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GRAVAÇÕES INÉDITAS MOSTRAM COMO OS BEATLES DERAM FORMA A RUBBER SOUL

Nova edição do álbum reúne demos inéditas e permite acompanhar mudanças em músicas que se tornaram clássicos

Bruna Valle

02/10/2026

Placeholder - loading - Mais de seis décadas depois, gravações de estúdio revelam novas etapas do processo criativo por trás de um dos álbuns mais importantes dos Beatles
Mais de seis décadas depois, gravações de estúdio revelam novas etapas do processo criativo por trás de um dos álbuns mais importantes dos Beatles

Ouvir um álbum pronto é muito diferente de acompanhar como ele nasceu. É justamente essa possibilidade que uma nova edição de Rubber Soul oferece aos fãs dos Beatles.

Lançado originalmente em 1965, o sexto álbum de estúdio da banda ganhou nesta sexta-feira, 02, uma edição especial expandida, com novas mixagens e gravações que ficaram guardadas nos arquivos por mais de seis décadas.

O material permite ouvir versões anteriores de músicas conhecidas e perceber como arranjos, instrumentos e estruturas foram sendo modificados até chegar às versões que o público conhece.

Um álbum em plena transformação

Rubber Soul foi gravado ao longo de quatro semanas, entre outubro e novembro de 1965. Naquele período, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr estavam ampliando as possibilidades dentro do estúdio e experimentando novas sonoridades.

O resultado incluiu músicas como “Drive My Car”, “Norwegian Wood”, “Nowhere Man”, “Michelle”, “Girl” e “In My Life”.

A nova edição abre justamente essa etapa do trabalho. Em vez de apresentar apenas as gravações finais, o material mostra diferentes momentos das sessões e ajuda a reconstruir o caminho percorrido até o resultado definitivo.

Uma música pode mudar completamente no estúdio

Um dos exemplos é “I’m Looking Through You”. A nova edição traz “Second Version – Take 3”, uma gravação feita durante uma sessão de novembro de 1965.

A versão mostra que a música ainda estava sendo construída. O andamento e o arranjo eram diferentes de como a faixa chegou ao álbum, e duas seções instrumentais de 12 compassos ainda faziam parte da composição. Mais tarde, Paul McCartney escreveu uma ponte que substituiu esses trechos na versão final.

É esse tipo de detalhe que transforma as gravações de arquivo em algo além de material extra: elas funcionam como um registro do momento em que uma música ainda não estava completamente definida.

“Norwegian Wood” também aparece em outra fase

A edição apresenta ainda versões anteriores de “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)”.

Na primeira tentativa, George Harrison já experimentava o instrumento que se tornaria uma das marcas da gravação: a cítara. A banda não ficou satisfeita com aquele primeiro resultado e voltou à música alguns dias depois, registrando novas versões.

O material permite acompanhar essas mudanças e perceber como uma escolha de instrumento ou de arranjo podia alterar o caminho de uma música.

Até “Day Tripper” aparece antes do famoso riff

Outro registro especialmente curioso é uma gravação de trabalho de “Day Tripper”. John Lennon e Paul McCartney aparecem desenvolvendo a música juntos antes que o famoso riff de guitarra estivesse pronto.

A gravação foi feita na casa de Lennon e registra os dois trabalhando na composição, incluindo momentos de conversa e descontração. Depois, a música seria finalizada em uma longa sessão de estúdio e lançada como lado A de um single duplo com “We Can Work It Out”.

Um arquivo que ganhou nova vida

A edição especial foi produzida a partir das fitas originais, com novas mixagens assinadas por Giles Martin e Sam Okell. Além do novo estéreo, há uma versão em Dolby Atmos, o álbum original em mono e a versão americana lançada na época.

Nas versões Super Deluxe, o material de arquivo inclui 24 gravações das sessões, entre elas 20 takes que nunca haviam sido lançados oficialmente e três demos caseiras inéditas.

A coleção também recupera registros de “In My Life”, “Michelle”, “Nowhere Man”, “The Word”, “Girl” e outras faixas.

Mais do que nostalgia

O interesse dessas gravações está justamente na possibilidade de ouvir os Beatles em um momento em que as músicas ainda estavam abertas a mudanças.

Rubber Soul marcou uma fase em que a banda passou a explorar mais profundamente as possibilidades de composição e gravação.

As novas versões preservam pequenos momentos desse processo: uma ideia que ainda seria alterada, um instrumento testado pela primeira vez, um arranjo que não chegou à versão final.

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