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Lula diz que não aplicará reciprocidade enquanto estiver negociando com EUA

Lula diz que não aplicará reciprocidade enquanto estiver negociando com EUA

Reuters

21/09/2026

Placeholder - loading - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante apresentação de ações de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro 18 de setembro de 2026 REUTERS/Ricardo Moraes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante apresentação de ações de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro 18 de setembro de 2026 REUTERS/Ricardo Moraes

21 Set (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula ​da Silva disse nesta segunda-feira que não aplicará a lei de reciprocidade enquanto o Brasil estiver em negociações comerciais com os Estados Unidos, após a imposição de tarifas a produtos brasileiros pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

'Nós estamos negociando, e de novo, enquanto ainda estamos na mesa de negociações, eu não tenho que aplicar a lei da reciprocidade. Eu tenho que ser mais paciente. Mas é importante você saber que se não há acordo, nós vamos ter que aplicar a lei da reciprocidade', ⁠disse o ⁠presidente em entrevista à CNN Internacional.

Lula ​destacou o ‌fato de ter falado com Trump recentemente e, depois da conversa, as negociações terem sido reabertas. A primeira reunião, virtual, entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio ⁠dos EUA, Jamieson Greer, ocorreu há cerca de três semanas e ​serviu para reabrir as conversas, mas o governo brasileiro não espera avanços pelo ​menos até depois das eleições.

Lula foi perguntado ‌se pretendia seguir o ​caminho do ⁠Canadá e entrar em uma guerra tarifária com os EUA, caso as negociações não avancem. O presidente negou, e disse que se for necessário terá que analisar com ​cuidado as medidas a serem tomadas dentro da lei da reciprocidade.

'Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e acredito em negociações', afirmou.

IMPERADOR

Em ​Nova York para a abertura das Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula pode encontrar de novo com o presidente norte-americano nos corredores da ONU, apesar de não haver nenhuma negociação para uma conversa.

Os dois mantêm um relacionamento pessoal, apesar do momento entre os governos não ser dos melhores. Na entrevista, Lula admitiu que teme interferências dos Estados Unidos na eleição brasileira, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, ​mas que até agora são apenas suspeitas.

Apesar de ter aberto um canal direto com Trump, ‌Lula voltou a dizer que o ⁠norte-americano se comporta como 'um imperador', mas afirmou que não está tentando 'desafiar os EUA', como colocou a entrevistadora.

'Não se trata de desafiar os EUA, se trata ⁠de dizer que todo país tem sua soberania, todo ⁠mundo cuida dos seus interesses e ⁠os EUA não podem ⁠impor ​regras a ninguém', disse.

(Reportagem de Lisandra ParaguassuEdição de Pedro Fonseca e Maria Carolina Marcello )

Reuters

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