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Membros de grupo católico rebelde foram excomungados, diz Vaticano

Membros de grupo católico rebelde foram excomungados, diz Vaticano

Reuters

02/07/2026

Placeholder - loading - Entrada da capela de Santa Catarina de Sena utilizada por grupo católico excomungado    2 de julho de 2026   REUTERS/Remo Casilli
Entrada da capela de Santa Catarina de Sena utilizada por grupo católico excomungado 2 de julho de 2026 REUTERS/Remo Casilli

Atualizada em  02/07/2026

Por Joshua McElwee

CIDADE DO VATICANO, 2 Jul (Reuters) - O Vaticano declarou nesta quinta-feira ​que os padres e leigos católicos que fazem parte de um grupo católico dissidente de direita — que ordenou bispos sem a aprovação do papa Leão 14 — estão em cisma com a Igreja em geral e agora estão excomungados.

Em um decreto contundente, o Dicastério para a Doutrina da Fé, a principal autoridade supervisora da Igreja, que conta com 1,4 bilhão de seguidores, também alertou os católicos em todo o mundo que a Fraternidade São Pio 10, com sede na Suíça, agora celebra os sacramentos de forma ilícita.

O grupo ultratradicionalista, que nega ensinamentos fundamentais da Igreja, não pode celebrar casamentos nem ouvir confissões de forma válida, segundo o decreto.

É um ensinamento rigoroso da Igreja que somente o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, a fim de manter os laços da Igreja com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros sacerdotes e bispos.

A fraternidade não estava disponível para comentar imediatamente o decreto do Vaticano. Um membro do ⁠grupo, que disse não ⁠estar autorizado a falar, mas se identificou como padre Bento, ​disse à Reuters ‌após uma missa em Ecône, na Suíça, que esperava que o grupo simplesmente continuasse como antes.

“Nós simplesmente vamos seguir em frente”, disse ele. “Respeitamos o papa. Continuaremos rezando por ele.”

Ele também criticou a resposta do Vaticano.

“Essa sanção mostra que, quer dizer, nós não fechamos a porta para o santo padre, para a Santa Sé”, acrescentou Bento. “Eles a fecharam na nossa cara. Então, essa é a triste realidade.”

DECRETO DO VATICANO VAI ALÉM DO ⁠ESPERADO

A Igreja considera a ordenação não autorizada de bispos um ato tão grave que leva os participantes da cerimônia ​a serem automaticamente excomungados, ou “fora de comunhão” com a Igreja em geral, e incapazes de receber os sacramentos até que se arrependam e ​peçam perdão.

O decreto divulgado nesta quinta-feira afirmou que os dois bispos que lideraram a ‌ordenação não autorizada, realizada na Suíça na ​quarta-feira, ⁠haviam sido excomungados, juntamente com os quatro padres que se tornaram novos bispos, o que já era amplamente esperado.

No entanto, o Vaticano foi além do esperado e declarou que todos os padres da Fraternidade São Pio 10 e todos os católicos que “aderem formalmente” ao grupo estão agora em cisma e excomungados.

Cisma é um termo ​que indica uma ruptura grave e formal dentro da comunidade católica.

O Vaticano informou ainda nesta quinta-feira que os leigos católicos afetados pela excomunhão poderiam restabelecer a plena comunhão com a Igreja ao se reunirem com seu bispo e assinarem dois documentos: uma profissão de fé e uma declaração de adesão ao ensinamento oficial da Igreja.

Os padres da fraternidade que desejarem se arrepender devem seguir passos semelhantes, mas também precisam escrever uma carta ao papa pedindo perdão e ​declarando sua crença na validade das reformas da Igreja desde a década de 1960.

PAPA APOIA FIRMEMENTE AS REFORMAS DA IGREJA DA DÉCADA DE 1960

A Fraternidade São Pio 10 nega os ensinamentos centrais do Concílio Vaticano 2º, um encontro histórico de bispos no Vaticano na década de 1960 que promoveu uma série de reformas para a Igreja mundial e buscou restabelecer suas relações com os judeus e outras denominações cristãs.

O concílio também permitiu que a missa, até então celebrada apenas em latim, fosse celebrada nas línguas locais. A fraternidade rejeitou essa mudança, alegando um desejo pelo senso de mistério e formalidade do rito latino.

Massimo Faggioli, especialista em papado, disse à Reuters que Leão acreditava firmemente nas reformas do concílio, frequentemente chamado pelos católicos de “Vaticano 2º”.

“Ele não tem arrependimentos, nem dúvidas ​de que esta é a Igreja do Vaticano 2º”, disse Faggioli, professor da Universidade de Villanova, nos arredores da Filadélfia. “Ele demonstrou que não quer ceder nesse ponto.”

Leão ‌disse aos jornalistas em junho que as divisões com a ⁠Fraternidade São Pio 10 eram “dolorosas”, mas chamou as reformas do Vaticano 2º de “elementos fundamentais” do ensinamento da Igreja. “Devemos seguir em frente”, disse o papa.

A fraternidade, cujos seguidores são às vezes conhecidos como lefebvristas em homenagem ao seu fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre, afirma contar com 733 padres em todo o ⁠mundo. Sua liderança, que há muito mantém relações tensas com o Vaticano, afirma que precisava ordenar ⁠novos bispos para ter prelados suficientes para liderar o grupo.

Lefebvre foi excomungado ⁠em 1988 após ordenar quatro bispos ⁠sem ​a permissão do então papa João Paulo 2º. Bento 16, sucessor de João Paulo 2º, procurou retomar o diálogo com a fraternidade e revogou as quatro excomunhões restantes.

Reuters

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