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MPF pede esclarecimento ao Ibama sobre plano da Petrobras de novos poços na Foz do Amazonas

MPF pede esclarecimento ao Ibama sobre plano da Petrobras de novos poços na Foz do Amazonas

Reuters

18/08/2026

Placeholder - loading - Logo da Petrobras no Rio de Janeiro 5 de junho de 2025 REUTERS/Ricardo Moraes
Logo da Petrobras no Rio de Janeiro 5 de junho de 2025 REUTERS/Ricardo Moraes

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 18 Ago (Reuters) - ​O Ministério Público Federal pediu esclarecimentos ao Ibama sobre os pedidos da Petrobras para perfurar três novos poços exploratórios e realizar outras operações marítimas na Bacia da Foz do Amazonas, o que não estava previsto na licença operacional concedida, segundo os procuradores.

Em comunicado na noite de segunda-feira, o MPF apontou que a liberação de novas perfurações por meio de simples autorização ou alteração de condicionantes na licença de operação 'descumpre normas ambientais, ignora impactos cumulativos e contradiz as informações prestadas ⁠à ⁠sociedade e à Justiça'.

Procurada, a Petrobras ​não comentou ‌imediatamente.

A estatal anunciou no fim da semana passada a descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá. A perfuração do poço teve início em outubro ⁠e permanece em curso, enquanto outros três poços estão previstos para ​serem perfurados no mesmo bloco FZA-M-59.

De acordo com o MPF, a licença ​de operação nº 1684/2025 autorizou a perfuração ‌de apenas um poço ​exploratório, ⁠chamado Morpho, mas a Petrobras teria solicitado a inclusão de mais três poços contingentes (Manga, PAD Morpho e Crotalus), além de testes de formação e o abandono definitivo ​dos quatro poços no bloco FZA-M-59.

Na visão dos procuradores, avaliar o impacto de uma única perfuração é completamente diferente de analisar os efeitos de múltiplas perfurações.

'O aumento do número de poços amplia o tempo da atividade e ​interfere na intensidade e na frequência dos impactos sobre a fauna, a flora e as comunidades tradicionais da região costeira, como indígenas, quilombolas, extrativistas e pescadores artesanais', diz o comunicado do MPF.

Fontes da Petrobras afirmam, porém, que a companhia está cumprindo com as exigências e tomando os cuidados necessários. 'A licença do poço pioneiro foi bem difícil, com muitas nuances, e em tese as licenças para ​os demais poços nem deveriam ser tão complexas', disse uma das fontes.

Outra fonte apontou ‌a necessidade de se avançar com ⁠a exploração nacional de petróleo e repor reservas, defendendo que as emissões de carbono do Brasil são 'baixíssimas' em relação a outros países.

O Ibama tem ⁠o prazo de cinco dias para responder a ⁠todos os tópicos levantados pelo MPF, ⁠com o envio ⁠de ​informações, justificativas e documentos.

(Por Letícia Fucuchima e Rodrigo Viga Gaier; Edição de Eduardo Simões)

Reuters

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