Ibovespa recua com Vale e Petrobras em dia de queda de commodities e com geopolítica no radar
Ibovespa recua com Vale e Petrobras em dia de queda de commodities e com geopolítica no radar
Reuters
03/08/2026
Atualizada em 03/08/2026
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 3 Ago (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta segunda-feira, pressionado particularmente pelo declínio das ações da Vale e da Petrobras em meio ao recuo de commodities como o minério de ferro e o petróleo no exterior.
Por volta de 11h50, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,41%, a 177.272,02 pontos.
Agentes financeiros monitoravam o cenário geopolítico, após os Estados Unidos adiarem ataque contra o Irã à espera de avanço nas negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, o que derrubava os preços do petróleo. O barril sob o contrato Brent cedia 5%. Em Nova York, o S&P 500 subia mais de 1%.
No Brasil, a pesquisa Focus mostrou revisão nas previsões para Selic no final do ano, de 14% para 13,75%, a poucos dias do desfecho da reunião de política monetária do Banco Central.
De acordo com o analista de investimentos da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, na cena local, o foco está totalmente voltado para a quarta-feira, quando o BC anuncia sua decisão.
'O mercado precifica praticamente de forma unânime um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,00% ao ano', afirmou, ponderando que, apesar da expectativa de redução dos juros, permanece a incerteza sobre os próximos passos da política monetária.
'A desaceleração da inflação e da atividade econômica abre espaço para flexibilização, mas o cenário fiscal e as incertezas políticas continuam limitando apostas em um ciclo mais longo de cortes.'
O quadro político também ocupava as atenções, com a oficialização da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição no fim de semana e nova pesquisa BTG/Nexus mostrando empate técnico entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da disputa à Presidência.
A B3 ainda divulgou nesta segunda-feira a primeira prévia para a composição do Ibovespa que irá vigorar de setembro a dezembro, com a entrada das ações da construtora Tenda e a saída dos papéis da petrolífera PetroReconcavo.
DESTAQUES
• VALE ON recuava 2,57%, enfraquecida pelo declínio dos preços do minério de ferro na China, onde o contrato futuro mais negociado em Dalin fechou o dia com queda de 2,85%. No setor de mineração e siderurgia na B3, CSN ON era o destaque negativo com baixa de 8,26% após Fitch Ratings cortar as notas de crédito do grupo na última sexta-feira.
• PETROBRAS PN caía 1,17%, acompanhando o recuo dos preços do petróleo no exterior. A estatal anunciou nesta segunda-feira uma nova descoberta de acumulação de gás no poço exploratório Sandia-1, em águas profundas da Colômbia. Ainda no noticiário do setor, dados da agência reguladora ANP mostraram que produção de petróleo do Brasil em junho somou um recorde de 4,475 milhões de barris ao dia (bpd), alta de 19,1% ano a ano.
• ITAÚ UNIBANCO PN tinha acréscimo de 0,27%, tendo no radar o balanço do segundo trimestre na terça-feira, após o fechamento do mercado. BRADESCO PN, que divulga o resultado no final da quarta-feira, perdia 0,11%.
• CURY ON subia 3,19%, tendo como pano de fundo relatório do JPMorgan recomendando a investidores que aumentem a exposição a ações de construtoras voltadas para a baixa renda, citando Cury, Direcional e Tenda como seus papéis preferidos. DIRECIONAL ON avançava 2,47% e TENDA ON, que não faz parte do Ibovespa, valorizava-se 4,22%.
• RANDON PN subia 5,51% e RANDON ON disparava 43,25%, após a Dramd Participações, holding controladora do grupo, anunciar que fará uma oferta por até a totalidade das ações ordinárias da companhia fabricante de implementos rodoviários dando em troca papéis da controlada indireta Frasle. FRASLE MOBILITY ON caía 4,82%.
(Por Paula Arend Laier;Edição Michael Susin)
Reuters

