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Inflação na zona do euro pode permanecer alta mesmo com acordo de paz, afirma economista-chefe do BCE

Inflação na zona do euro pode permanecer alta mesmo com acordo de paz, afirma economista-chefe do BCE

Reuters

23/06/2026

Placeholder - loading - Economista-chefe do BCE, Philip Lane, durante evento Reuters NEXT Europa 2026 em Londres 16 de junho de 2026 REUTERS/Chris J. Ratcliffe
Economista-chefe do BCE, Philip Lane, durante evento Reuters NEXT Europa 2026 em Londres 16 de junho de 2026 REUTERS/Chris J. Ratcliffe

FRANKFURT, 23 Jun (Reuters) - A inflação na zona do ​euro pode permanecer acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE) por algum tempo, mesmo que a paz no Oriente Médio se mantenha, mas esse choque ainda assim exige apenas uma resposta moderada da política monetária, afirmou nesta terça-feira o economista-chefe do BCE, Philip Lane.

O BCE elevou as taxas de juros neste mês para evitar que os preços mais altos da energia impulsionassem as expectativas de inflação de longo prazo, e os mercados financeiros preveem pelo menos mais um aumento até o final do ano, mesmo com os preços da energia tendo caído bem abaixo das máximas recentes.

Em discurso ⁠aos parlamentares ⁠europeus em Bruxelas, Lane disse que a ​inflação pode ‌permanecer bem acima da meta até o primeiro semestre de 2027, depois de ter ultrapassado os 3% no mês passado.

“Embora os recentes avanços rumo a uma resolução do conflito no Oriente Médio sejam bem-vindos, a incerteza continua elevada e há riscos contínuos de que ⁠a inflação permaneça acima de nossa meta de médio prazo de 2% por ​um bom tempo”, disse Lane.

“Estamos adotando uma abordagem cautelosa”, disse ele à comissão ECON do ​Parlamento Europeu. “Não se trata de uma resposta enorme ou gigantesca. ‌É uma resposta calibrada ​ao ⁠que observamos.”

No entanto, gráficos publicados juntamente com o discurso de Lane também mostraram que a recente queda nos preços agora coloca o petróleo mais firmemente entre os cenários 'base” e “mais moderado” do banco.

Embora esses cenários não ​antecipem diretamente a próxima decisão de política monetária, uma tendência em direção ao resultado mais moderado diminui a urgência de o BCE dar continuidade ao aumento de junho já no próximo mês.

De fato, os mercados veem apenas uma chance em cinco de um aumento em julho, e o ​próximo movimento só está totalmente precificado para dezembro.

Ainda assim, Peter Kazimir, presidente do banco central da Eslováquia e uma das vozes mais hawkish no Conselho do BCE, afirmou que o trabalho do BCE ainda não está concluído, pois a paz não reverterá instantaneamente os danos causados pela inflação.

“Acho que a direção está clara e acho que ainda temos trabalho a fazer”, disse ele em uma coletiva de imprensa do banco central da Eslováquia.

Um argumento a favor de uma ação antecipada é que, ​a menos que a inflação seja cortada pela raiz, ela corre o risco de desencadear uma espiral ‌salário-preço que se autoalimenta e que pode ⁠ser mais difícil de extinguir posteriormente.

Lane acrescentou que a alta inflação e os altos preços da energia pesarão sobre a atividade econômica, mas o impacto será atenuado devido a um mercado de ⁠trabalho sólido, aos pesados investimentos em inteligência artificial e aos ⁠gastos públicos com defesa e infraestrutura.

“É um crescimento ⁠menor do que esperávamos, ⁠mas ​está muito acima de uma economia estagnada”, disse Lane. “Há um bom impulso na economia.”

(Reportagem de Balazs Koranyi)

Reuters

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