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Líder árabe israelense desiste de candidatura sob pressão da Suprema Corte por declarações sobre 7 de outubro

Líder árabe israelense desiste de candidatura sob pressão da Suprema Corte por declarações sobre 7 de outubro

Reuters

02/10/2026

Placeholder - loading - Juízes da Suprema Corte de Israel analisam recursos contra as decisões da Comissão Eleitoral Central de desqualificar Sami Abu Shehadeh em Jerusalém 1º de outubro de 2026 REUTERS/Ronen Zvulun
Juízes da Suprema Corte de Israel analisam recursos contra as decisões da Comissão Eleitoral Central de desqualificar Sami Abu Shehadeh em Jerusalém 1º de outubro de 2026 REUTERS/Ronen Zvulun

Por Pesha Magid

JERUSALÉM, 2 Out (Reuters) - O líder ​de um partido árabe de esquerda desistiu da disputa eleitoral em Israel após a Suprema Corte indicar sua provável desqualificação por causa de um artigo em que descreveu os ataques liderados pelo Hamas, em 7 de outubro de 2023, como um “importante evento histórico”.

Sami Abu Shehadeh negou que suas declarações significassem um endosso ao ataque perpetrado por combatentes que mataram 1.200 pessoas e levaram 251 reféns para Gaza no dia mais sangrento da história de Israel. O ataque precipitou a ofensiva israelense contra Gaza, na qual cerca de 74.000 palestinos ⁠foram mortos.

A ⁠Comissão Eleitoral Central de Israel havia tentado ​proibir ‌Shehadeh de concorrer às eleições, juntamente com quatro partidos que buscavam representar a minoria árabe de 20% da população israelense e Ofer Cassif, parlamentar judeu comunista que apoia as causas palestinas.

Em decisão nesta sexta-feira, o tribunal derrubou as demais proibições, mas ⁠afirmou que uma maioria dos juízes provavelmente teria votado por manter a ​proibição contra Shehadeh, antes de ele retirar sua candidatura, tornando a questão sem ​objeto. Segundo o tribunal, os magistrados concordaram por unanimidade ‌que as declarações de ​Abu ⁠Shehadeh foram 'dolorosas, perturbadoras e repugnantes'.

Abu Shehadeh disse à Reuters que a decisão ilustra que “no Estado judeu, existem duas leis diferentes para os cidadãos, de acordo com sua identidade”, afirmando que figuras ​da extrema-direita judaica não foram impedidas de concorrer, apesar de comentários que equivalem a discurso de ódio contra os palestinos.

“As margens para a atividade política e para a liberdade de expressão da minoria árabe-palestina em Israel estão se tornando cada vez mais ​estreitas”, disse.

O ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, foi autorizado a concorrer apesar de uma condenação anterior por incitação ao ódio racial. Ele disse que seu movimento “Poder Judaico” havia “conseguido afastar Sami Abu Shehadeh e impedi-lo de entrar no Knesset”.

“Não permitiremos que apoiadores do terrorismo e aqueles que exaltam mártires atuem livremente no Knesset de Israel.”

A eleição de 27 de outubro é a primeira em Israel desde o ataque liderado pelo Hamas ​e a guerra em Gaza que se seguiu. A coalizão governista de direita do primeiro-ministro ‌Benjamin Netanyahu utilizou imagens de líderes de ⁠partidos árabes em material de campanha, em táticas que, segundo críticos, equivalem a demonizar os árabes israelenses para conquistar votos.

Em uma mensagem sarcástica no X, o proeminente opositor ⁠de Netanyahu, Gadi Eisenkot, expressou condolências pela desqualificação do “aliado” ⁠do primeiro-ministro, em uma referência ao papel ⁠que o fomento ⁠do ​medo em relação aos árabes israelenses tem desempenhado na campanha de Netanyahu, segundo opositores.

(Reportagem de Pesha Magid)

Reuters

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