Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Irã prepara dias de cerimônias em massa para enterrar líder supremo assassinado

Irã prepara dias de cerimônias em massa para enterrar líder supremo assassinado

Reuters

02/07/2026

Placeholder - loading - Bandeirinhas vermelhas e pretas em Teerã para cerimônia de despedida do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei    2 de julho de 2026    REUTERS/Mohammed Salem
Bandeirinhas vermelhas e pretas em Teerã para cerimônia de despedida do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei 2 de julho de 2026 REUTERS/Mohammed Salem

Por Parisa Hafezi e Angus McDowall

DUBAI, 2 Jul - Os ​clérigos no poder no Irã estão preparando dias de cerimônias fúnebres em massa para o aiatolá Ali Khamenei, como uma demonstração de devoção pública à República Islâmica e prova de que seu fervor revolucionário ainda arde com força.

O líder supremo do Irã foi morto por ataques dos Estados Unidos e de Israel no primeiro ataque da guerra, e os eventos fúnebres terão início no fim de semana em Teerã, com procissões em massa planejadas para a próxima semana em Qom e Mashhad, além de cerimônias no Iraque.

“A grande participação do público na procissão fúnebre do líder martirizado e dos outros mártires será, na prática, mais ⁠um referendo para ⁠a República Islâmica”, declarou o aiatolá Mohammad ​Saidi, líder ‌da oração de sexta-feira em Qom, à mídia estatal.

Se realmente o veem como um referendo, as autoridades não estão deixando o resultado ao acaso.

Elas esperam mobilizar milhões de apoiadores para inundar as cidades do Irã, providenciando transporte, acomodação e alimentação, a fim de proclamar o poder de ⁠seu Estado teocrático após ele ter sobrevivido ao que consideraram uma guerra existencial.

A morte ​de Khamenei e a sucessão de seu filho Mojtaba como terceiro líder supremo do Irã, em ​meio a um conflito com seus maiores inimigos, marcam ‌um momento histórico nos 47 ​anos de ⁠República Islâmica. Mojtaba, gravemente ferido no ataque que matou seu pai, não foi visto em nenhuma imagem recente desde o início da guerra.

Mas, por trás da fachada de unidade e devoção, o apoio público à República ​Islâmica ficou cada vez mais frágil, afirmam analistas.

Por todo o país, muitos iranianos estão cansados de décadas de sanções que sufocam sua economia e indignados com a repressão imposta em nome de uma revolução de 1979 da qual apenas os mais velhos, em uma população predominantemente jovem, conseguem se lembrar.

Quando as ​pessoas tomaram as ruas em dezembro e janeiro em manifestações provocadas pela inflação, muitas gritavam por morte a Khamenei, e as autoridades só conseguiram reprimir os distúrbios atirando em milhares de manifestantes.

Depois que notícias sobre a morte de Khamenei começaram a circular nos primeiros dias da guerra, moradores de Teerã relataram sons de comemoração vindos de trás das janelas de casas e apartamentos em algumas partes da cidade.

Agora, Teerã está tensa e silenciosa, um contraste marcante com o emocionante último enterro de um líder supremo — o pai ​da revolução, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Naquela ocasião, milhões de pessoas em pranto se aglomeraram ao redor do cortejo fúnebre ‌de Khomeini e algumas subiram na ambulância, ⁠com a perna nua do líder falecido aparecendo por baixo do sudário enquanto a Guarda Revolucionária lutava para conter a multidão.

Samira, de 35 anos, cujo marido é dono de um restaurante em Teerã, ⁠disse que sua família não planeja participar de nenhum evento fúnebre ⁠e que iria deixar Teerã por uma semana. “É como ⁠se a vida tivesse ⁠parado ​e houvesse basijis por toda parte”, disse ela, referindo-se à organização de milícia voluntária afiliada à Guarda Revolucionária.

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.