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Governo espera votação de fim da escala 6 x 1 no 1º semestre, diz Boulos

Governo espera votação de fim da escala 6 x 1 no 1º semestre, diz Boulos

Reuters

21/01/2026

Placeholder - loading - Presidente Lula e Guilherme Boulos em Brasília  29/10/2025   REUTERS/Mateus Bonomi
Presidente Lula e Guilherme Boulos em Brasília 29/10/2025 REUTERS/Mateus Bonomi

Atualizada em  21/01/2026

SÃO PAULO, 21 Jan (Reuters) - O governo do presidente Luiz Inácio ⁠Lula da Silva espera a votação no Congresso Nacional do fim da escala de trabalho 6 x 1 ainda no primeiro semestre, disse nesta quarta-feira o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Em entrevista ao programa 'Bom Dia, Ministro', do CanalGov, Boulos disse que o debate sobre o fim da escala na qual os trabalhadores trabalham seis dias da semana e folgam um está avançando no Congresso, e fez a avaliação de que a substituição do modelo por uma escala 5 x 2 aumentará a produtividade da economia e a formalização do trabalho.

'No caso da 6 x 1, em particular, há um avanço para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala 6 x 1 e consiga dar essa resposta para os trabalhadores', disse.

O ministro, escalado por Lula ​para liderar as negociações pelo fim da escala 6 x 1 e ⁠para a regulamentação ⁠do trabalho por aplicativo -- duas frentes de um novo modelo de trabalho com as quais o PT tem enfrentado dificuldade -- , afirmou que, com um dia a mais de folga na semana, o trabalhador estará mais descansado e terá tempo para aumentar sua qualificação, elevando a produtividade da economia.

Boulos disse ainda que um modelo com dois dias de folga na semana tornará o trabalho formal mais atrativo para uma parcela crescente que tem rejeitado o modelo ‌com carteira assinada, aumentando, assim, em sua visão, a formalização e ajudando a Previdência Social.

Ele disse, também, que o ​governo estuda um 'modelo de transição' voltado a pequenos empreendedores com vistas a ‌amenizar o impacto sobre os empresários ​de ​pequeno porte, principalmente pequenos comerciantes.

O ministro também colocou entre as prioridades do governo a regulamentação do trabalho por aplicativo e disse que o governo tratará do que chamou de 'taxa de extorsão' que as empresas de tecnologia cobram de entregadores e motoristas.

O fim da escala 6 ​x 1 e a regulamentação do trabalho por aplicativo, aliada à isenção de imposto de renda para quem ganha até R$5 mil mensais aprovada ano passado e que entrou em vigor neste ano, são apostas do governo Lula no ano em que o petista busca se reeleger para um quarto mandato na Presidência.

TRUMP E GALÍPOLO

Na entrevista à emissora estatal, Boulos também fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao patamar atual da taxa básica de juros, em 15% ao ano desde junho do ano passado, afirmando que ela é injustificável e 'só interessa para banqueiro agiota'. O ministro aproveitou ainda para mandar um recado direto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo: 'Ô, Banco Central, ô meu querido Galípolo, vamos baixar essa taxa de juros, meu caro', disse.

Trump foi alvo do ministro, um dia depois de Lula afirmar em discurso em evento de entrega de moradias que o presidente norte-americano quer 'governar o mundo pelo Twitter'.

Boulos, por sua vez, disse que Trump pratica 'colonialismo' na América Latina. No início de janeiro, ⁠forças dos EUA capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas, e Trump tem afirmado que os Estados Unidos governarão a Venezuela ‌e que empresas norte-americanas explorarão o petróleo venezuelano.

Trump também ⁠tem pressionado os aliados europeus dos EUA para obter o controle da Groenlândia, um território pertencente à Dinamarca, membro da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

'O Brasil é um país soberano, a gente não vai se curvar a ‍quem quer que seja. É inaceitável que alguém queira ser dono do mundo e dizer 'nesse país eu vou fazer isso, naquele eu vou fazer aquilo, esse aqui é ​meu ‌quintal, nesse aqui eu vou fincar a minha bandeira.' Não', afirmou.

(Por Eduardo Simões, em São Paulo; Edição de Tatiana Ramil e Camila Moreira)

Reuters

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