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MUNDO DA MÚSICA SE DESPEDE DE RONALD LAPREAD, DOS COMMODORES

DESPEDIDA DE UM DOS FUNDADORES DA BANDA OCORRE DIAS APÓS O CANCELAMENTO DE SHOW EM EVENTO QUE GEROU DEBATE POLÍTICO NOS EUA

João Carlos

01/06/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Arquivo/Commodores
Crédito da imagem: Arquivo/Commodores

O fim de semana foi marcado por uma combinação de luto na música e tensão política nos Estados Unidos. Ronald LaPread, baixista e cofundador do grupo The Commodores, morreu aos 75 anos em Auckland, na Nova Zelândia, país onde vivia havia décadas. O obituário da família informou que o músico morreu repentinamente em 30 de maio, mas a causa oficial não foi detalhada publicamente.

Hoje lamentamos a perda de nosso irmão, amigo e baixista original, Ronald LaPread.

Ronald foi um músico fenomenal, um compositor talentoso e uma parte vital do som e do sucesso dos Commodores. Suas contribuições para nossa música e sua amizade enriqueceram nossas vidas imensamente. Fomos gratos por tocar com ele novamente no outono passado, na Nova Zelândia.

Estendemos nossas mais profundas condolências à sua esposa Farrah, seus filhos Ronald Jr. e Soraya, e a todos que o amavam. Seu legado continua vivo através da música que ele ajudou a criar e das inúmeras pessoas que ele inspirou.

Descanse em paz, Ronald. Você sempre será um Commodor.

— The Commodores

A notícia foi confirmada por sua filha, a produtora musical Soraya LaPread, nas redes sociais, segundo a 1News. A emissora também destacou que LaPread passou os últimos 40 anos na Nova Zelândia e que permaneceu próximo do universo musical mesmo depois de deixar os Commodores.

Ronald LaPread foi um dos nomes que ajudaram a moldar a sonoridade clássica do grupo nos anos 1970 e 1980. Fundado no fim da década de 1960, os Commodores se transformaram em um dos grupos mais bem-sucedidos da era de ouro da Motown Records, ajudando a definir o som do funk, soul e R&B que dominou as rádios americanas nos anos 1970 e início dos anos 1980. Ao lado de Lionel Richie, Ronald LaPread participou da construção de um repertório que permanece como referência da música popular contemporânea.

Com suas linhas de baixo, LaPread participou de sucessos como “Brick House”, “Easy” e “Three Times a Lady”. Ele integrou o grupo até 1986, tocou em 11 álbuns dos Commodores e chegou a se reunir com antigos colegas em apresentações recentes na Nova Zelândia.

A coincidência com o cancelamento dos shows

"Os Commodores não se apresentarão na Great American State Fair.

Nossa música sempre foi nossa voz e optamos por não nos filiar publicamente a nenhum partido político. Apoiamos o bem-estar de todos os americanos.

O grupo, porém, anunciou que não participaria. Em comunicado, os Commodores afirmaram que sua música sempre foi sua voz e que não desejavam se associar publicamente a um único partido político."

A morte de Ronald LaPread coincidiu com outro episódio que colocou o nome dos Commodores em evidência nos Estados Unidos. Na mesma semana, a formação atual da banda anunciou sua desistência de participar da Great American State Fair, evento ligado ao Freedom 250, iniciativa criada para celebrar os 250 anos da independência americana. Embora o grupo ainda aparecesse na programação oficial ao lado de Morris Day and The Time para uma apresentação em 27 de junho no National Mall, em Washington, D.C., a decisão de cancelar o show foi comunicada antes do falecimento do músico. LaPread já estava afastado dos Commodores havia quatro décadas.

A despedida de Lionel Ritchie

Entre as homenagens mais emocionantes esteve a de Lionel Richie, que dividiu os palcos e estúdios com LaPread durante a ascensão dos Commodores. "LaPread, você fará falta, meu querido irmão. Que jornada!", escreveu o artista, encerrando a mensagem com a letra completa da canção "Zoom", clássico lançado pelo grupo em 1977.

O que é a Great American State Fair

A Great American State Fair está programada para acontecer entre 25 de junho e 10 de julho de 2026 no National Mall, em Washington, D.C. Segundo a página oficial do Freedom 250, a proposta é reunir pavilhões de estados e territórios americanos, apresentações ao vivo, experiências interativas e atrações típicas de feira, com entrada gratuita.

A controvérsia começou porque vários artistas disseram ter aceitado convites acreditando que se tratava de uma celebração cívica apartidária. O problema é que o Freedom 250 está ligado à força-tarefa criada pela Casa Branca para as comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos. O Federal Register registra que a White House Task Force on Celebrating America’s 250th Birthday foi estabelecida por ordem executiva, com o presidente Donald Trump como presidente da força-tarefa.

A distinção é importante porque já existe a America250, organização nacional não partidária encarregada pelo Congresso de conduzir as comemorações do semiquincentenário americano. A própria America250 informa que a comissão foi criada pelo Congresso em 2016 para planejar a celebração dos 250 anos da Declaração de Independência.

A debandada dos artistas

A saída dos Commodores fez parte de uma onda maior de cancelamentos. Artistas como Martina McBride, Bret Michaels, Young MC e Morris Day and The Time também recuaram após a divulgação da programação. McBride afirmou que havia sido apresentada a uma oportunidade “apartidária”, mas que isso teria se mostrado enganoso; Bret Michaels disse que o evento se tornou mais divisivo do que aquilo que havia aceitado inicialmente.

A imprensa americana informou que Donald Trump passou a ser anunciado como uma das figuras centrais da abertura do evento, prevista para 24 de junho, depois da saída de vários artistas. O presidente também reagiu nas redes sociais, sugerindo a substituição das apresentações por um comício e criticando os músicos que desistiram.

A organização do Freedom 250, por sua vez, tem defendido que a feira continua sendo uma celebração para todos os americanos. Em declaração citada pela Spectrum News, uma porta-voz afirmou que a Great American State Fair busca reunir o país no National Mall.

A repercussão política

A polêmica cresceu porque o caso passou a simbolizar uma disputa maior: até que ponto uma celebração nacional financiada por uma parceria público-privada pode manter aparência apartidária quando é conduzida por uma estrutura associada diretamente à Casa Branca e ao presidente em exercício?

Veículos como Axios, AP, CBS e The Guardian destacaram que a controvérsia ultrapassou a agenda musical e entrou no debate sobre uso político de eventos culturais, transparência de doadores e o papel de artistas em celebrações oficiais. A OPB também informou que parlamentares democratas e organizações de fiscalização questionaram a origem das doações privadas ligadas às comemorações.

No centro da história, portanto, há dois fatos distintos. O primeiro é a morte de Ronald LaPread, músico fundamental para a era clássica dos Commodores e para a história da Motown. O segundo é a retirada da formação atual do grupo do evento que se tornou politicamente sensível.

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