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Motivados por imigração e dificuldades econômicas, latinos impulsionam ganhos democratas em redutos republicanos

Motivados por imigração e dificuldades econômicas, latinos impulsionam ganhos democratas em redutos republicanos

Reuters

05/11/2026

Placeholder - loading - Eleitores chegam a uma seção eleitoral em Austin, no Texas   3 de novembro de 2026    REUTERS/Mike Segar
Eleitores chegam a uma seção eleitoral em Austin, no Texas 3 de novembro de 2026 REUTERS/Mike Segar

Por David Hood-Nuño, Renee Hickman, Clare Farley e Evan Garcia

FORT WORTH, ​5 Nov (Reuters) - Quando Geronimo Perez chegou para votar no Centro Comunitário de Worth Heights, em South Fort Worth, Texas, só tinha uma coisa em mente: um amigo que havia sido deportado apenas uma semana antes.

Perez, de 56 anos, votou em todos os candidatos democratas nas eleições de meio de mandato deste ano. Ele lamentou o alto custo de vida, mas disse que a agenda agressiva do presidente Donald Trump em relação à imigração o levou a apoiar os representantes estaduais democratas Gina Hinojosa, para governadora, e James Talarico, para o Senado dos EUA.

“Eu representei minha família, minha cultura”, disse Perez. “Os Estados Unidos são formados por imigrantes de diferentes cores.”

O voto de Perez refletiu uma mudança mais ampla entre milhões de eleitores latinos em todo o país, desde os condados fronteiriços do Texas e as cidades do sudoeste do Kansas, conhecidas pela indústria de processamento de ⁠carne, até Miami-Dade, Colorado ⁠e Arizona. Depois de ajudar a impulsionar os ganhos ​republicanos nas eleições ‌recentes, muitos voltaram a apoiar os democratas.

A acessibilidade financeira continuou sendo uma grande preocupação, mas, fora dos locais de votação no dia da eleição, a imigração foi mencionada repetidamente nas entrevistas da Reuters com eleitores latinos.

Em nível nacional, no entanto, a economia continuou sendo a questão dominante entre os eleitores hispânicos. Em pesquisas de boca de urna realizadas pela SSRS, 45% citaram a economia como ⁠a principal questão do país. Quase 65% dos latinos votaram em candidatos à Câmara dos Deputados dos EUA, ​de acordo com os dados.

Além disso, um número recorde de latinos votou em todo o país, chegando a 14,5 milhões, disse ​Janet Murguía, presidente-executivo da UnidosUS, a maior organização de direitos civis dos latinos nos ‌EUA.

“Os eleitores latinos enviaram uma mensagem ​clara ⁠sobre sua indignação e preocupação com o rumo do nosso país”, declarou ela.

Essa mudança entre os eleitores latinos fez parte de uma coalizão multirracial mais ampla que impulsionou os democratas de volta ao poder, ajudando o partido a conquistar ambas as câmaras do Congresso em vitórias que se estenderam de ​costa a costa.

Nos 64 condados de maioria latina com disputas para o Senado cujos votos já foram quase todos apurados, os republicanos perderam 14 pontos em relação à sua participação em 2024, superando as tendências nacionais, de acordo com uma análise da Reuters sobre as tendências de votação em nível de condado. No condado de Hidalgo, no Texas, o apoio aos republicanos caiu cerca de 25 pontos, e em Miami-Dade, na ​Flórida — um condado que Trump venceu em 2024 —, caiu 10 pontos.

Em nenhum lugar esse quadro ficou mais claro do que no Texas, onde Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, que cumpriu três mandatos e atua na política estadual do Texas há mais de 30 anos. No entanto, a “estratégia para o eleitorado latino” de Hinojosa foi simples: tratar o eleitorado, um dos mais indecisos do país, como se não fosse diferente dos eleitores não latinos.

Ela derrotou Abbott por cerca de 6,5 pontos percentuais, 52,5% a 46%, de acordo com os resultados eleitorais mais recentes.

Sua mensagem aos texanos latinos seria a mesma dirigida aos não latinos — ela apenas a diria em espanhol, afirmou à Reuters em janeiro. E, em uma ​entrevista na sede de sua campanha em Austin, em julho, ela disse que não deveria ser estranho ter uma latina como governadora do Texas.

Ela não estará ‌sozinha: o democrata Xavier Becerra, que foi secretário de ⁠Saúde e Serviços Humanos no governo do presidente Joe Biden, venceu a disputa para governador na Califórnia. Será a primeira vez na história moderna que os dois Estados mais populosos, Califórnia e Texas, serão liderados por governadores latinos ao mesmo tempo.

No Texas, Talarico se empenhou em ⁠interagir com os eleitores latinos em todo o Estado ao longo de sua campanha, disse ⁠Daniel Alegre, presidente-executivo da gigante da mídia em língua espanhola TelevisaUnivision. Ele ⁠afirmou que esse foi um ⁠dos ​fatores-chave para a vitória de Talarico.

“Cabe às campanhas perceberem isso e não caírem na metodologia de 2014 ou 2016; isso não funciona mais”, disse ele.

Reuters

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