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LIVERPOOL ENTRA NA VANGUARDA DA TECNOLOGIA MUSICAL

NOVO HUB VAI CONECTAR CRIADORES, STARTUPS E INVESTIDORES NO CORAÇÃO DE UMA DAS CIDADES MAIS MUSICAIS DO MUNDO

João Carlos

02/07/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Liverpool Express
Crédito da imagem: Liverpool Express

Liverpool está abrindo uma nova porta para o futuro da música. A cidade britânica, já reconhecida mundialmente por sua força cultural e por seu título de Cidade da Música da UNESCO, vai receber um novo polo internacional de tecnologia musical: o H.O.M.E. Liverpool, espaço ligado à rede House Of Music & Entertainment. A abertura está prevista para julho, no Royal Court, em pleno centro da cidade.

A ideia é simples e ambiciosa: reunir artistas, empreendedores, empresas de MusicTech, investidores e especialistas em um mesmo ambiente para transformar boas ideias em negócios capazes de circular pelo mundo. O H.O.M.E. já se apresenta como uma rede internacional com presença em Londres, Berlim e Tóquio, voltada a eventos, espaços colaborativos, conexões profissionais e projetos ligados à música e à inovação.

Mais do que um escritório compartilhado, o novo hub deve funcionar como ponto de encontro para quem cria, investe e desenvolve soluções para a indústria musical. A programação prevista inclui encontros com investidores, eventos de networking, visitas de delegações internacionais, apoio a negócios e projetos colaborativos. Em outras palavras, Liverpool quer transformar sua história musical em plataforma para o próximo capítulo da economia criativa.

Por que Liverpool?

A escolha da cidade não é casual. Um relatório recente sobre a economia musical da Liverpool City Region estimou que o setor já movimenta cerca de 780 milhões de libras por ano, apoia mais de 14 mil postos de trabalho e pode alcançar o patamar de 1 bilhão de libras até 2035. O estudo também aponta que a região tem uma cadeia musical mais ampla do que os dados tradicionais costumavam mostrar, incluindo freelancers, pequenos negócios e profissionais que atuam em várias frentes ao mesmo tempo.

Esse cenário ajuda a explicar por que o H.O.M.E. chega em um momento estratégico. Liverpool não quer ser lembrada apenas pelo passado musical; quer disputar espaço na criação das ferramentas que vão moldar o futuro do setor. Isso inclui novas plataformas, experiências imersivas, inteligência artificial, soluções de direitos autorais, metadados, áudio espacial e tecnologias de XR, citadas no relatório local como uma das alavancas para o crescimento da economia musical da região.

Música, tecnologia e direitos autorais

Um dos pontos mais sensíveis da música atual é fazer com que o valor criado por artistas, produtores e compositores seja identificado, registrado e remunerado com mais precisão. O relatório da Liverpool City Region destaca a importância de melhorar a gestão de propriedade intelectual, metadados e registro de obras para que mais valor permaneça na própria região, em vez de escapar para grandes centros globais.

Na prática, isso significa olhar para a música como criação artística, mas também como dado, direito, catálogo, experiência e negócio. Em tempos de streaming, IA generativa e novas formas de consumo, a tecnologia pode ajudar a organizar essa cadeia, proteger criadores e abrir novas fontes de receita. A Music Technology UK também alerta que a IA tornou ainda mais urgente a criação de infraestrutura para licenciamento, dados musicais, direitos e conteúdos proprietários.

Um reforço para startups e criadores

O novo hub também chega em meio a um desafio maior para o Reino Unido: fazer com que empresas de MusicTech cresçam sem precisar buscar escala fora do país. Segundo o relatório Sound Investments 2026, da Music Technology UK, o investimento em empresas britânicas de tecnologia musical em fase de crescimento caiu 90% desde 2020, apesar de o país continuar produzindo startups promissoras.

Por isso, a presença de uma rede como o H.O.M.E. em Liverpool ganha peso. A proposta é aproximar fundadores, investidores, artistas e especialistas em um ecossistema menos concentrado em Londres e mais conectado a cidades criativas regionais. A própria Music Technology UK defende que modelos regionais como o MusicFutures, em Liverpool, podem servir de referência para outras cidades britânicas.

O papel do MusicFutures

Outro elemento importante nessa engrenagem é o MusicFutures, programa de pesquisa e inovação de 7,2 milhões de libras financiado pelo Arts & Humanities Research Council. Liderado pela University of Liverpool em parceria com a Liverpool John Moores University, o projeto tem duração de cinco anos e busca posicionar a região como um polo global de pesquisa, desenvolvimento, criatividade e tecnologia musical.

Com esse apoio acadêmico e institucional, Liverpool tenta unir o que tem de mais forte: tradição musical, universidades, empresas criativas, tecnologia e uma cena independente ativa. O H.O.M.E. entra nesse mapa como uma peça de conexão internacional, capaz de atrair conversas, capital e visibilidade para criadores e negócios locais.

Um endereço cheio de história

O Royal Court também adiciona simbolismo à novidade. O local está ligado à vida cultural de Liverpool há quase 200 anos, com trajetória marcada por teatro, música, ópera e, mais tarde, apresentações de grandes nomes do rock. Agora, esse endereço histórico se prepara para receber um espaço voltado ao futuro da indústria musical.

Iniciativa mostra que Liverpool quer continuar sendo cidade de música, mas com novos instrumentos. Além dos palcos, guitarras e estúdios, entram em cena dados, redes globais, startups e tecnologia. A batida continua a mesma: criativa, inquieta e pronta para ganhar o mundo.

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