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Lula fala em crise no Judiciário, pede fim de sigilo e entra em campo para tentar estancar crise

Lula fala em crise no Judiciário, pede fim de sigilo e entra em campo para tentar estancar crise

Reuters

09/09/2026

Placeholder - loading - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 3 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 3 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  09/09/2026

BRASÍLIA, 9 Set (Reuters) - Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu ​a crise no Poder Judiciário, nesta quarta-feira, e pediu o fim do sigilo de todas as investigações envolvendo o banco Master, foi o sinal da posição que o governo irá tomar a partir de agora frente a um problema para o qual foi dragado pelas decisões do ministro André Mendonça, disseram à Reuters fontes palacianas.

'Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral', disse Lula na rede social X. 'Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade.'

Essa foi a primeira manifestação direta do presidente sobre o caso depois que Mendonça decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, por supostamente fazerem monitoramentos ilegais contra ele e outras autoridades, depois revertida por decisões do ⁠ministro Flávio Dino e ⁠ainda pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Na terça-feira, ao longo ​de diversas reuniões ‌com assessores do Planalto e da campanha, Lula concluiu que a manutenção de uma crise aguda na Suprema Corte iria afetar diretamente o governo e sua campanha à reeleição, especialmente depois do afastamento de Andrei Rodrigues.

O governo, disseram as fontes, foi cobrado por ministros do STF por estar sem uma interlocução confiável na Suprema Corte, o que obrigou o presidente a entrar diretamente nas conversas. Ao longo ⁠do dia, Lula conversou novamente com Fachin e com outros ministros mais próximos ao governo, para tentar construir uma ​solução.

De acordo com as fontes, há desconfiança dos ministros com aqueles que seriam interlocutores naturais do governo com o STF. O advogado-geral ​da União, Jorge Messias, disse uma das fontes, hoje é visto como parte do ‌problema pela sua proximidade com André ​Mendonça, relator ⁠das investigações do banco Master e da máfia do INSS, e que é visto como possível responsável por vazar informações que prejudicaram a campanha petista.

Evangélico como Mendonça, Messias contou -- e ainda conta -- com a ajuda do ministro para uma eventual confirmação do Senado para uma vaga no STF. Essa postura, dizem as ​fontes, faz com que o AGU tenha evitado queimar pontes com o ministro.

Messias tentou fazer pontes com Mendonça e vendia no governo a ideia de que o ministro do STF não teria intenção de prejudicar o governo ou interferir nas eleições. Inclusive, conta uma das fontes, o AGU teria trabalhado, sem sucesso, para tentar melhorar a relação com o diretor-geral da PF.

Já o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, é visto como 'tímido' e ​sem a confiança necessária do presidente para fazer essa interlocução.

'Falta interlocução, e alguns ministros cobraram isso do presidente', disse uma das fontes.

Na terça-feira, depois da decisão de Mendonça, Lula conversou com Andrei Rodrigues e foi decidido que o diretor-geral entraria com um recurso junto a Flávio Dino para que ele pudesse voltar ao comando da PF, já que o ministro tem sob seu comando investigações que envolvem a ação da PF. A ação não passou pela AGU.

A decisão de Mendonça de afastar Andrei foi vista também como o fim das tentativas de diálogo com o ministro e das ilusões de que não haveria risco de interferências nas eleições. Com isso, aumentou a cobrança para que Fachin agisse.

Lula já havia tido uma primeira conversa com ​o presidente do Supremo na semana passada, e reforçou o pedido na terça-feira para que Fachin agisse para amainar a crise. No entanto, na noite de ‌terça-feira, ao analisar o pedido da AGU para que devolvesse ⁠Andrei Rodrigues ao cargo na PF, Fachin deu 72 horas para que Mendonça se manifestasse, o que incomodou o Planalto.

No entanto, as decisões tomadas nesta quarta por Fachin estão sendo vistas como o caminho correto. Em uma só tacada, o presidente do Supremo cassou tanto a liminar de ⁠Mendonça que afastava Andrei Rodrigues, como a de Dino, que o recolocava, mas concedeu a liminar ⁠pedida pela AGU para Rodrigues retornar à direção da PF.

Também tirou ⁠Alexandre de Moraes, alvo de Mendonça, ⁠da ​relatoria do inquérito das fake news, e parou todas as investigações que envolvam ministros do STF.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Eduardo Simões e Alexandre Caverni)

Reuters

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