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Irã corta internet e líder supremo adverte manifestantes

Irã corta internet e líder supremo adverte manifestantes

Reuters

09/01/2026

Placeholder - loading - Manifestantes protestam contra governo do Irã em Teerã 09/01/2026 Redes Sociais/via REUTERS
Manifestantes protestam contra governo do Irã em Teerã 09/01/2026 Redes Sociais/via REUTERS

Por Parisa Hafezi

DUBAI, 9 Jan (Reuters) - O Irã ficou ⁠em grande parte isolado do mundo exterior nesta sexta-feira, depois que as autoridades bloquearam a internet para conter a expansão dos protestos, com ligações telefônicas não chegando ao país, voos cancelados e sites de notícias online iranianos sendo atualizados apenas intermitentemente.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou os manifestantes de agirem em nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que eles estavam atacando propriedades públicas e alertando que Teerã não toleraria pessoas agindo como 'mercenários de estrangeiros'.

Os protestos, que começaram por causa de uma espiral inflacionária, não se aproximaram ​da escala de agitação de três anos atrás, ⁠mas se ⁠espalharam por todo o Irã, com dezenas de mortes relatadas e as autoridades parecendo mais vulneráveis por causa de uma economia terrível e das consequências da guerra do ano passado com Israel e os Estados Unidos.

O grupo de direitos humanos iraniano Hengaw relatou que uma marcha de protesto após as orações ‌de sexta-feira em Zahedan, onde predomina a minoria balúche, foi recebida por tiros que ​feriram várias pessoas.

As facções fragmentadas da oposição externa ‌do Irã convocaram mais ​protestos nesta ​sexta-feira, com Reza Pahlavi, filho exilado do falecido xá que reinava o país, dizendo aos iranianos em uma publicação na mídia social: 'Os olhos do mundo estão sobre vocês. Vão para ​as ruas'.

Trump, que bombardeou o Irã no ano passado e que na semana passada alertou Teerã que poderia ir em auxílio dos manifestantes, disse nesta sexta-feira que não se encontraria com Pahlavi e que 'não tinha certeza de que seria apropriado' apoiá-lo.

Imagens publicadas pela televisão estatal durante a noite mostraram o que, segundo a emissora, eram ônibus, carros e motocicletas em chamas, além de incêndios em estações de metrô e bancos. A emissora acusou a Organização dos Mujahedin do Povo, uma facção da oposição que se dividiu após a Revolução Islâmica de 1979 e também é conhecida como MKO, de orquestrar os distúrbios.

Um jornalista da TV estatal em frente aos incêndios na rua Shariati, no porto de Rasht, ⁠no Mar Cáspio, disse: 'Isso parece uma zona de guerra - todas as lojas foram destruídas'.

Vídeos verificados pela ‌Reuters como gravados na capital Teerã ⁠mostraram centenas de pessoas marchando. Em um dos vídeos, uma mulher podia ser ouvida gritando: 'Morte a Khamenei!'

O Irã já havia reprimido distúrbios muito maiores anteriormente, mas agora enfrenta ‍uma situação econômica mais grave e uma crescente pressão internacional, com sanções globais reimpostas desde setembro sobre seu controverso ​programa ‌nuclear.

(Reportagem de Parisa Hafezi e da Redação Dubai; Reportagem adicional de Vinaya K e Marine Delrue)

Reuters

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