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Lula se rende ao smartphone em corrida para reduzir desvantagem nas redes sociais

Lula se rende ao smartphone em corrida para reduzir desvantagem nas redes sociais

Reuters

24/10/2026

Placeholder - loading - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o smartphone da primeira-dama Janja Lula da Silva, em comício em Natal, Brasil 10 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o smartphone da primeira-dama Janja Lula da Silva, em comício em Natal, Brasil 10 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Por Luciana Magalhaes e Oliver Griffin e Lisandra Paraguassu

SÃO PAULO, 24 ​Out (Reuters) - A poucos dias de completar 81 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou nesta semana seu primeiro smartphone, disseram dois ex-assessores.

A opção de Lula de finalmente passar a usar um aparelho fundamental da vida moderna demonstra o reconhecimento tácito de que ele não conseguiu acompanhar o ritmo do eleitorado brasileiro, que agora passa grande parte do tempo online. Isso pode contar contra ele no segundo turno da eleição presidencial neste domingo.

'Eu agora estou virando o rei das selfies, agora estou virando um internauta', disse Lula a apoiadores em um comício recente em Brasília, dando pistas sobre seus esforços renovados para navegar pelas redes sociais.

A nova aventura tecnológica de Lula ilustra uma mudança gravitacional na política brasileira, na qual a capacidade de um candidato de converter milhões de seguidores em plataformas como TikTok, Instagram e WhatsApp em votos pode ⁠catapultá-lo para os mais ⁠altos escalões da política do país.

Durante as eleições parlamentares ​que ocorreram junto ‌com o primeiro turno da votação presidencial deste mês, diversos candidatos mais jovens e articulados nas redes sociais dominaram suas disputas, conquistando centenas de milhares ou milhões de votos.

Concorrendo pelo PL, o partido de Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, de 30 anos, e Lucas Pavanato, de 28, obtiveram, cada um, mais de 3 milhões de votos em suas respectivas disputas, enquanto Júlia Zanatta, de 41 ⁠anos, garantiu mais de meio milhão.

Pelo PSOL, Erika Hilton, de 33 anos, foi eleita com mais de ​1,5 milhão de votos, enquanto Ana Elisa Silva, de 21 anos, do PT obteve 524.219 votos.

CAMINHO DAS PEDRAS

Lula, um ex-engraxate que ​se tornou um ícone global da esquerda, candidatou-se pela primeira vez à presidência ‌em 1989 e busca um inédito ​quarto mandato ⁠no cargo. Em seu caminho está o senador de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que surpreendeu os institutos de pesquisa ao liderar a votação no primeiro turno.

'Acredito que a comunicação digital não é um privilégio geracional', disse Ana Elisa à Reuters. 'A idade pode influenciar a familiaridade ​com determinadas plataformas e linguagens, mas não determina a capacidade de comunicar, mobilizar ou construir uma comunidade.'

Ana Elisa, estudante de direito de Minas Gerais, juntou-se a um grupo próximo a Lula para ajudá-lo a navegar melhor no cenário das redes sociais após seu desempenho decepcionante no primeiro turno.

Embora as campanhas em redes sociais sejam algo natural para candidatos mais jovens e nativos digitais, figuras experientes também estão se adaptando, ​o rival de Lula, Flávio, interage diretamente com os eleitores ao manter seu próprio canal no YouTube.

Para um político como Lula, que admite abertamente sua aversão a telefones celulares, a mudança exige alguns ajustes, disse Ana Elisa.

“No caso do presidente Lula, existe uma trajetória de comunicação política anterior à internet, construída a partir da relação com trabalhadores, sindicatos, movimentos populares e grandes mobilizações presenciais, “ disse ela. “Essa experiência continua sendo importante, mas precisa dialogar com as transformações na maneira como as pessoas consomem informação, especialmente os jovens.”

POLÍTICOS INFLUENCERS

O poder emergente dos políticos influencers representa a evolução natural de um fenômeno que começou com políticos buscando personalidades das redes sociais para apoiar suas campanhas, disse à Reuters Maximo Zaldivar, ​diretor regional para América Latina e Caribe da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES).

'O influencer tem seu próprio capital político. Seus seguidores, o grupo social ao ‌qual ele se inseriu... É isso que ele traz para ⁠a mesa, e nenhum político consegue competir com isso', disse Zaldivar.

Entre os políticos influencers, Ferreira está em um patamar à parte. Apoiador convicto de Flávio e filho de um pastor evangélico, ele ostenta quase 25 milhões de seguidores no Instagram, o equivalente a mais ⁠de 10% da população brasileira.

Embora qualquer pessoa possa entrar nas redes sociais, o sucesso exige ⁠comprometimento e uma mensagem consistente, disse Zanatta, deputada federal conservadora de ⁠Santa Catarina.

'Eu nunca pensei se ⁠iria ​atingir mais gente, ou se iria desagradar', disse ela à Reuters.

(Reportagem de Luciana Magalhaes e Oliver Griffin em São Paulo e Lisandra Praguassu em Brasília)

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