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Sánchez assume a liderança nas eleições polarizadas do Peru

Sánchez assume a liderança nas eleições polarizadas do Peru

Reuters

08/06/2026

Placeholder - loading - Keiko Fujimori em Lima  7 de junho de 2026  REUTERS/Alessandro Cinque
Keiko Fujimori em Lima 7 de junho de 2026 REUTERS/Alessandro Cinque

Atualizada em  08/06/2026

Por Alexander Villegas e Marco Aquino

8 Jun (Reuters) - O deputado de ​esquerda Roberto Sánchez assumiu uma pequena vantagem sobre a conservadora Keiko Fujimori na corrida presidencial do Peru nesta segunda-feira, enquanto a contagem oficial dos votos segue pelo segundo dia, com o resultado final podendo levar semanas para ser divulgado.

Com cerca de 94,9% dos votos apurados, Sánchez subiu para 50,10%, enquanto Fujimori caiu para 49,90%.

A maioria dos eleitores que compareceram às urnas no domingo disse estar preocupada com a criminalidade e a economia, e uma guinada à direita semelhante à observada em outras eleições recentes na América Latina já era amplamente prevista.

Fujimori liderava os primeiros resultados e as pesquisas de boca de urna, mas Sánchez vem ganhando terreno desde a noite de domingo, à medida que os votos das regiões rurais ⁠do Peru são ⁠contabilizados.

Os mercados e a moeda local, o Sol, ​caíram no ‌início desta segunda-feira, com o aumento dos votos para Sánchez, mas se estabilizaram com a expectativa de que Fujimori se beneficie dos votos estrangeiros ainda pendentes.

Sánchez, que foi ministro durante o governo do ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso, tentou repetir o apelo rural de Castillo, chegando a usar o chapéu de caubói de aba ⁠larga do antigo líder durante toda a campanha.

Além de reformar a Constituição, Sánchez propôs o indulto ​de Castillo -- que cumpre pena de 11 anos de prisão após tentar dissolver o Congresso em 2022 -- a ​instituição de impostos sobre lucros extraordinários e sobre grandes fortunas, além ‌de uma reforma das concessões ​de mineração.

As ⁠propostas receberam apoio das vastas regiões rurais do Peru, incluindo o setor de mineração informal, cada vez mais forte no país, mas deixaram investidores apreensivos.

Em uma nota divulgada antes da eleição, a Fitch afirmou que 'uma vitória de Sánchez aumentaria a incerteza ​em relação à tributação, royalties, estabilidade contratual e intervenção estatal'.

O Peru é o terceiro maior produtor mundial de cobre e um importante produtor de ouro, prata e zinco.

'Esperamos pressão sobre os mercados peruanos até a finalização da votação', disse Alexander Robey, gestor de portfólio de dívida de mercados emergentes da Allianz Global Investors.

'Especificamente, se Roberto Sánchez vencer, esperamos que ​os investidores incorporem um prêmio de risco maior -- spreads de crédito mais amplos, rendimentos mais altos dos títulos locais e um Sol peruano mais fraco.'

PACIÊNCIA

Fujimori, em sua quarta participação no segundo turno das eleições presidenciais, pediu paciência ao ver sua vantagem inicial diminuir.

'Vamos esperar até o último voto e é isso que espero que todos os peruanos façam', disse Fujimori nesta segunda-feira em frente à sua casa, em Lima. Diversas seções eleitorais internacionais ainda não foram apuradas e a expectativa é que favoreçam Fujimori.

No Congresso, Sánchez disse a jornalistas que está 'confiante e otimista, mas vamos esperar 100% dos votos'.

'O que ​vier a seguir é trabalhar para o país, porque a instabilidade política do Peru precisa acabar.'

O órgão eleitoral peruano, Onpe, afirmou ‌que a contagem completa dos votos deverá ser concluída ⁠até julho.

Anteriormente, Fujimori havia se distanciado de seu pai, Alberto Fujimori, o ex-presidente autoritário e linha-dura do Peru, mais tarde preso por violações dos direitos humanos. Mas, com os eleitores demonstrando grande preocupação com a criminalidade nesta eleição, ⁠Fujimori passou a se apoiar em seu legado.

O vencedor da eleição se ⁠tornará o nono presidente do Peru na última década. O ⁠Congresso destituiu três presidentes ⁠nos ​últimos cinco anos.

(Reportagem de Reportagem de Alexander Villegas, Marco Aquino e Aida Pelaez-Fernandez; reportagem adicional de Lucinda Elliott e Karin Strohecker)

Reuters

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