Mercado vê prêmios mais baixos para etanol anidro no Brasil prevendo volumes recordes, diz Argus
Mercado vê prêmios mais baixos para etanol anidro no Brasil prevendo volumes recordes, diz Argus
Reuters
14/04/2026
Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 14 Abr (Reuters) - As negociações de prêmios de preço do etanol anidro sobre o hidratado no centro-sul do Brasil indicam valores menores na safra 2026/27 na comparação com o ciclo anterior, com o mercado na expectativa de uma produção recorde do biocombustível, avaliou a Argus.
As rodadas de negociações do etanol anidro, usado atualmente na mistura de 30% na gasolina, têm apontado prêmios de 10,5% a 13%, indicou a empresa especializada em dados e preços dos mercados de commodities, à Reuters.
No ciclo anterior, os lances ficaram entre 11-14% e os prêmios realizados foram de 12-13%.
'Neste início de negociação, o mercado está vendo esses prêmios mais baixos do que no ano passado, muito em função de projeção de safra recorde de etanol em 2026/27', disse Maria Lígia Barros, responsável por precificação de etanol da Argus.
As negociações são realizadas diante de uma necessidade regulatória de as distribuidoras contratarem junto a produtores, para o novo ciclo, volumes equivalentes a 90% da demanda de etanol anidro na temporada anterior, como forma de garantir o suprimento de forma antecipada, segundo a especialista.
A expectativa de produção recorde de etanol no centro-sul está relacionada à expansão da produção de etanol de milho e à recuperação dos canaviais, após problemas climáticos e incêndios no ano anterior.
Além disso, espera-se um 'mix' de produção de cana destinada ao açúcar menor por causa do preço do adoçante, o que favorece os volumes de etanol.
A projeção mediana de estimativas do mercado para a produção de etanol de milho e cana gira em torno de 36,9 bilhões de litros no centro-sul, segundo levantamento da Argus, um avanço importante ante 2025/26, quando a principal região produtora do Brasil teve 33,5 bilhões de litros, segundo dados da estatal Conab.
As distribuidoras precisam apresentar extratos de contratação de etanol de pelo menos 70% do volume até 2 de maio. A contratação dos 90% precisa ser comprovada até o início de junho, e a distribuidora que não apresentar os números entraria no chamado regime de compra direta, que exige a comprovação de estoques, segundo Barros.
A especialista lembrou que a mistura de etanol anidro subiu de 27% para 30% em agosto do ano passado, o que impacta nas metas de contratação para 2026/27.
Ela observou que a meta de contratação de etanol anidro para o ciclo 2026/27 -- conforme números da ANP que consideram o período de junho a maio, está em 12,5 bilhões de litros --, versus 10,6 bilhões no período anterior.
Com a expectativa de produção recorde, os preços do etanol cotados nas usinas do Estado de São Paulo, principal produtor e consumidor do Brasil, caíram 3,5% em média na última semana, apontou o centro de estudos Cepea.
A analista da Argus comentou que essa tendência de queda deve se manter durante o primeiro semestre, com o crescimento da oferta, enquanto a curva futura de preços se estabiliza a partir de julho.
FATOR E32
Por outro lado, a especialista ponderou sobre um 'risco altista' do prêmio do etanol anidro sobre o hidratado, se o governo elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), conforme sinalizou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na semana passada.
Barros disse que por enquanto praticamente não houve fechamento de negócios, mas as ofertas de compra e venda giram em torno de 10-11% da parte compradora, enquanto participantes da ponta vendedora apostam em um nível mais próximo de 12%.
'Aqueles que estão apontando um prêmio maior estão considerando mais um cenário de E32', disse ela, prevendo que os participantes do mercado deverão acompanhar atentamente as notícias sobre a mistura ao longo do próximo mês, antes da definição dos contratos.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)
Reuters

