeiro Miguel Boggiano.
Na segunda-feira, o ministro da Economia, Luis Caputo, disse à mídia local que não houve 'nenhuma fraude, nenhum crime, nenhuma corrupção' e descartou que o escândalo afetasse as negociações com o FMI, que, segundo ele, estavam 'no caminho certo'.
Milei deve viajar para Washington na quarta-feira e se reunir com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, na quinta-feira.
(Reportagem de Nicolas Misculin, Jorge Otaola e Hernan Nessi em Buenos Aires)
Escrito por Reuters
SALA DE BATE PAPO