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Ibovespa começa julho com cautela; Vale sobe

Ibovespa começa julho com cautela; Vale sobe

Reuters

01/07/2026

Placeholder - loading - Pessoas observam um painel eletrônico que exibe o gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 9 de maio de 2016 REUTERS/Paulo W
Pessoas observam um painel eletrônico que exibe o gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 9 de maio de 2016 REUTERS/Paulo W

Atualizada em  01/07/2026

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - A bolsa paulista começava o segundo ​semestre refletindo certa cautela de agentes financeiros, em uma quarta-feira também marcada por menor apetite a risco no exterior, enquanto Vale era um contrapeso positivo relevante.

Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 0,36%, a 171.409,68 pontos.

Estrategistas do BTG Pactual reduziram marginalmente o risco na sua carteira de ações 10 SIM recomendada para julho, citando um cenário mais incerto pela frente e a ausência de claros catalisadores de curto prazo.

Em relatório enviado a clientes, eles afirmaram que as ações brasileiras parecem baratas, mas também citaram que elas perderam espaço perante investidores estrangeiros.

'Com a inflação acima da meta, o Banco Central do Brasil tem pouco espaço para cortar os juros. E com os juros de curto prazo prestes a subir nos EUA, isso limita ainda mais a sua capacidade de reduzir as taxas de juros locais', afirmaram.

'Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos do governo às vésperas das eleições presidenciais de outubro está pressionando as taxas reais de longo prazo, que encerraram junho em 7,9%.'

O início ⁠do ciclo de cortes na taxa ⁠Selic em março endossou o movimento positivo que prevaleceu na ​bolsa paulista no ‌começo do ano, e foi apoiado principalmente por estrangeiros.

Boa parte da alta, porém, foi devolvida com uma reprecificação das expectativas sobre os próximos passos do Banco Central que passaram a apontar um ciclo de afrouxamento monetário mais curto do que o esperado.

Estrategistas do Goldman Sachs também citaram aumento da incerteza política com a eleição presidencial no país se aproximando, mas reiteraram a recomendação 'overweight' para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes.

Também afirmaram que o Brasil ⁠continua sendo o seu mercado acionário preferido na América Latina e que o mercado parece barato tanto em relação às ​taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões observados em ciclos anteriores de queda de juros.

'Qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os ​juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais ‌sensíveis aos juros', acrescentaram.

No exterior, o norte-americano ​S&P 500 ⁠rondava a estabilidade no primeiro pregão de julho, com a cena geopolítica dividindo as atenções com dados econômicos.

A sessão também era marcada pelo avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA, enquanto investidores aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano previstos para a quinta-feira.

DESTAQUES

• BB SEGURIDADE ON recuava 3,11%, enquanto investidores analisam os potenciais ​reflexos para a companhia envolvendo o Plano Safra 2026/2027, anunciado na véspera. Analistas do UBS BB destacaram que o volume de recursos e as taxas de juros do Plano Safra, juntamente com a demanda dos produtores por seguros, continuam sendo variáveis-chave para a recuperação do negócio de seguros rurais da companhia.

• ENGIE BRASIL caía 3,3%, um dia antes de assembleia da companhia para decidir sobre aquisição de uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau de seu acionista controlador, em operação que será ​financiada por uma oferta de ações. O índice de energia elétrica da B3 tinha queda de 1,06%, com investidores na expectativa da segunda fase do primeiro leilão de transmissão de energia deste ano, prevista para sexta-feira, que prevê 4 lotes e investimento previsto de R$1,8 bilhão.

• VALE ON subia 1,09%, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro da China.

• PETROBRAS PN recuava 0,29%, acompanhando a queda dos preços do petróleo no exterior. A presidente-executiva da estatal, Magda Chambriard, disse à Reuters que o preço do barril do petróleo parece ter se estabelecido em novo patamar de US$72 a US$75, embora o mercado ainda não tenha normalizado e a guerra no Oriente Médio continue impondo incertezas. A Petrobras anunciou na véspera redução de R$0,3515 do litro do diesel vendido a distribuidoras, mesmo valor do desconto que foi concedido no ​âmbito do subsídio governamental e que agora está sendo retirado. Nesta quarta-feira, disse que vai reduzir em 14,5% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras ‌a partir de julho.

• ITAÚ UNIBANCO PN tinha alta de 0,87%, em ⁠pregão com dados de crédito no país mostrando que a inadimplência nos empréstimos com recursos livres no Brasil subiu em maio para 6,2%, nível mais alto desde o início da série do Banco Central em março de 2011. BRADESCO PN caía 0,22%, BANCO DO BRASIL ON registrava variação positiva de 0,05% e SANTANDER ⁠BRASIL UNIT mostrava estabilidade.

• BRASKEM PNA subia 1,26%, em sessão de ajustes, após acumular em junho queda de ⁠39%.

• SUZANO ON valorizava-se 0,65%, tendo de pano de fundo a conclusão da operação ⁠para criar uma joint venture de ⁠US$3,4 ​bilhões com a gigante de bens de consumo Kimberly-Clark. Pelo acordo, a Suzano terá 51% da nova empresa e a Kimberly-Clark os 49% remanescentes.

(Por Paula Arend Laier;Edição Michael Susin)

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